O Valor do Solo Urbano e as Consequências do Intervencionismo na Moeda


O Valor do Solo Urbano e as Consequências do Intervencionismo na Moeda

Em 27 de Novembro de 2013, por David.

Conforme expôs Menger (1988, p.34), para que algo adquira a qualidade de bem, quatro características devem convergir: a) existência de uma necessidade humana; b) que o item tenha qualidades que possam ser colocadas em nexo causal com a satisfação da necessidade humana; c) o conhecimento pelo indivíduo do nexo causal entre o item e a satisfação humana e d) o indivíduo poder dispor desse item efetivamente para a satisfação da referida necessidade.

Os bens que estão em direto nexo causal com a satisfação humana são, de acordo com o mesmo autor, de primeira ordem, sendo produzidos por bens de ordens superiores, que possuem nexo causal direto com seus respectivos bens inferiores e nexo causal indireto com o bem de primeira ordem. A moradia, no sentido aqui exposto, é um bem de primeira ordem, pois satisfaz necessidades humanas diretamente. Para a sua produção, são necessários diversos bens de ordens superiores, sendo um deles o solo urbano. Entretanto, há de se enfatizar que essa divisão mental entre as diversas etapas de produção serve apenas para estruturar o processo de análise, pois as diversas partes não existem sem o todo, nem mesmo o todo sem essas partes inter-relacionadas. Conforme afirma Mises (1995, p.335), o mercado é um processo coerente e indivisível. É um entrelaçamento indissolúvel de ações e reações, de avanços e recuos. Leia mais deste post

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A Terra, seu Preço e seu Mito


A Terra, seu Preço e seu Mito

Em 09 de Setembro de 2013, por Ludwig von Mises – excerto do livro Ação Humana, um tratado de economia; p. 732-36. título nosso.

A terra como local para se estar

O emprego do solo com a construção de residências, locais de trabalho e vias de transporte impede que esses locais tenham outras utilizações.

Não nos ocuparemos por ora da condição peculiar que teorias mais antigas atribuíam à renda de terrenos urbanos. Não há nada de especialmente notável no fato de as pessoas pagarem preços maiores por locais onde querem morar do que por outros locais que lhes agradam menos. É uma questão de fato a de que, para instalar uma indústria, um armazém ou um pátio ferroviário, as pessoas preferem locais que reduzam os custos de transporte, e estão dispostas a pagar preços maiores por esses locais, em função das economias que esperam obter.

O solo também é usado como local de recreação, para jardins e parques, e para o prazer de desfrutar a majestade e o esplendor da natureza. Com a difusão desse amor à natureza, que é um traço característico da mentalidade “burguesa”, a demanda por tais prazeres aumentou enormemente. O solo das altas cadeias de montanhas, que era considerado mera extensão árida e estéril de rochas e geleiras, passou a ser altamente apreciado como fonte dos mais sublimes prazeres.

Desde tempos imemoriais o livre acesso a esses espaços tem sido permitido; mesmo quando são propriedade privada, seus proprietários, geralmente, não têm o direito de impedir a passagem de turistas e alpinistas, ou de cobrar entrada. Todo aquele que tiver a oportunidade de visitar essas áreas tem direito a usufruir sua grandeza e considerá-la como se fosse sua. Embora o proprietário nominal não usufrua nenhuma vantagem com a satisfação que a sua propriedade proporciona aos que a visitam, o simples fato de ela servir ao bem-estar humano faz com que lhe seja atribuído um valor. Mas como existe uma servidão de passagem permitindo o livre trânsito pela área, e como não há outra utilização possível para a mesma, essa servidão de passagem exaure completamente as vantagens que o dono poderia extrair de sua propriedade. Levando-se em conta que os serviços que essas rochas e geleiras podem prestar são praticamente inesgotáveis, e que elas não sofrem desgaste nem precisam de aporte de capital e trabalho para sua conservação, essa situação não produz as mesmas conseqüências que ocorreram, em situações análogas, nos locais de exploração florestal, de caça e de pesca.

Se na vizinhança dessas montanhas o espaço disponível para construção de abrigos, hotéis e meios de transporte (estradas de ferro de cremalheira) é limitado, os proprietários desses locais podem vende-los ou alugá-los em condições mais propícias e, assim, obter para si uma parte das vantagens que os turistas têm pelo livre acesso a esses pontos culminantes da natureza. Quando não é esse o caso, os turistas usufruem todas essas vantagens gratuitamente. Leia mais deste post

Observações Gerais Relativas à Teoria da Renda


Observações Gerais Relativas à Teoria da Renda

Em 20 de Agosto de 2013, por Ludwig von Mises – Excerto do livro Ação Humana, um tratado de economia, p. 725-28.

O conceito de renda formulado por Ricardo em sua teoria econômica já procurava resolver os problemas que a economia moderna aborda por meio da teoria da utilidade marginal. [1] A teoria de Ricardo, à luz de nossos conhecimentos atuais, resulta bastante insatisfatória; não há a menor dúvida de que a teoria do valor subjetivo é muito superior. Não obstante, o renome da teoria da renda é bem merecido; o cuidado com que foi formulada e aperfeiçoada produziu resultados notáveis. Não há razão para que a história do pensamento econômico sinta vergonha da teoria da renda. [2]

O fato de que terras de diferentes qualidade e fertilidade, isto é, terras que produzem rendas diferentes por unidade de aporte, tenham valores diferentes, não representa, para a teoria econômica moderna, um caso especial. A teoria de Ricardo, no que se refere à gradação da valoração e avaliação de terras, está integralmente compreendida na teoria moderna dos preços dos fatores de produção. Não é o conteúdo da teoria da renda que é objetável, e sim o fato de ela ter sido considerada como uma exceção no sistema econômico. Rendas diferenciais são um fenômeno geral e não se limitam apenas à formação do preço da terra. A falsa distinção entre “renda” e “quase renda” é insustentável. A terra e os serviços por ela prestados devem ser tratados da mesma maneira que qualquer outro fator de produção e seus respectivos serviços. O aumento de rendimento obtido com o uso de uma ferramenta melhor pode ser considerado como uma “renda” adicional em relação ao rendimento obtido com ferramentas menos adequadas que são usadas justamente por não se dispor de outras mais adequadas. Da mesma forma, o aumento de salário obtido por um trabalhador mais hábil e mais zeloso pode ser considerado como uma “renda” adicional em relação aos salários obtidos por outros trabalhadores menos talentosos e menos esforçados. Leia mais deste post

Rothbard Sobre o Preço do Solo


Rothbard Sobre o Preço do Solo

Em 13 de Agosto de 2013, por Robert Murphy

No início do capítulo 9 de Man, Economy, and State, Rothbard oferece um sumário sucinto de boa parte da análise subseqüente de seu livro.

Temos utilizado o termo renda (rent) em nossa análise como significado do preço contratado pelos serviços dos bens. Esse preço é pago pelas unidades de serviço, distinguindo-se dos preços de fatores completos que abrangem o serviço. Haja vista que todos os bens possuem unidades de serviços, todos os bens terão ganhos de renda, sejam eles bens de consumo ou bens de produção. A renda futura de bens duráveis tendem a ser capitalizadas e incorporadas no seu valor de capital e, portanto, no dinheiro presente necessário para a sua aquisição. Como resultado, os investidores e produtores desses bens tendem a simplesmente receber um retorno de juros sobre o seu investimento (p. 557-558).

Suponha que investidores calculassem que um acre adicional da fazenda do sr. Smith os permitisse a aumentar seus ganhos anuais em $250. Se tivéssemos livre competição (i.e. nenhuma restrição governamental), em equilíbrio esperaríamos que os investidores pagassem aproximadamente $250 por acre ao ano para o arrendamento da terra do sr. Smith.

Agora suponha que, ao invés de arrendar a sua terra, o sr. Smith queira vendê-la. Quanto ele poderia esperar em conseguir por ela?

No caso ideal de certeza sobre o futuro, a resposta é que Smith capitalizaria o valor presente descontado de todos os pagamentos futuros de renda do interesse da terra. Por exemplo, suponha que seja esperado manter pagamentos anuais perpétuos de $250 pelo arrendamento. A uma taxa constante de juros de 5%, o preço de mercado de um acre da terra de Smith seria de $5.000. Isso é a quantia que Smith poderia pedir e quanto ele deveria receber ao vender o seu terreno, pelo menos em um mundo no qual todo mundo tem certeza quanto ao poder de produtividade da terra e a uma taxa de juros constante.

Para entender o porquê de essa ser a resposta, considere um investidor com $5.000. Ele pode utilizar seu dinheiro para comprar um título que pague 5% ao ano (pois assumimos essa taxa hipotética). Isso significa que nosso investidor poderá receber $250 em pagamento de dividendos por ano – também deve comandar um preço de compra de $5.000.

No momento que entendemos o processo básico, fica fácil entender como mudanças no contexto irão influenciar os preços do solo. Por exemplo, se um crescimento na população aumentar a demanda por comida, de modo a fazer com que arrendatários pagassem agora $500 por ano, então o preço de mercado pela parcela do solo subiria de $5.000 para $10.000.

Por outro lado, suponha que o preço da renda da terra permaneça a $250 ao ano, mas que a preferência temporal da comunidade (o grau de impaciência) aumente de modo a tornar a taxa de juros anual a 10%. Agora o valor do bem capitalizado da terra cai de $5.000 para $2.500. Mesmo sendo a terra tão produtiva quanto antes (inclusive no total de renda anual), a taxa de juros maior significa um desconto duas vezes mais pesado sobre a transferência futura de dinheiro. Assim, o preço corrente de mercado cai pela metade com o aumento da taxa de juros de 100%. Leia mais deste post

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