Contra o Urbanismo de Compadrio


Contra o Urbanismo de Compadrio

Em 18 de maio de 2016, por David

A maioria das críticas contra o livre mercado na produção do espaço urbano não é realmente direcionada contra o urbanismo laissez-faire, mas sim contra o urbanismo de compadrio. O urbanismo de compadrio é uma especialidade do capitalismo de compadrio. Randal Holcombe coloca nos seguintes termos:

A intervenção governamental na economia para beneficiar empresas privadas embasa os fundamentos do capitalismo de compadrio. Quando os negócios podem ser lucrativos com políticas do governo, esse potencial seduz os empresários a buscarem os benefícios por meio de favores, ao contrário da atividade produtiva. Quanto maior o envolvimento do governo, maior será a dependência da ajuda do governo para a lucratividade dos negócios, ao contrário da atividade produtiva, assim, as conexões políticas se tornam  da maior importância para o sucesso da empresa. O capitalismo de compadrio é um sistema econômico no qual a lucratividade dos negócios depende de conexões políticas. [1]  

O urbanismo de compadrio – entendido aqui como meio técnico e regulatório de produção do espaço urbano – é o sistema cujos sucesso e lucratividade nos assuntos fundiários, imobiliários e urbanísticos não dependem da atividade produtiva e competitiva, mas de conexões e conchavos políticos.

O urbanismo de compadrio é beneficiado por dois grupos distintos: por aqueles que esperam lucrar com o sistema e pelos desinformados que o criticam, mas acabam criando as condições para o seu desenvolvimento por desconhecimento do funcionamento do mercado. O mecanismo do urbanismo de compadrio é intrincado e, paradoxalmente, os problemas e vícios que surgem de sua operação se tornam as suas virtudes. É essa mecânica que passa despercebida e é responsável pelo seu crescimento.
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O Zoneamento, o Mercado Imobiliário e o Efeito Marola


O Zoneamento, o Mercado Imobiliário e o Efeito Marola

Em 22 de Janeiro de 2013, por George C. Leef – texto originalmente publicado no The Freeman Online

Henry Hazlitt chamou de economia a ciência de reconhecer conseqüências secundárias. O que ele e outros perceberam com o tempo de estudos sobre o funcionamento de livres mercados é que existe uma ordem natural em tratos não coercitivos entre indivíduos que tende a maximizar o bem estar de cada um deles e alocar os recursos escassos em sua melhor forma. Mas para que isso se efetue, o mercado deve ser livre, o que significa que cada participante deve possuir a permissão de decidir por si mesmo como irá utilizar seus próprios recursos, ou habilidades pessoais, dinheiro ou propriedade física. Sempre que o governo forçar uma pessoa a utilizar sua propriedade de uma forma que ela não faria se tivesse liberdade, essa ordem natural será interrompida.

O efeito de qualquer intervenção no mercado será similar a jogar uma pedra sobre um lago calmo. Ondas de distúrbio farão com que haja uma marola. Infelizmente, o governo passará a olhar a marola como um novo problema que necessita de um remédio e jogará mais pedras no sentido de neutralizar as conseqüências indesejadas e não previstas de seus arremessos anteriores. Eu chamo isso de o efeito marola; isso não é nada diferente do que a falha em perceber as conseqüências secundárias das intervenções.

Este artigo trata de uma forma de intervenção governamental sobre o livre mercado que ilustra muito bem o efeito marola. Ele trata das leis de zoneamento, particularmente daquelas que regulam o tipo de edificação que uma pessoa pode construir em sua propriedade. Essas legislações já demonstraram ter sido prejudiciais para a situação no país, tem sido um veículo de manipulação injusta e de troca de favores e, claro, introduziram novos remédios coercitivos planejados para curar os problemas causados pelas próprias legislações de zoneamento. O que o governo não pode ver é que esses “remédios” irão criar ainda mais distúrbios no mercado imobiliário. Leia mais deste post

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