O que é a questão da moradia?


O que é a questão da moradia? Notas sobre a precarização da moradia, o ideal da casa própria e a requalificação urbana segundo a visão marxista e uma crítica.

Em 29 de Outubro de 2013, por David

moradia

Morar em cidades significa um maior acesso a oportunidades que não são facilmente encontradas nas áreas rurais. Cidades grandes geralmente oferecem ainda melhores oportunidades, principalmente com relação ao acesso às amenidades urbanas, o acesso à educação, à saúde, ao saneamento e, talvez principalmente, o acesso ao mercado de trabalho. A cidade aumenta a produtividade do trabalho e permite maiores rendimentos para seus habitantes quando comparados aos moradores do campo. Esses benefícios atraem a população que espera se satisfazer dos ganhos em rendimento ou com outras questões pessoais, entretanto, os custos da cidade grande também são mais altos que o custo de vida no campo, ou em cidades menores.

Dentre os custos da cidade grande está o custo da moradia para o trabalhador que muitas vezes representa a maior porção de seu orçamento. Além disso, o acesso à moradia adequada é dificultado pelos altos valores cobrados e muitas vezes pela disponibilidade de habitações de boa qualidade. A crise da habitação e o déficit encontrados na maioria das cidades brasileiras, representado pela situação de moradias precárias em regiões sem infraestrutura, levantam o interesse de pesquisadores que buscam entender as razões dessa situação para buscar alternativas que melhorem esse cenário.

Entre os trabalhos mais citados entre urbanistas para responder às precárias condições de moradia, encontramos a obra “O Que é a Questão da Moradia?” dos pesquisadores Luiz C. de Queiroz Ribeiro e Robert M. Pechman ligados ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional – IPPUR . A leitura dessa obra – embora pequena, de grande influência na área – é importante para entender os demais trabalhos sobre a moradia e as soluções propostas pelos técnicos atualmente, principalmente aqueles que possuem um viés marxista em suas leituras.

Este artigo visa apresentar a visão predominante entre autores marxistas utilizados como linha guia a visão dos autores do livro – ótimo representante da visão marxista sobre a questão da moradia – e apresentar críticas a essa visão, enfatizando os problemas das conclusões a que eles chegam. Suas críticas também apresentam esclarecimentos sobre o ideal da casa própria e sobre a requalificação urbana dentro de um contexto marxista e por isso merecem uma leitura crítica. Leia mais deste post

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Investimento Imobiliário: muito bom para ser verdade


Investimento Imobiliário: muito bom para ser verdade

Em 22 de Outubro de 2013, por Mark Thornton – texto originalmente publicado em 04/06/2004

Sinais de uma “nova era” na habitação estão em todos os lugares. A construção imobiliária está acontecendo em níveis recordes. Novos recordes para os preços no mercado imobiliário estão cruzando o país, especialmente nas costas leste e oeste. O boom nos preços de moradias e o recorde dos baixos níveis dos juros estão permitindo proprietários imobiliários a refinanciarem suas hipotecas, “extraírem o lucro” para aumentarem os seus gastos e reduzirem seu pagamento mensal. Assim como um profissional do setor de empréstimos explicou a mim: “é quase bom demais para ser verdade.”

Na verdade, isso é realmente bom demais para ser verdade. O que os profetas do novo paradigma imobiliário não discutem é que o mercado imobiliário experimentou ciclos similares no passado e que aqueles períodos descritos como novos paradigmas são freqüentemente seguidos de períodos de acomodação nos mercados, incluindo embargos de vendas, falências e falhas bancárias.

O caso da bolha imobiliária japonesa é instrutivo. O Japão teve uma bolha no mercado de ações na década de 1980 que foi muito similar à bolha americana da década de 1990. Assim que o mercado de ações japonês começou a ruir, o mercado imobiliário continuou a ser inflado. Um índice geral do mercado imobiliário japonês mostra que os preços subiram por quase dois anos após o crash do mercado de ações com preços ficando acima dos níveis pré-crash por mais de 5 anos. O boom na construção civil continuou por aproximadamente seis anos após o crash do mercado de ações. Os preços para imóveis comerciais, industriais e residenciais no Japão continuam a cair e estão abaixo dos níveis mensurados em 1985 quando essas estatísticas foram coletadas.

Já se passaram três anos desde que o mercado acionário americano quebrou. O presidente do Federal Reserve System – FED: o Banco Central Americano – Alan Greenspan indicou que os níveis de juros poderiam em breve reverter seu curso, enquanto as taxas de juros de longo prazo já se moveram para cima. Taxas de juros deveriam engatilhar um reverso no mercado imobiliário e expor as falácias desse novo paradigma, incluindo como o boom imobiliário ajudou a encobrir os aumentos da inflação de preços. Infelizmente, essa exposição irá ferir os proprietários e o maior problema é que possa atingir o pagador de impostos americano, que poderia ser forçado a socorrer os bancos e as hipotecas subsidiadas pelo governo a garantidores que encorajaram essas práticas irresponsáveis de crédito. Leia mais deste post

A Moradia na União Soviética


A Moradia na União Soviética

Em 15 de Outubro de 2013, por Master and Margarita

A propriedade privada da moradia foi abolida na União Soviética em 1918. Novas leis foram criadas para decidir quem poderia morar onde fosse planejado. A situação era particularmente complicada nas cidades para onde muitos proprietários se mudaram e houve grande imigração. O colapso imobiliário resultante dura efetivamente até os dias de hoje. As autoridades planejadoras do setor imobiliário determinavam quem deveria viver em cada local. Muitos prédios de apartamentos possuíam um comitê de Moradia administrado por um Gerente Residencial. Um exemplo muito semelhante de como isso funcionava pode ser visto na figura do Doutor Zhivago (1965), filme dirigido por David Lean e baseado no famoso romance de Boris Pasternak. Outro exemplo que apresenta de forma incrível o problema da moradia é o filme dirigido por Régis Wargnier Est- Ouest de 1999.

Se o apartamento parecesse muito grande para os inquilinos e se eles tivessem a sorte de poderem permanecer, eles eram forçados a dividir o espaço com quem o Comitê de Moradia autorizasse a se mudar. Algumas vezes grandes apartamentos eram simplesmente divididos. Por exemplo, um apartamento de três quartos pertencente a uma família se tornaria por decreto um apartamento de três quartos para três famílias. A cozinha, o hall e os banheiros deveriam ser compartilhados. Freqüentemente existia ressentimentos entre as várias famílias vivendo nos chamados коммунальная квартира (kommunalnaya kvartira), ou apartamentos comunais, especialmente se uma das famílias fosse a proprietária original ou se todas as famílias continuassem vivendo juntas por anos. Leia mais deste post

O Bom Selvagem


O Bom Selvagem

Em 08 de Outubro de 2013, por David Deming

Joseph Campbell afirmava que a civilização não é mantida pela ciência, mas pelo mito. “Aspiração”, explicava Campbell, “é o motivador, o construtor e o transformador da civilização”. Nossa sociedade tecnológica tem sido forjada sobre o mito de Francis Bacon da Nova Atlântida. Bacon foi a primeira pessoa a sem dúvida e explicitamente apoiar a aplicação prática do conhecimento científico para as necessidades humanas. “O verdadeiro e judicioso objetivo da ciência é que a vida humana seja enriquecida com novas descobertas e poderes”, explicava ele. Escrevendo ainda no início do século XVII, Francis Bacon previu o laser, a engenharia genética, aviões e submarinos.

Competindo com a visão de Bacon de uma sociedade baseada na ciência, está a fábula mais antiga e persistente do Bom Selvagem. O Bom Selvagem não é uma pessoa, mas uma idéia. É um primitivismo cultural, é a crença de pessoas que vivem em sociedades complexas  e evoluídas de que a vida mais simples e primitiva seria melhor. O mito do Bom Selvagem diz que o homem pode viver em harmonia com a natureza, que a tecnologia é destrutiva e que seríamos todos muito mais felizes em um estado mais primitivo. Leia mais deste post

Leis de zoneamento destroem comunidades


Leis de zoneamento destroem comunidades

Em 02 de Outubro de 2013, por Try Caplin

As leis de zoneamento são uma violação de direitos de propriedade. Elas destroem o senso de comunidade da vizinhança, aumentam o crime, aumentam os congestionamentos, contribuem para a poluição do ar urbano e suburbano, contribuem para o empobrecimento, contribuem para a confiança no governo e contribuem com a ruína de nossas escolas. Muitos de nossos problemas urbanos e suburbanos surgiram com o zoneamento e com leis antipropriedade, para as quais programas de bem-estar e projetos de moradia pública têm contribuído. Cada uma dessas políticas surgiu da idéia de que a sociedade poderia e deveria ser desenhada de cima para baixo para aumentar a eficiência, o senso de comunidade e a prosperidade. O que de fato aconteceu foi justamente o contrário. Leia mais deste post

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