O Apogeu e o Declínio das Cidades

O Apogeu e o Declínio das Cidades

Em 15 de Janeiro de 2013 , por Hans-Hermann Hoppe

Aproximadamente todos os assentamentos urbanos no mundo são atormentados por conflitos entre grupos, tanto é que cientistas políticos podem falar sobre votos e candidatos em termos de composições demográficas e o impacto dos votos em diferentes regiões. Não é apenas em Bagdá que pessoas lutam em marchas pelo poder. Em algum grau, toda eleição se torna um “voto religioso”, um “voto negro”, um “voto dos negócios”, um “voto das mulheres” etc. Isso é um triste comentário sobre a cidade moderna, fundada na Idade Média como um local de paz e comércio que se tornou a própria fundação da civilização.

Por que esses conflitos existem e por que a cidade – o centro cultural da civilização comercial caracterizada pela paz e prosperidade – os atraem? Os marxistas dizem que os conflitos urbanos que as cidades possuem têm raízes na guerra entre capital e trabalho; os racialistas dizem que as raízes estão na exploração de uma raça por outra; os feministas enxergam como uma exploração sobre o gênero. A religião, evidentemente, participa também, como no caso demonstrado pelo Iraque.

E mesmo assim nenhum desses casos trata das raízes causais dos conflitos urbanos. Para essa resposta, eu ofereço essa reflexão do meu livro Democracy: The God that Failed. É o estado, e nenhuma outra instituição ou força social, que transforma uma civilização urbana pacífica em uma “zona de guerra”.

Ludwig von Mises explicou que a evolução da sociedade – da cooperação humana sob a divisão do trabalho – como a combinação de dois fatores. O primeiro é o fato das diferenças entre as pessoas (trabalho) e da desigualdade entre a distribuição geográfica dos fatores naturais de produção (terra); e segundo, o fato de que o trabalho realizado sob a divisão do trabalho é mais produtivo que o trabalho realizado em isolamento auto-suficiente. Ele escreve:

Se, e na medida em que, pela divisão do trabalho obtém-se maior produtividade do que a obtida pelo trabalho isolado e se, e na medida em que, o homem seja capaz de perceber este fato, a ação humana tende, naturalmente, para a cooperação e para a associação; o homem torna-se um ser social não por sacrificar seus interesses em favor de um mítico Moloch, a sociedade, mas porque pretende melhorar seu próprio bem estar. A experiência ensina que esta condição – maior produtividade alcançada pela divisão do trabalho – se torna efetiva porque sua causa – a desigualdade inata dos homens e a desigual distribuição geográfica dos fatores naturais de produção – é real. É este fato que nos permite compreender o curso da evolução social [1].

Alguns pontos são importantes para serem enfatizados aqui de modo a alcançar um entendimento apropriado do insight fundamental  de Mises acerca da natureza da sociedade – pontos que nos ajudarão a entender alguma conclusões preliminares sobre o papel do sexo e da raça na evolução social.

Primeiro, é importante reconhecer que desigualdades com respeito ao trabalho e à terra são um requisito, mas de nenhuma forma uma condição suficiente para a emergência da cooperação humana. Se todos os seres humanos fossem idênticos e todos equipados com idênticos recursos naturais, todos produziriam as mesmas quantidades e qualidades de bens e a idéia de troca e cooperação nunca entraria na cabeça de ninguém.

Entretanto, a existência de desigualdades não é suficiente para a cooperação surgir. Há também diferenças no reino animal – mais notadamente diferenças de gênero entre os membros da mesma espécie assim como diferenças entre as várias espécies e subespécies (raças); ainda assim não há algo que possa ser reconhecido como cooperação entre animais.

Com certeza, há abelhas e formigas que são consideradas animais sociais. Mas elas formam sociedades apenas em um senso metafórico [2]. A cooperação entre abelhas e formigas é garantida puramente por fatores biológicos – por instintos inatos. Elas não podem não-cooperar como fazem e sem mudanças fundamentais em suas composições biológicas, a divisão do trabalho entre elas não está no perigo de desaparecer. Em distinto contraste, a cooperação entre humanos é o resultado de ações individuais propositais, com o objetivo consciente de alcançar os fins individuais. Como resultado, a divisão do trabalho entre as pessoas é constantemente ameaçada pela possibilidade de desintegração.

No reino animal, então, a diferença entre sexos só pode ser citada como um fator de atração – de reprodução ou proliferação, onde a diferença de espécies e subespécies pode ser indicada como sendo um fator de repulsa – de separação ou até mesmo de antagonismo fatal, de evasão, luta e aniquilação.

Além do mais, no reino animal não faz sentido descrever o comportamento resultante da atração sexual como consensual (amor) ou não consensual (estupro); nem mesmo faz qualquer sentido falar da relação  entre os membros de diferentes espécies e subespécies como uma hostilidade e raiva ou como criminoso e vítima. No reino animal, só existem interações que nem são comportamentos cooperativos (sociais), nem comportamentos criminosos (anti-sociais). Assim como descreve Mises:

Há interação – influência recíproca – de todas as partes do universo: do lobo com o carneiro devorado; do micróbio com o homem que ele mata; da pedra que cai com o objeto sobre o qual ela cai. A sociedade, ao contrário, implica sempre a cooperação de homens com outros homens, de forma a permitir que todos os participantes atinjam seus próprios fins [3].

Adicionalmente às desigualdades de terra e trabalho, um segundo requisito deve ser preenchido para que a cooperação humana evolua. Os homens – a menos dois deles – devem ser capazes de reconhecer uma maior produtividade advinda das bases da divisão do trabalho e do reconhecimento mútuo da propriedade privada (do controle exclusivo de todos os homens sobre seu próprio trabalho e sobre suas apropriações e posses) quando comparados com trabalho individual isolado ou agressão, depredação e dominação.

Isto é, deve haver um mínimo de inteligência e racionalidade; e os homens – pelo menos dois deles – devem ter o suficiente de força moral para agirem sobre essa compreensão se quiserem inibir gratificação imediata por ainda maior satisfação futura. Mas por inteligência e consciência, escreve Mises, “os homens permaneceriam sempre inimigos mortais uns dos outros, rivais irreconciliáveis nos seus esforços para assegurar uma parte dos escassos recursos que a natureza fornece como meio de subsistência. Cada homem seria forçado a ver todos os outros como seus inimigos; seu intenso desejo de satisfazer seus próprios apetites o conduziria a um conflito implacável com seus vizinhos. Nenhum sentimento de simpatia poderia florescer em tais condições”. [4]

Há membros da espécie humana que são capazes de entender o insight, mas que não possuem a força moral para agir corretamente. Tais pessoas são tanto brutos ofensivos que vivem longe da sociedade humana, como são também criminosos. Eles são pessoas que conhecidamente agem incorretamente e que além de terem de ser educados ou mesmo ameaçados fisicamente devem também sofrer punições na proporção da severidade de seus crimes para fazê-los entenderem a natureza de seus erros e com esperança conseguir ensiná-los como se comportar no futuro. A cooperação humana, a sociedade, só pode prevenir e avançar se as pessoas forem capazes de sujeitar, educar, de se apropriarem e cultivarem seus arredores físicos e animalescos, até terem o sucesso de reprimir os crimes, reduzindo-os à raridade por meio da autodefesa, da proteção da propriedade e pela punição [5].

Tão logo esses requisitos sejam cumpridos, no entanto, e assim que o homem, motivado pelo conhecimento da maior produtividade física possibilitada pela divisão do trabalho baseada na propriedade privada, estiver engajado em trocas mutuamente benéficas, as forças “naturais” de atração que surgem entre os sexos e mesmo entre as “raças” podem ser transformadas em genuínas relações sociais. A atração sexual pode ser transformada da cópula às relações consensuais, mútuas, domésticas, familiares, amorosas e afetivas [6]. Isso atesta a enorme produtividade da família doméstica que nenhuma outra instituição tenha se provado mais durável e capaz de produzir com tamanhas emoções. E a inter e intrarracial repulsa pode ser transformada de sentimento de inimizade e hostilidade para a preferência pela cooperação (comércio) de uns com os outros.

A cooperação humana – a divisão do trabalho – baseada na família doméstica integrada e em separadas habitações, vilas, tribos, nações, raças etc, onde todas as atrações uns pelos outros e repulsas de alguns contra os outros são transformadas em um sistema espacial geográfico de alocação benéfica mutuamente reconhecida, o que leva a melhorias nos padrões de vida, a uma maior população, maior extensão e intensidade da divisão do trabalho e maior diversidade e diferenciação.

Como resultado desse desenvolvimento e de um aumento ainda mais rápido de bens que podem ser adquiridos e desejos a serem satisfeitos apenas indiretamente, comerciantes profissionais, mercadores e centros de comércio irão emergir. Mercadores e cidades funcionam como os mediadores de trocas indiretas entre habitações separadas no território e associações comunais e assim se tornam o lócus sociológico e geográfico e o foco de associação intertribal e inter-racial.

É dentro da classe dos comerciantes que casamentos entre pessoas de diferentes raças, etnias e tribos é relativamente mais comum e, assim, muitas pessoas, de ambos os referidos grupos, tipicamente desprovidas de tais alianças, são as mais ricas dos membros entre os comerciantes que poderão manter essas extravagâncias. Entretanto, mesmo os membros da classe das famílias de comerciantes serão altamente precavidos em tais esforços. De modo a não colocarem em risco a sua posição como comerciante, muito cuidado deve ser tomado já que todo casamento entre diferentes pessoas deve ser entre “iguais” [7].

De acordo até aqui, será nas grandes cidades como centros de comércio e trocas, onde casais mistos e sua prole tipicamente residem; onde membros de diferentes etnias, tribos, raças, mesmo se eles não forem casados, ainda assim terão contato interpessoal direto uns com os outros (na verdade, fazer isso é um requisito pelo fato de seus respectivos membros da mesma tribo de volta para casa não terão que negociar diretamente com estrangeiros mais ou menos desagradáveis) e onde o mais elaborado e mais desenvolvido sistema de integração e segregação física e funcional irá emergir [8]. Será também nas grandes cidades onde, como reflexão subjetiva desse complexo sistema espaço-funcional de alocação, os cidadãos irão desenvolver as formas mais altamente refinadas de conduta pessoal e profissional, etiqueta e estilo. É a cidade que alimenta a civilização e a vida civilizada.

Para manter a lei e a ordem em uma grande cidade, com o seu padrão intrincado de integração e separação física e funcional, uma grande variedade de jurisdições, juízes, árbitros e agências de segurança, além da proteção privada e da auto-defesa, terão que existir. Haverá o que é chamado de governança na cidade, mas não haverá nenhum governo (estado). [9]

Para um governo surgir, é necessário que um dos juízes ou árbitros tenha sucesso em estabelecer-se como um monopolista. Isto é, ele deve ser capaz de insistir que nenhum cidadão possa escolher qualquer pessoa além dele para ser o juiz ou o árbitro de última instância e ele deve suprimir com sucesso qualquer outro juiz ou árbitro de tentar assumir o mesmo papel que ele (ou mesmo querer competir contra ele).

Mais interessante que a questão de o que é o governo, entretanto, é o seguinte: como é possível que apenas um juiz possa adquirir um monopólio judicial, dado que outros juízes irão se opor naturalmente a qualquer tentativa nesse sentido; e o que especificamente torna isso possível e o que isso implica ao estabelecer um monopólio da lei e da ordem em uma grande cidade, i. e., sobre um território heterogêneo etnicamente, tribalmente e racialmente?

Primeiro. Quase por definição, segue-se que com o estabelecimento de um governo nas cidades, tensões inter-raciais, tribais, étnicas e entre clans familiares irão aumentar porque o monopolista, seja quem for, deve ser necessariamente de algum dos grupos citados; deste modo, ele sendo de um desses grupos ele será considerado pelos outros cidadãos como um revés insultante, i.e., como um ato de arbitrariedade discriminatória contra as pessoas de outras raças, tribos ou clans. O balanço delicado da cooperação pacífica entre as raças, etnias e famílias, promovida pelo intrincado sistema de integração e separação espaço-funcional, será transtornado.

Segundo. Essa compreensão leva diretamente à resposta para como um único juiz pode sobrepujar todos os outros. Resumidamente, para contornar a resistência de juizes competidores, um aspirante a monopolista deve sustentar um suporte adicional na opinião pública. Em um milieu tipicamente heterogêneo etnicamente, isso significa jogar a “carta racial”. O possível monopolista deve levantar a consciência racial, tribal ou de clan sobre os cidadãos de suas próprias raças, tribos e clans e prometer, em retorno ao seu apoio, ser mais que imparcial nas questões relacionadas a suas próprias raças, tribos e clans (isto é exatamente o que cidadãos de outros arcabouços étnicos sentem medo, i. e., de serem tratados com menor imparcialidade) [10].

Neste estágio da reconstrução sociológica, deixe-nos, sem maiores explanações, introduzir resumidamente alguns passos adicionais necessários para chegar a um cenário contemporâneo realista com relação a raças, gênero, sociedade e estado. Naturalmente, um monopolista irá tentar manter sua posição e ainda possivelmente tentar torná-la hereditária (tornar-se um rei, por exemplo). Entretanto, efetuar esse intento em uma cidade etnicamente e tribalmente diversificada é muito mais difícil que em uma comunidade rural homogênea. Ao invés disso, em cidades grandes os governos são provavelmente mais uma forma de república democrática – com “livre entrada” na posição de líder supremo, com partidos políticos concorrentes e eleições populares [11]. No curso do processo de centralização política [12] – a expansão territorial de um governo sobre outros – o modelo de “grande cidade de governo” irá se tornar essencialmente a sua única forma: a de um estado democrático exercendo o monopólio judicial sobre um território com população diversificada racialmente e etnicamente.

Enquanto o monopólio governamental da justiça atualmente se estende de modo típico além de uma única cidade e em alguns casos sobre um continente inteiro, as conseqüências de relações entre as raças e sexos e a aproximação ou separação espacial do governo (monopólio) ainda pode ser mais bem observada nas grandes cidades e o seu declínio como centros da civilização para centros de degeneração e decadência.

Com um governo central se estendendo sobre as cidades e o campo, conceitos de países, nacionalidades e estrangeiros são criados. Isso não tem um efeito imediato na área rural, onde não há estrangeiros (membros de outras etnias, raças etc.). Porém, nos grandes centros de negócios, onde há populações diversas, a distinção legal entre conterrâneos e estrangeiros (ao contrário de proprietários privados distintos etnicamente e racialmente) irá invariavelmente levar a alguma forma de exclusão forçada e a um nível reduzido de cooperação interétnica.

Além do mais, com um estado central no lugar, a segregação física e a separação entre cidade e campo será sistematicamente reduzida. De modo a exercer o seu monopólio judicial, o governo central deve ser capaz de acessar toda a propriedade privada de seus conterrâneos e, para isso, ele deve ter o controle de todas as estradas e vias existentes e mesmo expandir o sistema nacional de vias. Diferentes propriedades residenciais e vilas são dessa forma trazidas para um contato mais próximo do qual teriam de outra maneira e a distância física e a separação entre a cidade e o campo será significativamente diminuída. Assim, internamente, a integração forçada será promovida.

Naturalmente, essa tendência no sentido de uma integração forçada devido à monopolização das estradas e ruas será mais pronunciada nas cidades. Essa tendência será sempre estimulada se, como é típico, o governo se situar em alguma cidade. Um governo popularmente eleito não pode ajudar ao utilizar o seu monopólio judicial para por em prática políticas redistributivas em favor das etnias e raças de seus constituintes, o que irá invariavelmente atrair ainda mais dos seus membros tribais e com mudanças no governo, mais membros de ainda mais e diferentes tribos serão retirados do campo para as cidades capitais para receber do governo algum emprego ou privilégio. Como resultado, não somente a capital se tornará superpovoada (enquanto outras cidades se esvaziam), como também e ao mesmo tempo, devido à monopolização das ruas “públicas” – onde qualquer um pode ir e vir como convier – todas as formas de tensões e animosidades tribais, raciais, étnicas etc. serão estimuladas.

Além do mais, enquanto casamentos inter-raciais, intertribais e interétnicos eram formalmente raros e restritos aos estratos mais altos entre os comerciantes, com a chegada dos burocratas de várias raças, tribos e etnias nas cidades capitais, a freqüência de casamentos entre as etnias irá aumentar e o foco do sexo interétnico – mesmo sem casamento – mudará rapidamente das classes de comerciantes para as demais classes – mesmo para as pessoas recipientes que recebem os “benefícios” estatais. O suporte das políticas de bem estar irão naturalmente levar a um aumento nas taxas de natalidade das pessoas beneficiadas em relação às taxas dos outros membros da sociedade, particularmente dos membros das classes mais altas de suas tribos ou raças.

Como resultado dessa sobre-proporção de pessoas das classes mais baixas e o aumento da prole heterogênea etnicamente, tribalmente e racialmente, em especial nos estratos menos desprovidos, o caráter do governo democrático (popular) mudará gradualmente. Ao contrário de o “cartão racial” ser essencialmente o único instrumento político, políticos se tornam cada vez mais uma “classe política”. Os governantes podem e irão nunca mais depender exclusivamente do apelo e suporte étnico, tribal ou racial, mas deverão continuamente tentar encontrar um apoio através das linhagens tribais ou raciais ao apelarem para os sentimentos universais da inveja e do “igualitarismo”. Os intocáveis ou escravos contra os mestres, os trabalhadores contra os capitalistas (numa abordagem marxista tosca), os pobres versus os ricos etc. [13] [14].

A crescente mistura da classe política “igualitária” (entre si) nas políticas tribais pré-existentes leva a mais tensões e hostilidades raciais e sociais e a uma ainda maior proliferação da população mais carente. Além desses grupos étnicos ou tribais sendo levados para fora das cidades como um resultado das políticas tribais, também um crescente número de membros das altas classes dentro das tribos e etnias irá para os subúrbios das cidades (apenas para serem seguidos – por meios de transporte público estatal – por aquela própria população de cujo comportamento eles buscavam fugir) [15]. Com as altas classes e os comerciantes deixando os centros das cidades em grande número, entretanto, uma das últimas forças civilizadoras restantes será enfraquecida e o que é deixado para trás nas cidades irá representar uma crescente seleção negativa de população: de burocratas do governo que trabalham, mas não moram lá e de toda aquela população carente que sobrevive dos programas de auxílio (como Brasília e as cidades satélites, por exemplo).

Quando se pensa que as coisas não poderiam piorar, elas pioram. Após as cartadas raciais e de classe terem sido jogadas e feito o seu trabalho devastador, o governo vira-se para as cartadas de gênero e de sexo e a “justiça racial” e a “justiça social” são então complementadas pela “justiça de gênero” [16]. O estabelecimento de um governo – um monopólio judicial – não apenas implica que formalmente jurisdições separadas (como dentro de distritos segregados etnicamente e racialmente, por exemplo) são forçadamente integradas; isso implica no mesmo tempo que jurisdições formalmente integradas (como entre residências e famílias) serão forçadamente partidas e dissolvidas.

Ao invés de garantir as questões familiares como assunto de mais ninguém a ser decidido e julgado senão pelos membros da família ou da casa (incluindo questões como o aborto, por exemplo) [17], assim que um monopólio judicial é implantado, os seus agentes – o governo – também se tornam parte dela nas decisões e buscarão expandir seu papel como juízes e árbitros de última instância em todas as questões familiares. Para angariar apoio popular para o seu papel de governo, além de jogar uma tribo, raça ou classe social uma contra a outra, a divisão dentro das famílias será explorada pela classe política: entre os gêneros – maridos contra esposas – e entre as gerações – pais contra so filhos [18]. Mais uma vez, isso será mais visível nas grandes cidades.

Toda forma de bem-estar governamental – a riqueza ou renda compulsoriamente transferida dos que “têm” para os que “não têm” reduz o valor de um dos membros em um sistema familiar como um sistema de cooperação mútua, de ajuda e de assistência. O casamento perde o valor. Para os pais, o valor e a importância de uma boa educação para os seus filhos é reduzida. Correspondentemente, para as crianças, menor valor será gerado e menos respeito eles terão para com seus pais. Devido à alta concentração dos beneficiários, a desintegração familiar já está bastante avançada nas grandes cidades. Ao apelar para questões de gênero e de gerações como fonte de apoio político, ao promover e decretar a legislação familiar, invariavelmente a autoridade dos chefes de família e a hierarquia “natural” entre as gerações dentro das famílias serão enfraquecidas e o valor da família de várias gerações será diminuído como a unidade básica da sociedade humana.

Na verdade, como deveria ficar claro, tão logo a lei e a legislação governamental suplantarem a lei e a legislação familiar, o valor e a importância da instituição da família só poderá estar cada vez mais erodido. Incluindo ai os arranjos interfamiliares em conjunto com casamentos, a criação dos filhos, a herança etc. Ora! O que é a família se ela não pode nem mesmo buscar e oferecer as suas próprias normas internas de conduta e ordem? Ao mesmo tempo, como deveria estar claro também, mas não foi suficientemente notado, sob o ponto de vista dos governantes, a sua habilidade em interferir nas questões internas da família deve ser reservada como o prêmio máximo e o pináculo de seu próprio poder.

Explorar o ressentimento tribal, ou racial, ou a inveja de classe para a própria vantagem é uma coisa. É uma questão totalmente diferente utilizar esses conflitos familiares para partir totalmente o sistema, geralmente harmonioso, de famílias autônomas: para desarraigar os indivíduos de suas famílias, isolá-los e atomizá-los; e assim aumentar o poder do estado sobre eles. De acordo, com as políticas governamentais sobre as famílias sendo implantadas, divórcios, indivíduos solteiros, pais ou mães únicos, ilegitimidade, incidentes entre os pais, cônjuges, negligência, abandono e abuso contra as crianças, bem como uma maior variedade e freqüência de estilos de vida não tradicionais aumentam [19].

Paralelo a esse desenvolvimento ocorrerá um gradual, porém inabalável aumento na criminalidade e no comportamento criminoso. Sob os auspícios monopolísticos, a lei será invariavelmente transformada em legislação. Como resultado de um processo sem fim de redistribuição de riqueza e de renda em nome da justiça racial, social, de gênero, a própria idéia de justiça como um princípio imutável e universal de conduta e cooperação será erodida e finalmente destruída. Ao invés de ser concebida como algo pré-existente (e a ser descoberta), a lei será cada vez mais considerada como a lei feita pelo governo – a legislação (direito positivista).

Desse modo, não apenas a incerteza legal aumentará, mas como reação a taxa social de preferência temporal também irá aumentar (i. e., as pessoas tenderão, em geral, a tornarem-se mais imediatistas e possuírem um horizonte de planejamento individual mais curto). O relativismo moral também será promovido. Pelo fato de não existir mais algo que possa ser definido como uma “verdade final”, então não há algo que possa ser chamado de “erro absoluto”. Na verdade, o que é certo hoje pode não estar certo amanhã e vice versa.

Aumentar a preferência temporal em combinação com o relativismo moral, pois, fornece o embasamento de criação perfeito para a criminalidade e para os criminosos – uma tendência evidente nas grandes cidades. É nela que a dissolução da família está mais avançada, que o maior número e concentração de beneficiários existe, que o processo de pauperização genético mais progrediu e que as tensões tribais e raciais como resultado da integração forçada são mais virulentos. Ao contrário dos antigos centros de civilização, as cidades se tornam os centros de desintegração social, corrupção, brutalidade e criminalidade [20].

Com certeza, a história é determinada principalmente pelas idéias e as idéias podem, pelo menos em princípio, ser quase instantaneamente mudadas. Porém, de modo às idéias serem mudadas, não é suficiente para as pessoas verem que algo está errado. Pelo menos um número significativo de pessoas deve também ser inteligente o suficiente para reconhecer o que é que está errado. Isto é, elas devem entender os princípios básicos sobre os quais a sociedade, em suma a cooperação humana, resta: os próprios princípios explicados aqui. E elas devem ter retidão e poder suficientes para agirem de acordo com essa compreensão.

O estado – o monopólio judicial – deve ser reconhecido como a fonte de descivilização: estados não criam lei ou ordem; eles as destroem. Famílias e propriedades devem ser reconhecidas como a fonte da civilização. É essencial que os chefes familiares retomem sua autoridade final como juízes dos assuntos familiares internos. A casa deve ser declarada como um território extraterritorial, como as embaixadas estrangeiras. Livre associação e exclusão devem ser reconhecidas não como coisas ruins, mas como coisas boas que facilitam a cooperação pacífica entre diferentes etnias e grupos raciais. O bem estar deve ser reconhecido como uma questão exclusivamente familiar e de caridade voluntária e o bem estar estatal como nada além do subsídio da irresponsabilidade.

Notas:

[1] Ludwig von Mises. Ação Humana, Um Tratado de Economia. terceira edição. Página 201; São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010

[2] sobre isso, ver Jonathan Bennett, Rationality: An Essay Toward an Analysis (London: Routledge and Kegan Paul, 1964).

[3] Mises, Ação Humana, p. 211-12.

[4] Ibid., p. 184.

[5] a importância da cognição e da racionalidade para a emergência e manutenção da sociedade raramente é mais enfatizada do que nos trabalhos de Mises. Ele explica que é possível admitir que para o “homem primitivo, a propensão a matar e destruir e a disposição para a crueldade fossem inatas. Podemos também supor que, nas condições daqueles tempos, as tendências agressivas e homicidas favorecessem a preservação da vida. Houve um tempo em que o homem foi uma besta brutal (não é necessário investigar se o homem pré-histórico era carnívoro ou herbívoro). Mas não devemos nos esquecer de que era fisicamente um animal fraco; não teria podido enfrentar os grandes predadores se não estivesse equipado com uma arma especial: a razão. O fato de que o homem é um ser racional, e de que, portanto, não cede, sem inibições, a qualquer impulso e determina sua conduta segundo uma deliberação racional, não deve ser considerado como não natural de um ponto de vista zoológico. Falar de conduta racional significa dizer que o homem, diante do fato de não poder satisfazer todos os seus impulsos, desejos e apetites, renuncia àqueles que consideram menos urgentes. Para não comprometer o funcionamento da cooperação social, o homem é forçado a se abster de satisfazer aqueles desejos cuja satisfação pudesse perturbar o estabelecimento de instituições sociais. Não há dúvida de que tal renúncia seja penosa. Não obstante, o homem fez a sua escolha. Renunciou à satisfação de alguns desejos incompatíveis com a vida social e deu prioridade à satisfação daqueles desejos que só podem ser realizados, pelo menos de forma plena, mediante um sistema de divisão do trabalho. E assim empreendeu o caminho que conduz à civilização, à cooperação social e à prosperidade. Esta decisão não é irreversível e final. A escolha dos pais não elimina a liberdade de escolher dos filhos. Estes podem reverter à decisão anterior. Podem, diariamente, proceder a uma inversão de valores e preferir o barbarismo à civilização ou, como colocam alguns autores, a alma ao intelecto, o mito à razão e a violência à paz. Mas terão de escolher. Não é possível ter, ao mesmo tempo, coisas incompatíveis “. (ação humana 214); ver também Joseph T. Salerno,”Ludwig von Mises as Social Rationalist,” Review of Austrian Economics 4 (1990).

[6] “No quadro da cooperação social podem emergir, entre os membros”, escreve Mises, “da sociedade, sentimentos de simpatia e amizade e uma sensação de comunidade. Esses sentimentos são a fonte, para o homem, das mais agradáveis e sublimes experiências … Entretanto, esses sentimentos não são como tem sido afirmado, os agentes que engendraram as relações sociais. É fruto da  cooperação social e só vicejam no seu quadro; não precederam o estabelecimento de relações sociais e não é a semente de onde estas germinam.” (Ação Humana, p.184)

“A mútua atração sexual entre macho e fêmea”, continua Mises mais a frente, “é inerente à natureza animal do ser humano e independe de qualquer raciocínio ou teorização. Podemos qualificá-la de original, vegetativa, instintiva ou misteriosa; não há inconveniente em afirmar metaforicamente que faz com que dois seres se sintam um só. Podemos considerá-la como uma comunhão mística de dois corpos, uma comunidade. Entretanto, nem a coabitação nem o que a precede ou sucede geram a cooperação social e os modos de vida em sociedade. Os animais também se juntam para cruzar, mas não desenvolveram relações sociais. A vida em família não é apenas um produto da relação sexual. Não é, de modo algum, nem natural, nem necessário que pais e filhos vivam juntos como se faz em uma família. A relação sexual não resulta necessariamente na formação da família. A família humana é resultado do pensamento, do planejamento e da ação. É este o fato que a distingue radicalmente dos grupos animais que, por analogia, chamamos de famílias animais.” (ibid, p.209)

[7] ver Murray N. Rothbard, “Freedom, Inequality, Primitivism, and the Division of Labor,” in idem, Egalitarianism as a Revolt Against Nature and Other Essays (Auburn, Ala.: Ludwig von Mises Institute, 2000).

[8] Ver Wilhelm Mahlmann; Rassen, Ethnien, Kulturen. Moderne Ethnologie (Neuwied: Luchterhand, 1964), pp. 93 — 97. De forma geral, fora a parte superior dos estratos das classes de mercadores, a miscigenação pacífica entre raças e etnias é tipicamente restrita a membros das demais classes sociais superiores, isto é, a nobres e aristocratas. Assim, as famílias menos puras racialmente ou etnicamente são caracteristicamente as dinastias reais que governam.

[9] Por exemplo, Fernand Braudel deu a seguinte descrição dos padrões complexos de separação espacial e integração funcional e a correspondente multiplicidade de jurisdições separadas e competidoras desenvolvidas nos grandes centros de comércio, como Antioquia, durante o apogeu da civilização islâmica do século VIII ao XII: “no centro da cidade ficava a Grande Mesquita para as cerimônias semanais. Perto dali ficava o bazar, i. e., o quarteirão dos mercadores com suas ruas e lojas (o souk) e suas caravanserais (espécie de pousada) e armazéns, bem como os banhos públicos. Artesãos ficavam agrupados concentricamente, começando da Grande Mesquita – primeiro, os produtores e vendedores de perfumes e incensos, então as lojas vendendo tecidos e tapetes, joalherias e quitandas e finalmente os negociantes mais humildes: carregadores, sapateiros, ferreiros, ceramistas, seleiros e tingidores. Suas lojas marcavam os limites da cidade. Em princípio, cada um desses negociantes tinha a sua localização fixa por todo o tempo. Similarmente, o maghzen, ou a quadra do Príncipe, ficava locado nos arredores da cidade, bem longe de revoltas e protestos populares. Próximo a ele, e sob a sua proteção, ficava o mellah, ou quadra dos judeus. O mosaico ficava completo com uma grande variedade de distritos residenciais divididos por raças e religiões – havia 45 distritos apenas em Antioquia. ‘a cidade era um cluster (agrupamento) de diferentes quarteirões, todos vivendo no medo de um massacre’. Portanto, os colonizadores ocidentais não começaram nenhuma segregação racial, embora também não tenham feito nada para suprimi-la”. (Braudel, A History of Civilizations [New York: Penguin Books, l995], p. 66)

[10] ver Otto Brunner, Sozialgeschichte Europas im Mittelalter (Gottingen: Vandenhoeck and Ruprecht, 1984), chap. 8; Henri Pirenne, Medieval Cities (Princeton, N.J.: Princeton University Press, 1969); Charles Tilly and Wim P. Blockmans, eds., Cities and the Rise of States in Europe, 1000 — 1800 (Boulder, Cob.: Westview Press, 1994); Boudewijn Bouckaert, “Between the Market and the State: The World of Medieval Cities,” in Values and the Social Order, Vol.3, Voluntary versus Coercive Orders, Gerard Radnitzky, ed. (Aldershot, U.K.: Avebury, 1997). Incidentalmente, os muito difamados guetos judaicos, que eram característicos nas cidades européias durante a Idade Média, não eram indicativos de um status legal inferior de acordo com a discriminação dos judeus ou dos anti-semitas. Pelo contrário, o gueto era um lugar onde os judeus gozavam de completo auto-governo e onde a lei judaica era aplicada. Sobre isso, ver Guido Kisch, The Jews in Medieval Germany (Chicago: University of Chicago Press, 1942); also Erik Von Kuehrielt-Leddihn, “Hebrews and Christians,” Rothbard — Rockwell Report 9, no. 4 (April, 1998).

[11] para um tratamento sociológico do primeiro estágio (pré-democrático) nos desenvolvimento das cidades estado, caracterizado como aristocrático – governos patrícios fundados e dirigidos por famílias (clans) e conflitos entre famílias, ver Max Weber, The City (New York: Free Press, 1958), cap. 3. Ver também a nota 16 abaixo.

[12] essa afirmação com relação à forma de governo caracteristicamente democrática – republicana – ao contrário da monárquica nas maiores cidades comerciais não deveria ser mal interpretada como uma simples proposição empírica e histórica. Na verdade, historicamente, a formação de governos antecede o desenvolvimento de grandes centros comerciais. Muitos governos têm sido monárquicos ou principescos e quando grandes cidades comerciais ampliaram primeiramente o poder dos reis e príncipes, tipicamente estenderam-se inicialmente para essas novas áreas urbanas desenvolvidas. Ao invés disso, a afirmação acima feita deveria ser interpretada como uma proposição sociológica com relação à improbabilidade de uma origem endógena da normatização real ou principesca sobre os centros comerciais com populações diversificadas etnicamente, isto é, como uma resposta para a hipótese essencial e a questão contra-factual. Sobre isso, ver  Max Weber, Soziologie, Weltgeschichtliche Analysen, Politik (Stuttgart: Kroener, 1964), pp. 41 — 42, que nota que reis e nobres, mesmo se residentes em cidades, eram decididamente de forma alguma os “reis da cidade” ou “nobres da cidade”. Os centros de seu poder estavam fora das cidades, no campo, e o controle que mantinham sobre os grandes centros era apenas tênue. Deste modo, os primeiros experimentos com formas democráticas – republicanas – de governo ocorreram caracteristicamente nas cidades que romperam e ganharam independência de seus arredores monárquicos e predominantemente rurais.

[13] sobre a competição eliminatória e a tendência inerente à formação de estados por meio da centralização e a expansão territorial – e finalmente ao ponto de estabelecimento de um governo mundial – ver Democracy: The God That Failed , chapters 5, 11, and 12.

[14] sobre isso, ver Helmut Schoeck, Envy: A Theory of Social Behavior (New York: Harcourt, Brace and World, 1970); Rothbard, Egalitarianism as a Revolt Against Nature and Other Essays; and esp. “Freedom, Inequality Primitivism, and the Division of Labor,” in ibid.

[15] para um tratamento sociológico desse segundo estágio – democrático ou plebeu – de desenvolvimento do governo citadino, baseado no e dirigido por classes e “conflitos de classes” (ao contrário de conflitos entre clans e famílias, como no estágio de desenvolvimento precedente do governo patrício), ver Max Weber, The City, chap. 4. Em contraste ao governo citadino patrício, o governo plebeu, observa Weber de modo muito importante, é caracterizado por um conceito modificado da natureza da lei. O início da legislação é paralelo à abolição da normatização patrícia. As legislações começaram como forma de estatutos carismáticos pelos aesymnetes (governadores que possuíam poder supremo por um tempo limitado). Porém, logo a nova criação de leis permanentes foi aceita. De fato, a nova legislação eclesiástica se tornou tão usual como produziu um estado de contínuo fluxo. Logo uma administração puramente secular de justiça foi aplicada à lei ou, em Roma, às instruções da magistratura. A criação de leis alcançou tamanho estado fluido que eventualmente em Atenas a questão foi direcionada anualmente às pessoas como consulta sobre se as leis existentes deveriam ser mantidas ou revogadas. Assim, isso se tornou uma premissa aceita, a de que a lei é artificialmente criada e que ela deveria ser baseada na aprovação daqueles sobre quem seria aplicada (p.170-71).  

Da mesma forma, nas cidades medievais da Europa o “estabelecimento das regras pelo popolo teve conseqüências similares. Elas, também, fundaram enormes edições de leis das cidades e codificaram a lei comum e as regras de julgamento produzindo um exagero de estatutos de todos os tipos e um excesso de oficiais” (p. 172). De mãos dadas com o conceito alterado de lei vai uma conduta política diferente. A justiça política do sistema popolo com o seu sistema de espionagem oficial, sua preferência pela acusação anônima, procedimentos inquisitórios acelerados contra magnatas e prova simplificada (por “notoriedade”) foi a contraparte democrática dos julgamentos Venezianos do Conselho dos Dez (aristocrático e patrício). Objetivamente, o sistema popolo foi identificado pela: exclusão dos membros das famílias com estilo de vida cavaleiro; obrigando os notáveis por compromissos de boa conduta; colocando as famílias dos notáveis sob fiança para todos os membros; o estabelecimento de uma lei criminal especial para ofensas políticas dos magnatas, especialmente ao insultar a honra de um dos membros do povo; proibição de aquisições de propriedade de um membro do povo sem o seu consentimento. Já que as famílias nobres poderiam ser aceitas expressamente como parte do povo, (entretanto) mesmo os escritórios do popolo eram quase que sempre ocupados exclusivamente pela nobreza (p. 160-61).

[16] ver, para esse tendência, Edward Banfield, The Unheavenly City Revisited (Boston:Little, Brown, 1974).

[17] sobre isso, ver Murray N. Rothbard, “The Great Women’s Lib Issue: Setting it Straight,” in Egalitarianism as a Revolt Against Nature and Other Essays; Michael Levin, Feminism and Liberty (New Brunswick, N.J.: Transaction Publishers, 1987).

[18] ver Robert Nisbet, Prejudices: A Philosophical Dictionary (Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1982), pp. 1-8, 110-17.

[19] sobre isso, ver Murray N. Rothbard, “Kid Lib,” in Egalitarianism as a Revolt Against Nature and Other Essays.

[20] sobre isso, ver Allan C. Carlson, “What Has Government Done to Our Families?” Essays in Political Economy (Auburn, Ala.: Ludwig von Mises Institute, 1991); Bryce J. Christensen, “The Family vs. the State,” Essays in Political Economy (Auburn, Ala.: Ludwig von Mises Institute, 1992).

[21] Sobre isso, ver Edward C. Banfield, “Present-Orientedness and Crime,” in Assessing the Criminal, Randy E. Barnett and John Hagel, eds. (Cambridge, Mass.: Ballinger, 1977); David Walters, “Crime in the Welfare State,” in Criminal Justice?: The Legal System vs. Individual Responsibility, Robert J. Bidinotto, ed. (Irvington-on-Hudson, N.Y.: Foundation for Economic Education, 1994); also James Q. Wilson, Thinking About Crime (New York: Vintage Books, 1985).

[23] sobre isso, ver Seymour W. Itzkoff, The Decline of Intelligence in America (Westport, Conn.: Praeger, 1994); idem, The Road to Equality: Evolution and Social Reality (Westport, Conn.: Praeger, 1992).

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