A Frequente Presença da Utopia no Urbanismo

A Frequente Presença da Utopia no Urbanismo

Em 17 de Dezembro de 2013, material de estudos do MIT

Para muitos, a reforma gradual das cidades não poderia superar o seu mal-estar essencial; o século XIX foi também o tempo das grandes expectativas e alternativas à forma física e social das cidades, muito freqüentemente em novos lugares imaginados bem longe dos existentes. A Utopia de Thomas Morus, escrita no século XVI, era tanto um ótimo lugar como lugar nenhum, uma ilha com 54 cidades onde a propriedade privada não seria tolerada. Muito freqüentemente as utopias foram construídas em oposição às doenças sociais identificadas: fraqueza familiar (os Kibbutz separando a criação das crianças); bebida e alienação (a reforma do caráter de Owen); falhas seculares (a abstinência de Shakers); puritanismo (a paixão comunal de Fourier); a desordem da sociedade industrial (as cidades-fábrica paternalistas de Pullman, Saltaire e Noisel-sur-Marne); supercentralização (o redistributivismo de Kropotkin e Morris). Muitas dessas opções falharam pela dificuldade de manter as fronteiras físicas (a paisagem do meio) e as fronteiras psíquicas (ser indivíduo e grupo ao mesmo tempo). Ainda assim o poder de todas essas idéias infiltrou no mainstream urbanism: rue interieure de Fourier, por exemplo. Comparada às reformas sociais, a sua arquitetura era bastante conservadora (os falanstérios de Considerant ou a cidade super-Krupp de Verne), recorrendo ao poder ou sofrendo por não possuir os recursos suficientes para a inovação do ambiente físico. A idéia de um quociente disponível é argumentada para o caso da Rússia após 1917. Apesar de essas idéias utópicas freqüentemente emanarem de pessoas não intelectuais, criticadas por esse motivo por Marx, a sua influência foi considerável: o efeito sobre Gandhi e a fazenda de Tolstoy em Johannesburg, por exemplo. A oposição antagônica foi estimulada, os escritos de Morris da deserção de Londres no News from Nowhere após ler a versão comunista de Bellamy de Boston no Looking Backward.

Para os arquitetos que propuseram novas alternativas para a cidade moderna, o estresse estava na organização espacial e formal da cidade, freqüentemente com noções ingênuas e emprestadas da sociedade que eles imaginavam habitar. Garnier, por exemplo, cuja proposta para uma nova cidade industrial foi publicada em 1917, argumentava que não haveria a necessidade por certos tipos de edifícios na cidade moderna porque “na nova sociedade, governada pela lei socialista, não haveria necessidade de igrejas, além do que, como os capitalistas seriam suprimidos, não haveria nenhum caloteiro, ladrão ou assassino.” A cidade de Garnier era toda de concreto e as esquinas eram formadas e servidas por uma tecnologia que produzia carros e aviões. Em seu zoneamento, era muito parecida com uma cidade-fábrica paternalista. O grande arquiteto, Le Corbusier, tinha uma convicção fundamental de que a resposta para muitos problemas urbanos restava na criação de um “plano correto”, um instrumento que seria apropriadamente independente da ideologia de seus criadores. Então, o seu plano de 1922 para a cidade moderna localizava os negócios no centro, mas o seu plano Voisin para Paris, três anos depois, foi rejeitada pelos capitalistas. Em 1930, o seu plano sindicalista para Moscou, agora com moradia no centro, não encontrou nenhum apoio entre os comunistas.

Frustrado pela incapacidade de os cidadãos de Algier adaptarem-se aos seus muitos planos para a sua cidade de 1933 a 1940, ele então apelou para o governo nazi-fascista da França Vichy e escreveu para Mussolini pedindo ajuda. Ele precisou aguardar até a metade do século XX para implantar algum plano integralmente, neste momento um plano para a nova capital da Índia (no período socialista do país). A grande produção arquitetônica de Frank Lloyd Wright, freqüentemente incluía comentários sobre as cidades, mas ele nunca projetou uma grande cidade. Ele escreveu um grande tratado, expressando filosofias tiradas de tantas fontes tais como do economista Henry George. Já tendo construído por 40 anos, Wright projetou a cidade de Broadacre, um pequeno assentamento para 7.000 pessoas durante a Grande Depressão. Seus princípios se acomodam no aparente direito americano de propriedade de automóveis (em 1929 mais do que cinco milhões de veículos foram produzidos nos EUA), um sentido de qualidade e de escala de pequenas empresas, ambos na produção de lojas de maquinário e na agricultura e uma comunidade conectada e informada em vez de um isolamento físico. Para algum grau de extensão não muito claro, Broadacre representa uma alternativa para o subúrbio americano. Meyer Shapiro pode ser injusto quando afirma que “a imaginação social de Wright não deveria ser classificada com a dos grandes utopistas em quem ele parece se inspirar”.

Referênicias

Benevolo. The Origins of Modern Town Planning. pp. 39-84.

Ciucci. The City in Agrarian Ideology and Frank Lloyd Wright. pp. 352-375.

Corbusier. The Radiant City. pp. 200-319.

Hayden. Seven American Utopias. Chapter 4.

Tafuri. The Crisis of Utopia: Le Corbusier at Algiers.

Tod, and Wheeler. Utopia. pp. 127-147.

Wiebenson. Tony Garnier: The Cite Industrielle.

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