A Ilusão da Cidade Eficiente

A Ilusão da Cidade Eficiente

Em 26 de Dezembro de 2013, por Sanford Ikeda – originalmente escrito para a Conferência em homenagem a Jane Jacobs.

 “… Não quero dizer que as cidades são economicamente valiosas apesar de suas ineficiências e impraticabilidades, mas ao contrário, porque elas são ineficientes e impraticáveis”. Jane Jacobs (1969, p. 86)

De certa distância, o planejamento urbano da paisagem, de grande escala, tanto de ontem como de hoje, parece algo racional e eficiente. Como ele não poderia ser? O planejamento implica a escolha racional e eficiente de meios para fins conscientemente escolhidos. Contudo, assim que a ambição do planejador cresce do projeto de um edifício, passando pelo plano de bairros até chegar a toda a cidade, a racionalidade e a eficiência se transformam de ferramentas úteis para a tomada de decisões, para armas de destruição em massa. Qualquer tentativa de imposição de uma visão particular de racionalidade da vida urbana, seja ela inspirada nos automóveis e na geometria euclidiana, ou no pedestre e no ethos da Nova Inglaterra no início do século XX, irá confrontar esse problema. É por isso que arquitetos tendem a se tornar péssimos planejadores urbanos.

A Natureza da Cidade

Uma cidade não é um produto do design humano. Ela é o mercado complexo, a rede intrincada de atividades sociais, o tráfego alucinante; e toda essa rica cultura não pode ser agrupada completamente em um plano super-abrangente, mas surge da imprevista, porém ordenada, interação de seus habitantes. Sob as condições certas, ou “sob as regras do jogo”, essas estruturas nascem, adaptam-se e morrem nos meios vitais, radicalmente incertos e lucrativos. Tal cidade vibrante [1] – auto-regulada  e auto-suficiente – é o resultado da ação humana, mas não do design humano (Hayek, 1967).

Isso se aplica muito bem ao assim chamado ambiente construído de uma cidade. É claro, o sistema viário, o trânsito de massa, as pontes, túneis e toda a infraestrutura urbana de uma cidade são inicialmente produtos de planejamento deliberado. No entanto, a forma como exatamente toda essa estrutura física se adapta ao longo do tempo às mudanças não esperadas nas circunstâncias sociais, políticas e especialmente econômicas não são. E a criatividade e determinação do arquiteto responsável pelo projeto das praças, dos edifícios, dos parques e lojas, embora importante, não leva em consideração como esses diversos elementos se combinam para criar, ao longo do tempo, para o bem ou para o mal, a aparência e a tatilidade de uma cidade e seus bairros, apesar de terem sido construídas em áreas diferentes, por pessoas diferentes com exclusivo conhecimento e ethos. Como a linguagem, e como outras instituições sociais evoluídas generalizadamente, uma cidade vibrante é uma “ordem espontânea” (Hayek, 1967) e um “fenômeno emergente” (Johnson, 2001).

Isso não é negar que certos tipos de planejamento urbano possam contribuir indiretamente para a evolução de ordens espontâneas. É possível que um planejamento cuidadoso consiga dar um empurrãozinho em parte dessa ordem emergente de modo a promover o dinamismo urbano e sua criatividade. Paris pode ter se tornado a “cidade das luzes” como resultado indireto dos projetos brutais e maciços  de renovação urbana promovidos pelo Barão Haussmann na metade do século XVIII. Mais recentemente, o planejamento urbano resultou no sistema viário e outras infraestruturas (como os aquedutos, redes de esgoto, linhas de transmissão, túneis, pontes, iluminação pública) sem os quais a vida urbana moderna teria sido difícil de se imaginar. Mas isso, entretanto, nem sempre é bem sucedido. Na verdade, intervenções massivas no tecido urbano não são realizadas necessariamente para estimular o desenvolvimento sócio-econômico e tendem a render a tênue estrutura da sociedade responsável pela adaptação criativa a mudanças inesperadas.

Algumas das intervenções de Haussmann podem ter sido bem sucedidas, enquanto muitas outras de Robert Moses – ver abaixo –, pelo menos por estimativa (Caro, 1975), foram muito menos. De qualquer modo, não precisamos assumir que o fornecimento de algo tão vital para uma cidade, como suas principais avenidas, necessita de uma autoridade central. Londres, que não possuía nenhum governo central até 1855, gerenciou a construção do primeiro grande boulevard em uma cidade européia ainda em 1825, a Regent Street, décadas antes de Haussmann (Wilson, 2004, p. 90). A Regente Street serpenteia o centro de Londres – compare-a com os boulevards retilíneos cruzando a Paris de Haussmann – porque os vários corpos de governança local (land-lease) não permitiriam ao construtor, John Nash, afetar suas propriedades sem permissão –. Embora administradas por modelos opostos de governança, Paris e Londres eram as duas maiores cidades ocidentais na primeira metade do século XVIII.

O ponto aqui destacado é que mesmo a infraestrutura física visível de uma cidade se desenvolve de uma maneira que seus planejadores não poderiam  prever. Por exemplo, os planejadores originais do metrô de Nova York ou do tube de Londres não conseguiriam prever como seus sistemas mudariam, muito menos do que os padrões diversos de uso que vemos neles atualmente.

Também sabemos que nem todos os tipos de conseqüências que surgem de tais intervenções, mesmo as mais bem sucedidas, são intencionais e desejáveis, devendo aos limites intrínsecos da limitação da mente humana e da complexidade do mundo, especialmente do mundo social.

Máquinas de Morar?

A cidade, neste sentido, não é uma “máquina de morar”, para emprestar a frase de Le Corbusier, que a utilizava para descrever os arranha-céus austeros que pontificavam sobre seu plano, a cidade hiper-racional de Radiant City (Corbusier, 1929). Na verdade, Le Corbusier foi um dos primeiros a demandar a racionalidade e a eficiência para as maiores cidades e formar os princípios que James C. Scott chamava de “alto modernismo” (high-modernism), a doutrina de que a melhora das condições humanas requer a varredura e a engenharia racional de todos os aspectos da vida social (Scott, 1998, p. 88). Neste sentido, Le Corbusier, não menos que Friedrich Engels (1844), via a cidade não planejada e desregulada como caótica, como um horror produzido pelo mercado.

Ainda assim, a máquina é uma ótima metáfora para a Radiant City de Le Corbusier tão bem quanto para um dos maiores planejadores urbanos do século XX, Robert Moses [2]. Uma máquina possui um propósito específico. Ela é construída sob um planejamento detalhado e opera de acordo com princípios articuláveis, muitas vezes quantificáveis, para se chegar a um fim definido, para o qual todas as peças separadas estão subordinadas a servir. Um pequeno erro em uma das partes pode produzir estragos enormes em sua operação. Similarmente, uma linha erroneamente escrita de um software ou um chip estranho pode significar custos que não foram minimizados.

A complexidade de uma máquina, entretanto, é necessariamente limitada pela mente que a desenha [3]. Em contraste, a cidade vibrante pode alcançar um nível de complexidade, e promover um infindável conjunto de fins individuais, que sobrepuja qualquer construção planejada, seja ela física ou social em sua natureza, precisamente porque ela é a expressão emergente e coletiva de muitas mentes individuais interagindo, dia a dia. É por isso que uma cidade, como ordem espontânea, pode utilizar mais conhecimento – é muito mais “inteligente” – do que qualquer pessoa ou grupo de pessoas obedecendo a comandos e ordens centralmente dirigidos. Enquanto uma pessoa, utilizando as suas habilidades únicas e sua inteligência, pode alcançar grandes realizações para tarefas particulares, comparando com o poder de resolução de problemas de processos sociais dinâmicos, tais quais encontramos nos mercados e nas cidades, a mente humana é surpreendentemente limitada. Ninguém, por exemplo, não importa quão brilhante seja, consegue construir sozinho um único lápis (Read, 1958). O conhecimento técnico, e mais importante, o conhecimento local e específico de “circunstâncias particulares do tempo e do espaço” (Hayek, 1945) precisaria realizar para isso coisas ainda mais profundas além da habilidade cognitiva de cada pessoa.

Contudo, isso também significa que uma cidade vibrante não possui nenhum propósito particular, ou serve para fins particulares. Assim, enquanto a analogia da máquina pode, de fato, servir para ser adaptada a um edifício, conscientemente desenhado e deliberadamente construído, é totalmente equivocada para entender uma cidade vibrante.  Entretanto, uma cidade que não é auto-suficiente e criativa, especificamente se ela sobreviver como um parasita sugando sua riqueza de assentamentos urbanos mais criativos, como os centros religiosos ou políticos freqüentemente o fazem, tende a ser mais voltada para o tipo de cidade máquina que de ordem espontânea – por exemplo, a Roma renascentista, comparada com Florença, ou Washington dos dias atuais, comparada com Nova York [poderíamos incluir Brasília, comparando com o Rio de Janeiro] –. Contrariamente, a cidade vibrante permite a cada um de seus habitantes promover seus próprios fins e perseguir seus próprios planos, baseados em seus próprios conhecimentos particulares.

Isto é, o que as maiores cidades significam é promover as melhores opções para seus habitantes serem livres para perseguir seus interesses diversos no contexto da liberdade pessoal (Stadtluft macht frei, afinal de contas), o que significa que eles são livres para se arriscarem e, devido à riqueza do comércio que as cidades tipicamente geram, possuem os meios para isso fazerem (i. e. o custo das falhas é menor e os benefícios do sucesso são maiores). Então, se quisermos dizer que uma cidade possui um “propósito”, ele é permitir a cada habitante, escolhido na multidão, perseguir seus próprios planos, sonhos e ambições com o máximo de probabilidade de sucesso.

As pessoas migram para as cidades, arriscam com a possibilidade de sofrerem, assim como deflagrarem grande desapontamento em si mesmas como em outros, porque é na cidade que seus planos individuais mais possivelmente poderão ser preenchidos. Ignorar esse fato – que o ambiente urbano, na verdade para todas as pessoas de carne e osso, possui uma diversidade imprevisível e radical de idéias e objetivos conflitantes e que é dentro da rede e do tecido social dos processos da cidade que eles são mais efetivamente resolvidos – dá margem para a “ilusão da cidade eficiente”.

A Virtude da Ineficiência

Eficiência [4], no sentido econômico do termo, pressupõe um plano abrangente que liga vários meios para definidos fins, contra os quais resultados medidos podem ser avaliados. É a razão entre os valores dos resultados e dos valores empregados na produção. Assim, como a cidade vibrante é em si mesma impossível de ser planejada, ela não pode ser eficiente qua cidade. Contudo, não pode nem mesmo ser ineficiente, pois isso também pressupõe um plano de grande abrangência. Em outras palavras, tanto a eficiência quanto a ineficiência presumem que sabemos todos os possíveis resultados de uma dada ação e assim podemos determinar como as coisas deveriam ser, permitindo-nos reconhecer claramente o sucesso e a falha. Isso é impossível em cidades dinâmicas e espontâneas.

É claro! A complexidade do mundo social emergente e os fatos brutos de nossas limitações cognitivas geram resultados desagradáveis. Cidadãos conscientes freqüentemente pedem por “eficiência” e pedem por políticas que crêem ser possíveis de alcançar com os resultados que pretendem. Esse uso frouxo do termo, entretanto, pode significar pelo menos duas coisas:

Primeiro, pode se referir a como o governo opera – e. g., como ele gasta seu orçamento em polícia, bombeiros, educação, saneamento e infraestrutura. O conceito de eficiência no sentido técnico de maximização dos resultados para um dado conjunto de recursos pode ser apropriado com respeito ao governo da cidade, cujas funções mais parecidas com a de máquinas (sem nenhum sentido pejorativo aqui) no sentido de que as autoridades públicas podem gastar os recursos para alcançar objetivos políticos específicos. Mesmo aqui, entretanto, medições dos resultados das políticas de governo são problemáticas. Podemos ver a dificuldade de avaliações significativas o sucesso ou a falha das escolas públicas ou da polícia usando apenas medidas estatísticas (Wilson & Kelling, 1982).

Poderíamos dizer que o governo é economicamente eficiente se a cidade prosperar materialmente? Penso que não. Por uma razão, novamente, medidas estatísticas de prosperidade, como o PIB metropolitano, são índices crus de prosperidade genuína. Agora, certamente uma cidade fechada para destituição, cujos habitantes sentem falta de água suficiente, alimentação e abrigo não pode ser próspera (embora uma comunidade de ascetas possa viver alegremente sob essas condições). Então, enquanto uma grande correlação entre medidas de riqueza material e prosperidade genuína podem existir, isso é demasiadamente difícil de estar próximo de uma medida acurada de eficiência. Ainda mais importante, no entanto, provavelmente inexista entre os habitantes de uma cidade unanimidade sobre a prosperidade material ser o maior objetivo – alguns podem acreditar que o maior objetivo seja a justiça social ou outros objetivos ainda mais importantes.

Sem um ranking universalmente consensual entre os habitantes sobre as prioridades, o qual permitiria às autoridades públicas planejar racionalmente, novamente a eficiência econômica não seria possível. Tal unanimidade de opiniões pode até ser indesejável de qualquer modo em uma sociedade que deseja liberdade de pensamento e uma diversidade significativa de ideologias.

Segundo, a demanda por eficiência pode ser uma resposta para o aparente caos da vida urbana diária na esfera privada. Cidades vibrantes têm sido descritas como ineficientes no sentido de que a duplicação, tentativas e erros, falhas e decepções e crescimento explosivo imprevisto acontecem a elas como curso natural dos fatos. As pessoas freqüentemente utilizam a palavra ineficiência como termo abstrato para “coisas que não gosto” como crimes, poluição, congestionamento e doenças.

Entretanto, alguma medida de cada uma dessas coisas pode na verdade ser consistente com a eficiência econômica – tudo irá depender se os benefícios do abatimento são maiores que os custos para fazê-los, então a redução é eficiente; se não, então não é eficiente. Se os conceitos de eficiência e ineficiência econômica são inapropriados, que padrão normativo deve ser aplicado?

Na obra Delirious New York, Rem Koolhas escreve que “o lado negro da metrópole” é onde “um aumento astronômico dos desastres é por pouco maior que um aumento astronômico na habilidade de prevenção“ (Koolhas, 1994, pp 56 e 59). O sucesso fica à frente das falhas, raramente. Embora uma boa coisa, provavelmente isso não é um estado de coisas que uma pessoa razoável teria como objetivo. Contudo, ainda mais importante, não é o estado de coisas que alguém poderia deliberadamente buscar, mesmo se ela quisesse. A ineficiência genuína não pode ser planejada nesse sentido, não mais do que se possa errar nesse propósito.

Ao contrário de evocar a eficiência, emprestando o termo da ecologia (e de certas escolas heterodoxas de pensamento econômico [5]), devemos dizer que uma cidade vibrante é um processo, um processo “dinamicamente estável”, no qual forças positivas e negativas dos retornos, bem como mutações e a diversidade inesperada, se combinam sob as condições certas para gerar ordem ao longo do tempo [6]. Isso incorpora a tentativa e o erro, ganhos e perdas, a duplicação aparentemente sem sentido, os conflitos e a decepção, confiança e oportunismo e a descoberta de mudanças radicais. Isso tudo está na natureza da cidade vibrante.

Normativamente, então, devido ao fato de não ser possível prever com exatidão os  resultados que deveríamos focar ao contrário das regras do jogo que geram a estabilidade dinâmica. Por exemplo, a indústria do jeans parece ter renascido no centro de Los Angeles [7].  Com a terceirização para a Ásia das maiores indústrias, houve ameaça para as empresas locais que tinham previamente se especializado no trabalho de lavagem, jateamento, costura, empacotamento e mesmo na inspeção e reparo para essas companhias. A sua ineficiência, entretanto, significou oportunidades para novos empreendedores posteriormente, que encontraram não apenas a infraestrutura necessária, mas também o gosto das celebridades locais de Hollywood em comprar a sua produção.

Enquanto não é mero acidente que esses pequenos e diversificados operadores estivessem localizados próximos uns dos outros, ninguém planejou que isso acontecesse e alertou aos empreendedores que poderiam com maior eficiência revitalizar a indústria de Los Angeles. A indústria do jeans de Los Angeles surgiu dos remanescentes que resistiram ao processo de tentativa e erro. A dinâmica do processo global de empreendedorismo e competição gera “favelas” comerciais e industriais desse tipo a todo momento, mas como as favelas residenciais, não são todas iguais. Sob certas condições, podem ser a fonte para o futuro crescimento endógeno da economia. Esse tipo de empreendedorismo surge de oportunidades escondidas nos detritos de experimentos anteriores.

Quais são as condições, as regras do jogo, que tornam isso possível? Certamente, como a indústria de desenvolvimento do jeans exemplifica, são vitais uma diversidade de usos da terra e de gostos particulares, combinados com uma população densa. No entanto, isso poderia gerar pouca descoberta e desenvolvimento econômico sem a liberdade de mercado na busca pelas oportunidades onde ninguém mais imaginou e para desenvolver o espaço urbano de maneiras muitas vezes radicalmente diferentes de usos anteriores, bem como as expectativas dos planejadores urbanos. No contexto de liberdade econômica, a densidade e a diversidade, enfim, a “infraestrutura social” essencial de normas de reciprocidade e as redes de confiança podem emergir e promover a prosperidade vindoura [8]. Isso, na verdade, da matrix essencial cujas ações de indivíduos interagindo conforme uma ordem complexa, dinâmica e socialmente coerente. Esses são os fundamentos de uma cidade vibrante. E nada disso tem a ver com a noção estática de eficiência econômica ou racionalidade estrita.

Os Limites do Planejamento

De certa distância, muito da dispersão urbana e das cidades periféricas, até shopping centers, parece algo feio e caótico. Algo disso pode, de fato, parecer sem lugar e contra a cultura, mas certamente nem tudo o é ou o será (Garreau, 1991). Historicamente, o desenvolvimento econômico surgiu nas franjas das cidades tradicionais, no “faubourg”, no “suburbium”, ou no “portus” (Pirenne, 1952, p. 142). Tal crescimento desregulado raramente se conforma com as idéias dos planejadores sobre o que é “smart” [9]. Contudo, como em qualquer cidade vibrante, é a sua inerência e a sua ordem que devemos vivenciar mais de perto, enquanto isso, nas proximidades do coração da cidade, outras políticas públicas procuram com sinceridade, mas em vão, escolher quais os bairros que possuem valor para preservação e quais não, na esperança de direcionar conscientemente o desenvolvimento da cidade.

A lição que fica é que uma cidade viva e vibrante está sempre se tornando uma cidade viva e vibrante. É um processo que enfrenta tanto avanços extraordinários como falhas inconcebíveis. E como tal, ela não pode ser aperfeiçoada, nem com relação à eficiência ou quanto ao ideal – ou preservável, porque não se pode preservar algo que ainda está vivo. Se você tentar com muito empenho, você acabará sufocando e matando a cidade, ou, o que dá no mesmo, sufocando a sua espontaneidade. No máximo, pode-se alterar os rumos do que está em desenvolvimento – e então manter a fé, porque não há nenhuma garantia sobre os rumos que surgirão a partir dali.

Referência

[1] Empresto o termo “cidade vibrante” (living city) de Roberta Brandes Gratz (1989) e o utilizo no sentido do conceito de Jane Jacobs da “cidade” como “um assentamento que gera consistetemente seu crescimento econômico de sua própria economia local” (Jacobs, 1969, p. 262). Esse uso também pe consistente com o do sociólogo Max Weber (Weber, 1958) e o do historiador Henri Pirenne (1952).

[2] a referencia padrão a Moses é Caro (1975), mas para um tratamento mais simpático, ver Ballon e Jackson (2007).

[3] Johnson (2001) descreve os programas de computador que possuem qualidades emergentes, como aqueles encontrados em muitos sites que atualizam automaticamente a confiabilidade das  informações para os usuários, mas esses trabalhos de utilização da informação que muitas mentes separadas fornecem sem intenção.

[4] não estou aqui utilizando o conceito de eficiência energética, que é o sentido amplo que se refere à minimização da quantidade de recursos utilizados (por exemplo, petróleo) para chegar a um dado resultado final (por exemplo, o conforto humano). Na verdade, isso é algo que Jane Jacobs parece ter utilizado para falar de eficiência, “a razão de trabalho realizado com suprimentos de energia” em Jacobs (1969, p. 89). A eficiência econômica, em contraste, é um conceito de valor e se refere à minimização dos custos para se chegar a um dado nível de beneficio para uma pessoa particular. Eles não são as mesmas coisas. Entretanto, nada neste trabalho deveria ser construído como uma critica da eficiência energética per se, a menos que ela seja utilizada para se medir a eficiência de uma cidade qua cidade.

[5] veja, por exemplo, o trabalho de Israel Kirzner, como o (1992)

[6] em particular, ver a obra de Jacobs (2000)

[7] “Reborn in the U.S.A.” The New York Times (26 September 2007).

[8]  Jane Jacobs é pioneira sobre o conceito de redes sociais. Ela cunhou o termo “capital social” (1961, p. 188) e o utilizou em sentido comum atualmente por muitos sociólogos e economistas.

[9] a participação comunitária realizada a partir do governo abrandou os projetos de renovação urbana (urban renewal) e o planejamento (alto-modernista), mas as “comunidades” nunca são realmente ouvidas. Dado os limites de tempo e de habilidade cognitiva, apenas alguns têm voz e apenas um pequeno conjunto de preferências pode ser realmente refletido nas cidades. Sobre essa questão, ver Pennington (2004)

Trabalhos Citados

Ballon, Hilary and Kenneth T. Jackson (2007). Robert Moses and the Modern City: The Transformation of New York. New York: W.W. Norton.

Caro, Robert (1975). The Power Broker: Robert Moses and the Fall of New York. New York: Vintage.

Engels, Friedrich (1844). “The great towns,” abridged in LeGates and Stout (2003).

Garreau, Joel (1991). Edge City: Life on the New Frontier. New York: Anchor.

Gratz, Roberta Brandes (1989). The Living City: How America’s Cities Are Being Revitalized by Thinking Small in a Big Way. New York: John Wiley & Sons.

Hayek, F.A. (1967). “The result of human action but not of human design,” in Studies in Philosophy, Politics, and Economics. Chicago: Univ. of Chicago Press.

Hayek, F.A. (1945). “The use of knowledge in society” in Individualism and Economic Order. Chicago: Univ. of Chicago Press.

Jacobs, Jane (2000). The Nature of Economies. New York: Modern Library.

Jacobs, Jane (1969). The Economy of Cities. New York: Vintage Books.

Jacobs, Jane (1961). The Death and Life of Great American Cities. New York: Vintage.

Johnson, Steven (2002). Emergence: The Connected Lives of Ants, Brains, Cities, and Software. New York: Simon & Schuster.

Kirzner, Israel M. (1992). The Meaning of Market Process: Essays in the Development of Modern Austrian Economics. New York: Routledge.

Koolhaas, Rem (1994). Delirious New York. New York: Monacelli Press.

Le Corbusier (1929). “A contemporary city,” abridged in Richard T. LeGates and Frederic Stout (2003).

LeGates, Richard T. and Frederic Stout (eds) (2003). The City Reader. 3rd ed. New York: Routledge.

Pennington, Mark (2004). “Citizen participation, the ‘knowledge problem,’ and urban land use planning: An Austrian perspective on institutional choice.” The Review of Austrian Economics 17, no. 2:213-31.

Pirenne, Henri (1952). Medieval Cities: Their Origin and the Revival of Trade. Princeton: Princeton Univ. Press.

Read, Leonard E. (1958). I, Pencil. Irvington-on-Hudson, NY: Foundation for Economic Education.

Scott, James C. (1998). Seeing Like a State: How Certain Schemes to Improve the Human Condition Have Failed. New Haven: Yale Univ. Press.

Weber, Max (1958). The City. New York: Free Press.

Wilson, A.N. (2004). London: A History. New York: Modern Library.

Wilson, James Q. & George L. Kelling (1982). “Broken windows” in Legates & Stout (2003).

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