O Apogeu e o Declínio das Cidades


O Apogeu e o Declínio das Cidades

Em 15 de Janeiro de 2013 , por Hans-Hermann Hoppe

Aproximadamente todos os assentamentos urbanos no mundo são atormentados por conflitos entre grupos, tanto é que cientistas políticos podem falar sobre votos e candidatos em termos de composições demográficas e o impacto dos votos em diferentes regiões. Não é apenas em Bagdá que pessoas lutam em marchas pelo poder. Em algum grau, toda eleição se torna um “voto religioso”, um “voto negro”, um “voto dos negócios”, um “voto das mulheres” etc. Isso é um triste comentário sobre a cidade moderna, fundada na Idade Média como um local de paz e comércio que se tornou a própria fundação da civilização.

Por que esses conflitos existem e por que a cidade – o centro cultural da civilização comercial caracterizada pela paz e prosperidade – os atraem? Os marxistas dizem que os conflitos urbanos que as cidades possuem têm raízes na guerra entre capital e trabalho; os racialistas dizem que as raízes estão na exploração de uma raça por outra; os feministas enxergam como uma exploração sobre o gênero. A religião, evidentemente, participa também, como no caso demonstrado pelo Iraque.

E mesmo assim nenhum desses casos trata das raízes causais dos conflitos urbanos. Para essa resposta, eu ofereço essa reflexão do meu livro Democracy: The God that Failed. É o estado, e nenhuma outra instituição ou força social, que transforma uma civilização urbana pacífica em uma “zona de guerra”.
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Telhados ou Tetos? O Atual Problema da Moradia


N. T.: Este artigo foi publicado pela FEE em formato de panfleto como parte de uma série chamada “Popular Essays on Current Problems” (artigos populares sobre problemas atuais) em setembro de 1946.

Telhados ou Tetos? O Atual Problema da Moradia

Em 12 de Março de 2013, por Milton Friedman e George Stigler; prefácio de Leonard Read

Prefácio:

Se as manobras parlamentares tivessem prevenido a renovação dos poderes da OPA (Office of Price Administration – Secretaria de Administração de Preços) em Julho de 1946 [1], os controles de preços do governo teriam terminado? Ou eles seriam reavivados pelos estados, ou pelas municipalidades, ou por um novo estatuto federal?

No caso dos controles de aluguéis, pelo menos, a resposta é clara. Durante o lapso dos controles federais em julho, estado e municipalidade, um após o outro, colocaram, ou planejaram colocar em prática suas próprias agências para a manutenção dos tetos dos preços de aluguéis.

Por quê?
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A Economia das Grandes Cidades


A Economia das Grandes Cidades

Em 31 de Janeiro de 2014, por Robert Murphy

Grandes e densamente populosas áreas urbanas colocam os princípios econômicos em uma panela de pressão. Os extremos da vida urbana tornam as coisas mais claras do que aconteceria em cidades menores. Com a certa combinação de empreendedorismo e estado de direito, áreas metropolitanas são como usinas de poder econômico. Leia mais deste post

Por que construir novas ruas e avenidas não reduz os congestionamentos


Por que construir novas ruas e avenidas não reduz os congestionamentos

Em 14 de Janeiro de 2014, por Andres Duany, Elizabeth Plater-Zyberk, and Jeff Speck – excerto do livro Suburban Nation: The Rise of Sprawl and the Decline of the American Dream

Há um problema muito mais profundo do que a forma como as estradas e avenidas são locadas e gerenciadas. Esse problema surge da questão de por que elas ainda são construídas em último caso. A simples verdade é que a construção de mais estradas, avenidas e o alargamento das existentes, quase sempre motivadas pela preocupação com os congestionamentos, não ajuda em nada para reduzir o problema. No longo prazo, na verdade, elas aumentam o problema. Essa revelação é tão contra-intuitiva que merece ser repetida: aumentar as faixas de rolamento torna o tráfego pior. Esse paradoxo surgiu já em 1942, levantado por Robert Moses, que notou o fato de as avenidas que construiu ao redor de Nova York em 1939 terem de alguma forma gerado ainda mais problemas de tráfego do que existia previamente. Desde então, o fenômeno tem sido bem documentado, mais notavelmente em 1989, quando a Associação dos Governadores do Sul da Califórnia concluiu as medições de tráfego, após a implantação de novas faixas ou mesmo com a sua duplicação, o que demonstrou que elas não foram nada mais que mero efeito cosmético para os problemas de trânsito de Los Angeles. O melhor que puderam fazer foi sugerir que as pessoas morassem mais perto do trabalho, contra o que a construção de novas avenidas sempre está lutando. Leia mais deste post

Jane Jacobs contra os Planejadores


Jane Jacobs contra os Planejadores

Em 20 de Novembro de 2013, por Gene Callahan e Sanford Ikeda

Jane Jacobs é uma das intelectuais que parece ter ficado na periferia do movimento libertário. Seu livro, Morte e Vida das Grandes Cidades Americanas pode ser encontrado nas estantes de muitos libertários, embora esteja fechado com muita freqüência, sem nunca ter sido lido. Talvez isso ocorra porque seu nome é associado com intelectuais de esquerda que deploram o surgimento de subúrbios e o declínio dos centros das cidades, mesmo que Jacobs tenha resistido fortemente contra qualquer discriminação ideológica: centro, esquerda, direita ou qualquer outra.

O que não é tão conhecido assim, entretanto, é que seu trabalho está repleto de argumentos e insights sobre a natureza econômica das comunidades, sobre planejamento central e sobre ética que libertários achariam originais e esclarecedores. Embora alguns lapsos de seu conhecimento sobre ciência econômica tenham prejudicado seu pensamento em alguns aspectos (por exemplo, suas críticas ingênuas contra Adam Smith no A Economia das Cidades), ele também permitiu a ela poderes consideráveis de observação, inteligência e um bom senso comum para pintar a natureza dos processos sociais de maneiras particulares e muito inspiradoras para vários economistas. (do mainstream, por exemplo, veja o caso do economista de Harvard Edward Glaeser e suas pesquisas sobre as cidades – Glaeser, et al. 1992).

Jacobs sobre Ordem Espontânea

Nos trabalhos de Jacobs, a ordem presente em uma área urbana com bom funcionamento emerge como resultado das ações humanas, mas não do design humano consciente.  Ela surge de uma miríade de indivíduos perseguindo seus próprios interesses e organizando seus próprios planos, dentro de uma rede de regras que encorajam a cooperação pacífica contra a agressão violenta.

Uma das maiores contribuições de Jacobs é o seu conceito de cidades como “problemas de organizada complexidade”, que prevê “a negociação simultânea de um número grande de fatores que estão inter-relacionados em um todo orgânico” (Morte e Vida, p. 432). Sua teoria da evolução das cidades, bem como sua explicação sobre a dinâmica da expansão urbana ou de sua contração, traçam a emergência e a mudança ao longo do tempo nas instituições urbanas e na rede de confiança mútua da comunidade para as decisões dos agentes individuais, com os “olhos da rua”, sempre que interagem uns com os outros em áreas públicas.

As descrições detalhadas de Jacobs sobre o funcionamento saudável de vizinhanças urbanas estão baseadas em sua observação. Nestes lugares, há pessoas interessadas na vizinhança ou nas calçadas por quase todo o dia. Cedo pela manhã, os trabalhadores partem para o trabalho em outras regiões da cidade, bem como aqueles que entram em sua vizinhança para trabalhar. Logo então, os pais que levam seus filhos para a escola aparecem nas ruas. As lojas abrem e os comerciantes, preocupados em não afugentar clientes da região de seus negócios devido a perigos na área, mantêm um dos olhos fixo nas calçadas. Mães com crianças pequenas passam e seguem para os parques, os trabalhadores vão almoçar e os comerciantes vêm e vão das lojas. No fim de tarde, novamente os trabalhadores atravessam as ruas da região. Assim que cai a noite, bares, restaurantes e clubes noturnos mantêm as calçadas vivas – e geralmente em segurança. O papel do reconhecimento da lei vigente como segurança nas cidades é secundário para Jacobs.

Tudo isso está em grande contraste com a vida da vizinhança amada pelos planejadores da metade do século. Lá, o planejamento “racional” mantém os usos estritamente separados, com escritórios, fábricas, lojas e residências segregados em suas próprias áreas por rígidas leis de zoneamento. Como resultado, as ruas da vizinhança ficam desertas por longos períodos de tempo – e, portanto, perigosas. O perigo crescente serviria para desencorajar futuramente os pedestres do uso das ruas.

Jacobs sobre a Natureza do Planejamento

Jacobs também apresenta um individualismo metodológico e uma critica subjetivista contra o planejamento local de mão pesada. Ela argumenta que esse planejamento falha em não levar em consideração os subconjuntos de conhecimento possuídos apenas pelos indivíduos em ação (para quem ela cunhou  o termo “conhecimento de localidade”) e que ele inapropriadamente imita as ciências físicas do século XIX (Morte e Vida, p.436). Os paralelos com Hayek e seu conceito de ordem espontânea, conhecimento local e cientificismo são impressionantes, especialmente pelo fato de ela não ter tido familiaridade com seu trabalho à época.

Não é prejudicial haver pessoas pensando em regiões como um todo, mas essas pessoas não precisam de planejadores urbanos – poderiam ser grandes proprietários, presidentes de associação de bairros ou outros tipos de organizações voluntárias. (por exemplo, veja o trabalho de Spencer H. MacCallum).

Alguns libertários podem se incomodar quando percebem que a crítica de Jacobs não é direcionada apenas ao planejamento governamental, mas também contra o planejamento privado, argumentando que ele também pode ser de mão pesada. Embora o domínio inato de Jacobs sobre os poderes das trocas voluntárias e da ordem espontânea falhe em cobrir sua falta de treinamento de economia básica (não há quase nenhuma menção em seus trabalhos anteriores, por exemplo, sobre os efeitos deletérios do controle de aluguéis no estoque de moradia das cidades), esse não é o caso aqui. É verdade que talvez as lições mais importantes que a economia nos ensina é a preocupação sobre os limites e as falhas de governo, ainda assim pessoas normais podem lucrar com a aplicação em suas decisões com conceitos econômicos sobre custos de oportunidade, lei de demanda e utilidade marginal. Em outras palavras, apreciando a dependência do conhecimento da localidade e das redes de confiança, que suportam o desenvolvimento econômico, sobre o desenho dos espaços públicos podem ser tão importantes para empreendedores privados essas duas características como deveria ser para aqueles preocupados com o planejamento publico.

Há, é claro, uma tendência para motivações de lucro no direcionamento do desenvolvimento privado nas direções que Jacobs acharia simpático e parece que ela veio a apreciar isso em seus escritos posteriores (e. g. A Natureza das Economias).

Jacobs com freqüência olha para as questões do planejamento urbano exibindo grandiosos insights sobre a sua natureza. Por exemplo, comentando sobre os esquemas do famoso planejador, Ebenezer Howard, ela diz:

“o objetivo de Howard era a criação de pequenas cidades auto-suficientes, realmente ótimas cidades se você fosse um animal dócil, não tivesse nenhum plano para si próprio e não se importasse em gastar a vida toda entre outros que também não tivessem nenhum plano. Como em toda utopia, o direito de ter planos de qualquer significância pertencia apenas para os planejadores no cargo” (Morte e Vida, p.17)

Em formato semelhante, ela disseca o trabalho de um dos planejadores mais festejados do século XX:

“a utopia de Le Corbusier era uma condição do que ele chamou de liberdade máxima, pela qual ele parece ter querido dizer nenhuma liberdade para fazer nada de mais, mas liberdade de uma responsabilidade normal … ninguém teria que se bater com os próprios planos” (Morte e Vida, p. 22)

É interessante comparar Jacobs com Mises sobre os planejadores:

“[Os planejadores] são dirigidos pelo complexo de ditador. Eles querem trabalhar com seus concidadãos assim como um engenheiro trabalha com os materiais que utiliza para construir casas, pontes e máquinas. Eles querem substituir a ‘engenharia social’ para as ações de seus concidadãos e seu planejamento estratégico único dos planos de todas as outras pessoas. Eles se vêem no papel do ditador – o duce, o Führer, o tsar da produção – em cujas mãos todas as outros espécimes da humanidade são meramente peões de xadrez. Se eles se referem à sociedade como um agente ativo, eles querem dizer de si mesmos. Se eles dizem que a ação consciente da sociedade está para ser substituída pela anarquia prevalecente do individualismo, eles querem dizer de sua própria consciência sozinha e não a de qualquer outra pessoa”. (The Ultimate Foundations of Economic Science).

É, talvez, a dissecação de Jacobs de esquemas particulares de planejamento que fez o máximo para o estabelecimento de sua reputação. Ela notou que os esquemas dos planejadores urbanos da metade do século não poderiam ter destruído melhor as regiões das cidades que o caso de eles terem planejado com esse objetivo.

Ela zombou de forma famosa do planejamento urbano de Le Corbusier e seus numerosos seguidores no século XX (e. g. Robert Moses) como criador de “arranha-céus em parques” (Morte e Vida, p. 21). Ela descreveu o processo pelo qual uma auto-estrada segue pelo meio do coração de uma vizinhança e que poderia destruí-la ao criar “vácuos limítrofes”, resultando em falta de vida e insegurança pela falta de pessoas transitando (Morte e Vida, pp.257-69). Similarmente, ela notou que a paixão dos planejadores pela implantação do maior número possível de parques, sem se importar por sua sustentabilidade, freqüentemente resultava em áreas desertas que serviam muito melhor para o crime e a decadência (Morte e Vida, pp89-106).

Planejadores urbanos freqüentemente são cegos para a fibra invisível que mantém comunidades sadias juntas ou o que Nathan Glazer definiu como “a tênue estrutura da sociedade”. Ela consiste na rede de confiança e de normas de reciprocidade que surgem ao longo do tempo e que promovem o processo de trocas voluntárias, que projetos de grande escala oferecem um grande risco de arruinar. Qualquer tentativa de encobrir o desenvolvimento econômico deveria levar em consideração a importância do contato informal, que Jacobs descreve como “uma pequena troca” que forma a base dessa estrutura tênue. Jacobs chamou o primeiro de capital social em 1961, tornando-a, talvez, a primeira a cunhar o termo.

O Comércio criou as Cidades e a Agricultura

Em um insight brilhante, remanescente de um insight de Carl Menger sobre a origem do dinheiro, Jacobs apresenta uma teoria em que a origem das cidades, da agricultura e da pecuária está no comércio. Sua teoria é muito embasada nos princípios da ação humana e o que podemos imaginar realmente a situação dos primeiros humanos urbanizados, assim como ela deve ter sido. Jacobs afirma que tanto a pecuária quanto a agricultura muito provavelmente se originaram nos primeiros aglomerados urbanos. Mais tarde, esses assentamentos foram o resultado do comércio paleolítico e foi a intensificação do comércio naquelas primeiras cidades que pavimentou o caminho para o desenvolvimento da agricultura e da pecuária. Para ilustrar sua teoria, Jacobs conta a história de uma cidade paleolítica fictícia que chama de “Nova Obsidiana”. Nova Obsidiana surgiu em um sítio próximo a uma tribo que vivia perto de um vulcão, onde uma grande quantidade de obsidiana poderia ser encontrada. Além de a obsidiana ser um material de valor para uma cultura da era da pedra, aquela tribo estava situada em uma fonte natural de riqueza e tinha o ímpeto para o comércio.

A suposição de Jacobs era que a área da tribo nas proximidades do vulcão que viu nascer Nova Obsidiana (a suposição não é crucial para a sua teoria). A tribo que vivia lá não tinha propensão de permitir estrangeiros em seu território valioso, então ela trazia a obsidiana para um sítio próximo de outra tribo e confiava a ela o papel de intermediária no comércio. Assim que novos comerciantes vieram de maiores distâncias para interagir no negócio naquela região central estabelecendo primeiramente moradia temporária e mais tarde moradia permanente, as pessoas, suas idéias e seus bens de culturas e gostos tão distintos se miscigenaram. Disso, não apenas a tolerância para com os outros gostos e crenças emergiu, mas também novas idéias, religiões e produtos. Tal criatividade e oportunidade atraíram cada vez mais comerciantes e imigrantes para Nova Obsidiana, continuando esse ciclo virtuoso no qual novas idéias nas artes, no comércio e na cultura foram trazidas continuamente pela criatividade ao longo do tempo.

Como descrito, o comércio de obsidiana com as tribos vizinhas levou a um aumento na variedade de bens entrando em Nova Obsidiana. A vasta maioria desses bens era relacionada à comida. Já que os comerciantes tinham que viajar alguma distância para chegar a Nova Obsidiana, eles deveriam buscar comercializar com bens que fossem valiosos. Os principais bens valiosos provavelmente eram animais vivos e sementes comestíveis.

Menger e Mises apontaram para o absurdo de supor que um dia, um rei pensasse consigo próprio, “vamos ter um meio de troca padrão” anteriormente a qualquer outra pessoa ter experimentado algum meio de troca antes. Empregando um raciocínio similar, Jacobs nota que não faz nenhum sentido supor que uma pessoa ou um grupo de pessoas um dia simplesmente decidiu domesticar animais: “os administradores (dos animais usados no comércio de Nova Obsidiana) são inteligentes e altamente capacitados para resolver problemas ao induzir pela experiência. Porém, a experiência não ofereceu a eles nenhuma idéia ainda que possa ser chamada de ‘tentativa de domesticação de animais’” (A Economia das Cidades, p.26). Ao contrário, o desejo racional em matar aqueles animais criados que eram mais difíceis de serem mantidos (os machos e os mais ariscos) e manterem aqueles mais fáceis de manter (como fêmeas e os mais dóceis) por períodos maiores, tiveram a conseqüência não intencional de começarem a arte da pecuária.

De modo semelhante, o desperdício acidental de sementes e grãos de diversas regiões armazenados em recipientes comuns resultou na hibridação não intencional de novas formas de plantio, alguns dos quais eram mais saborosos e mais produtivos. Esses poderiam ter maiores preços de modo que administradores dos armazéns ficassem de olho para armazenar algumas sementes para futuros plantios. Assim foi o inicio da agricultura.

É uma combinação de interesse próprio, senso de alerta e no comércio que constitui a gênese e a emergência das cidades e é uma combinação similar de fatores que deu vida à pecuária e à agricultura. De fato, Jacobs argumenta que apenas em grandes assentamentos é possível, como em sua imaginária Nova Obsidiana, que a boa sorte tenha sido a gênese de tais práticas (e provavelmente dos trabalhos mais laboriosos, a escrita e as ciências) poderiam ter a esperança de florescer. Assim, ela conclui, de alguma forma contra-intuitivamente, que as cidades tinham de preceder, e não seguir, do desenvolvimento rural (A Economia das Cidades, p. 3-48).

Jacobs e o Libertarianismo

Jacobs confirma seu afiado entendimento sobre a origem dos processos urbanos pensando indutivamente, ao contrário do procedimento explícito em princípios filosóficos e ideológicos. Ela tem sido a favor e contra muitas iniciativas governamentais. E a verdade é que os intelectuais esquerdistas de fato adotaram muitas de suas idéias. Embora Jacobs não seja totalmente contra a utilização de procedimentos coercitivos como regulamentações (e. g. substituição de zoneamento de limites construtivos de edifícios por zoneamentos de uso), em nossa opinião, entretanto, aqueles intelectuais adotaram suas idéias fora de contexto. Isto é, as descrições de Jacobs  para as cidades de sucesso que se formaram espontaneamente formaram centros voltados para pedestres, usos primariamente mistos, pequenas quadras e edificações de variados estilos e os vintages foram interpretados por alguns como prescrições para as novas edificações e cidades em novas formas mais esclarecidas de planejamento urbano. Aqueles movimentos hoje conhecidos como o New Urbanism e o Smart Growth são especialmente culpados disso.

A própria Jacobs criticou os New Urbanists:

“O New Urbanism quer ter centros vívidos em lugares que eles estão se desenvolvendo, onde as pessoas correm umas pelas outras fazendo o serviço e aquele tipo de coisa. E mesmo assim, pelo que tenho visto de seus planos e dos lugares que eles desenvolvem, eles não parecem ter a menor noção sobre a anatomia desses corações, desses centros. Eles os zoneiam como se fossem shopping centers. Eles não se ligam.”

Apesar de sua normal defesa da intervenção governamental, há uma tendência libertária bastante forte nos seus escritos, mesmo que ela se esmere em recusar ser classificada como tal. O seu Sistemas de Sobrevivência (1994), por exemplo, poderia ser lido como uma análise do por quê uma economia mista produzir um tipo de desequilíbrio moral no qual a luta entre éticas do estado contra a ética do comércio gera uma espiral negativa de conseqüências não intencionais.

Jacobs talvez seja muito indutivista para alguns austríacos e muito propensa a aceitar o uso de regulamentações governamentais para outros. No entanto, ela é uma grande fonte de idéias e insights para os dois grupos e uma amiga na luta contra a tirania, tanto global quanto local.

Referência:

Jacobs, Jane (1961). The Death and Life of Great American Cities. New York: Vintage.

Jacobs, Jane (1969). The Economy of Cities.  New York: Vintage.

Jacobs, Jane (1992). Systems of Survival. New York: Vintage.

Jacobs, Jane (2000). The Nature of Economies. New York: Modern Library.

Glaeser, Edward L., H. Kallal, J. Sheinkman, and A. Shleifer (1992). “Growth in cities,” Journal of Political Economy, 100: 1126–52.

As conseqüências não intencionais do controle de aluguéis


As conseqüências não intencionais do controle de aluguéis

Em 13 de Novembro de 2013, por Art Carden

Suponha que você quisesse destruir uma cidade. Você deveria bombardeá-la ou seria necessário apenas impor controle de aluguéis? Essa é uma pergunta um pouco forte a princípio, mas alguns economistas têm argumentado que ambas são bastante equivalentes. Quando o preço dos aluguéis é mantido abaixo do nível claro do mercado, a escassez surge e o estoque de moradia rapidamente se deteriora.

Aqueles que pregam o controle de aluguéis freqüentemente o fazem continuamente com base em sua visão de justiça social. Não é correto, eles podem argumentar, que alguém que vive em algum lugar por toda a sua vida devesse ser expulso de sua vizinhança por causa do aumento de preços; nem é correto que um locador rico avarento se delicie com altos aluguéis porque um monte de gente queira morar em Nova Iorque ou São Francisco. A típica proposta de controle de aluguéis está baseada na idéia de que a mesma quantidade de atividade econômica será realizada, mas com uma distribuição diferente de resultados. Isto é, o mesmo número de apartamentos será ofertado e eles serão ofertados às mesmas pessoas e na mesma qualidade original. A única diferença, de acordo com os defensores do controle de aluguéis, é que o infeliz inquilino não terá que se submeter aos bolsos do locador. Qualquer mudança na quantidade de moradia será vista como uma falha moral da parte do senhorio. Leia mais deste post

O que é a questão da moradia?


O que é a questão da moradia? Notas sobre a precarização da moradia, o ideal da casa própria e a requalificação urbana segundo a visão marxista e uma crítica.

Em 29 de Outubro de 2013, por David

moradia

Morar em cidades significa um maior acesso a oportunidades que não são facilmente encontradas nas áreas rurais. Cidades grandes geralmente oferecem ainda melhores oportunidades, principalmente com relação ao acesso às amenidades urbanas, o acesso à educação, à saúde, ao saneamento e, talvez principalmente, o acesso ao mercado de trabalho. A cidade aumenta a produtividade do trabalho e permite maiores rendimentos para seus habitantes quando comparados aos moradores do campo. Esses benefícios atraem a população que espera se satisfazer dos ganhos em rendimento ou com outras questões pessoais, entretanto, os custos da cidade grande também são mais altos que o custo de vida no campo, ou em cidades menores.

Dentre os custos da cidade grande está o custo da moradia para o trabalhador que muitas vezes representa a maior porção de seu orçamento. Além disso, o acesso à moradia adequada é dificultado pelos altos valores cobrados e muitas vezes pela disponibilidade de habitações de boa qualidade. A crise da habitação e o déficit encontrados na maioria das cidades brasileiras, representado pela situação de moradias precárias em regiões sem infraestrutura, levantam o interesse de pesquisadores que buscam entender as razões dessa situação para buscar alternativas que melhorem esse cenário.

Entre os trabalhos mais citados entre urbanistas para responder às precárias condições de moradia, encontramos a obra “O Que é a Questão da Moradia?” dos pesquisadores Luiz C. de Queiroz Ribeiro e Robert M. Pechman ligados ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional – IPPUR . A leitura dessa obra – embora pequena, de grande influência na área – é importante para entender os demais trabalhos sobre a moradia e as soluções propostas pelos técnicos atualmente, principalmente aqueles que possuem um viés marxista em suas leituras.

Este artigo visa apresentar a visão predominante entre autores marxistas utilizados como linha guia a visão dos autores do livro – ótimo representante da visão marxista sobre a questão da moradia – e apresentar críticas a essa visão, enfatizando os problemas das conclusões a que eles chegam. Suas críticas também apresentam esclarecimentos sobre o ideal da casa própria e sobre a requalificação urbana dentro de um contexto marxista e por isso merecem uma leitura crítica. Leia mais deste post

Investimento Imobiliário: muito bom para ser verdade


Investimento Imobiliário: muito bom para ser verdade

Em 22 de Outubro de 2013, por Mark Thornton – texto originalmente publicado em 04/06/2004

Sinais de uma “nova era” na habitação estão em todos os lugares. A construção imobiliária está acontecendo em níveis recordes. Novos recordes para os preços no mercado imobiliário estão cruzando o país, especialmente nas costas leste e oeste. O boom nos preços de moradias e o recorde dos baixos níveis dos juros estão permitindo proprietários imobiliários a refinanciarem suas hipotecas, “extraírem o lucro” para aumentarem os seus gastos e reduzirem seu pagamento mensal. Assim como um profissional do setor de empréstimos explicou a mim: “é quase bom demais para ser verdade.”

Na verdade, isso é realmente bom demais para ser verdade. O que os profetas do novo paradigma imobiliário não discutem é que o mercado imobiliário experimentou ciclos similares no passado e que aqueles períodos descritos como novos paradigmas são freqüentemente seguidos de períodos de acomodação nos mercados, incluindo embargos de vendas, falências e falhas bancárias.

O caso da bolha imobiliária japonesa é instrutivo. O Japão teve uma bolha no mercado de ações na década de 1980 que foi muito similar à bolha americana da década de 1990. Assim que o mercado de ações japonês começou a ruir, o mercado imobiliário continuou a ser inflado. Um índice geral do mercado imobiliário japonês mostra que os preços subiram por quase dois anos após o crash do mercado de ações com preços ficando acima dos níveis pré-crash por mais de 5 anos. O boom na construção civil continuou por aproximadamente seis anos após o crash do mercado de ações. Os preços para imóveis comerciais, industriais e residenciais no Japão continuam a cair e estão abaixo dos níveis mensurados em 1985 quando essas estatísticas foram coletadas.

Já se passaram três anos desde que o mercado acionário americano quebrou. O presidente do Federal Reserve System – FED: o Banco Central Americano – Alan Greenspan indicou que os níveis de juros poderiam em breve reverter seu curso, enquanto as taxas de juros de longo prazo já se moveram para cima. Taxas de juros deveriam engatilhar um reverso no mercado imobiliário e expor as falácias desse novo paradigma, incluindo como o boom imobiliário ajudou a encobrir os aumentos da inflação de preços. Infelizmente, essa exposição irá ferir os proprietários e o maior problema é que possa atingir o pagador de impostos americano, que poderia ser forçado a socorrer os bancos e as hipotecas subsidiadas pelo governo a garantidores que encorajaram essas práticas irresponsáveis de crédito. Leia mais deste post

Leis de zoneamento destroem comunidades


Leis de zoneamento destroem comunidades

Em 02 de Outubro de 2013, por Try Caplin

As leis de zoneamento são uma violação de direitos de propriedade. Elas destroem o senso de comunidade da vizinhança, aumentam o crime, aumentam os congestionamentos, contribuem para a poluição do ar urbano e suburbano, contribuem para o empobrecimento, contribuem para a confiança no governo e contribuem com a ruína de nossas escolas. Muitos de nossos problemas urbanos e suburbanos surgiram com o zoneamento e com leis antipropriedade, para as quais programas de bem-estar e projetos de moradia pública têm contribuído. Cada uma dessas políticas surgiu da idéia de que a sociedade poderia e deveria ser desenhada de cima para baixo para aumentar a eficiência, o senso de comunidade e a prosperidade. O que de fato aconteceu foi justamente o contrário. Leia mais deste post

Acabaram os Dias de Bonança do Setor Público


Acabaram os Dias de Bonança do Setor Público

Em 16 de Setembro de 2013, por Patrick J. Buchanan

San Bernardino, na Califórnia, está seguindo o exemplo de Stockton e indo à falência. Harrisburg e Scranton, na Pensilvânia e o condado de Jefferson, no Alabama, voltando a Birmingham, já estão lá para dar-lhes boas-vindas.

Detroit foi à bancarrota por Michigan. Um plano sob discussão é reverter um quarto da cidade em pasto e área agrícola como eram cerca de cem anos atrás.

Na web, é possível encontrar um conto pictórico de duas cidades: Hiroshima, uma ruína flamejante e esfumaçada em 1945, hoje é uma metrópole bela e radiante. Detroit, forja e fornalha da democracia em 1945, hoje se assemelha a Dresden após os bombardeiros da Segunda Guerra.

Outras cidades americanas estão explorando a idéia de falência para escapar por debaixo das montanhas de dívidas que se acumulam ou escapar dos contratos que as gerações anteriores de políticos negociaram. Não mais vista como vergonhosa, a falência é hoje vista como uma opção para as cidades americanas. A crise do setor público chegou a River City.

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