Contra o Urbanismo de Compadrio


Contra o Urbanismo de Compadrio

Em 18 de maio de 2016, por David

A maioria das críticas contra o livre mercado na produção do espaço urbano não é realmente direcionada contra o urbanismo laissez-faire, mas sim contra o urbanismo de compadrio. O urbanismo de compadrio é uma especialidade do capitalismo de compadrio. Randal Holcombe coloca nos seguintes termos:

A intervenção governamental na economia para beneficiar empresas privadas embasa os fundamentos do capitalismo de compadrio. Quando os negócios podem ser lucrativos com políticas do governo, esse potencial seduz os empresários a buscarem os benefícios por meio de favores, ao contrário da atividade produtiva. Quanto maior o envolvimento do governo, maior será a dependência da ajuda do governo para a lucratividade dos negócios, ao contrário da atividade produtiva, assim, as conexões políticas se tornam  da maior importância para o sucesso da empresa. O capitalismo de compadrio é um sistema econômico no qual a lucratividade dos negócios depende de conexões políticas. [1]  

O urbanismo de compadrio – entendido aqui como meio técnico e regulatório de produção do espaço urbano – é o sistema cujos sucesso e lucratividade nos assuntos fundiários, imobiliários e urbanísticos não dependem da atividade produtiva e competitiva, mas de conexões e conchavos políticos.

O urbanismo de compadrio é beneficiado por dois grupos distintos: por aqueles que esperam lucrar com o sistema e pelos desinformados que o criticam, mas acabam criando as condições para o seu desenvolvimento por desconhecimento do funcionamento do mercado. O mecanismo do urbanismo de compadrio é intrincado e, paradoxalmente, os problemas e vícios que surgem de sua operação se tornam as suas virtudes. É essa mecânica que passa despercebida e é responsável pelo seu crescimento.
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O Fracasso da Primeira Conferência Internacional de Planejamento Urbano


O Fracasso da Primeira Conferência Internacional de Planejamento Urbano

 Em 26 de Março de 2013, por DavidNova York e a lama

Entre os dias 13 e 22 de junho de 2012 foi realizada no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, popularmente chamada de Rio + 20, em referência à Eco92. Reunidos durante 10 dias, cientistas, ongs e políticos buscaram alcançar uma agenda comum de desenvolvimento entre as nações para os próximos anos visando a redução do impacto ambiental produzido pelo homem. O assunto foi explorado à exaustão e muito bem utilizado por políticos e cientistas para fortalecer a sua causa: a intervenção na sociedade com medidas (im)positivas contra os danos produzidos pelo homem no planeta.

A Rio + 20 chama a atenção pela semelhança de eventos recorrentes e demonstra a falta de originalidade com relação aos cenários apocalípticos que surgirão caso a sociedade não siga seus ditames. Esse planejamento econômico para um desenvolvimento sustentável, discutido na Conferência, é muito semelhante à história do planejamento urbano e de suas conferências. Por isso, vale a pena conhecer a história do primeiro evento que reuniu planejadores e sua preocupação ambiental com relação às cidades. Leia mais deste post

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