Investimento Imobiliário: muito bom para ser verdade


Investimento Imobiliário: muito bom para ser verdade

Em 22 de Outubro de 2013, por Mark Thornton – texto originalmente publicado em 04/06/2004

Sinais de uma “nova era” na habitação estão em todos os lugares. A construção imobiliária está acontecendo em níveis recordes. Novos recordes para os preços no mercado imobiliário estão cruzando o país, especialmente nas costas leste e oeste. O boom nos preços de moradias e o recorde dos baixos níveis dos juros estão permitindo proprietários imobiliários a refinanciarem suas hipotecas, “extraírem o lucro” para aumentarem os seus gastos e reduzirem seu pagamento mensal. Assim como um profissional do setor de empréstimos explicou a mim: “é quase bom demais para ser verdade.”

Na verdade, isso é realmente bom demais para ser verdade. O que os profetas do novo paradigma imobiliário não discutem é que o mercado imobiliário experimentou ciclos similares no passado e que aqueles períodos descritos como novos paradigmas são freqüentemente seguidos de períodos de acomodação nos mercados, incluindo embargos de vendas, falências e falhas bancárias.

O caso da bolha imobiliária japonesa é instrutivo. O Japão teve uma bolha no mercado de ações na década de 1980 que foi muito similar à bolha americana da década de 1990. Assim que o mercado de ações japonês começou a ruir, o mercado imobiliário continuou a ser inflado. Um índice geral do mercado imobiliário japonês mostra que os preços subiram por quase dois anos após o crash do mercado de ações com preços ficando acima dos níveis pré-crash por mais de 5 anos. O boom na construção civil continuou por aproximadamente seis anos após o crash do mercado de ações. Os preços para imóveis comerciais, industriais e residenciais no Japão continuam a cair e estão abaixo dos níveis mensurados em 1985 quando essas estatísticas foram coletadas.

Já se passaram três anos desde que o mercado acionário americano quebrou. O presidente do Federal Reserve System – FED: o Banco Central Americano – Alan Greenspan indicou que os níveis de juros poderiam em breve reverter seu curso, enquanto as taxas de juros de longo prazo já se moveram para cima. Taxas de juros deveriam engatilhar um reverso no mercado imobiliário e expor as falácias desse novo paradigma, incluindo como o boom imobiliário ajudou a encobrir os aumentos da inflação de preços. Infelizmente, essa exposição irá ferir os proprietários e o maior problema é que possa atingir o pagador de impostos americano, que poderia ser forçado a socorrer os bancos e as hipotecas subsidiadas pelo governo a garantidores que encorajaram essas práticas irresponsáveis de crédito. Leia mais deste post

Acabaram os Dias de Bonança do Setor Público


Acabaram os Dias de Bonança do Setor Público

Em 16 de Setembro de 2013, por Patrick J. Buchanan

San Bernardino, na Califórnia, está seguindo o exemplo de Stockton e indo à falência. Harrisburg e Scranton, na Pensilvânia e o condado de Jefferson, no Alabama, voltando a Birmingham, já estão lá para dar-lhes boas-vindas.

Detroit foi à bancarrota por Michigan. Um plano sob discussão é reverter um quarto da cidade em pasto e área agrícola como eram cerca de cem anos atrás.

Na web, é possível encontrar um conto pictórico de duas cidades: Hiroshima, uma ruína flamejante e esfumaçada em 1945, hoje é uma metrópole bela e radiante. Detroit, forja e fornalha da democracia em 1945, hoje se assemelha a Dresden após os bombardeiros da Segunda Guerra.

Outras cidades americanas estão explorando a idéia de falência para escapar por debaixo das montanhas de dívidas que se acumulam ou escapar dos contratos que as gerações anteriores de políticos negociaram. Não mais vista como vergonhosa, a falência é hoje vista como uma opção para as cidades americanas. A crise do setor público chegou a River City.

O que aconteceu? Leia mais deste post

O Espantalho da Especulação Imobiliária – parte 2/2


O Espantalho da Especulação Imobiliária – parte 2/2

Em 25 de Junho de 2013, por David

No artigo anterior, apresentamos a definição de especulação imobiliária, fizemos uma leitura crítica e rebatemos vários pontos. Neste artigo, abordaremos a questão da elevação dos preços, das crises imobiliárias e brevemente o impacto das políticas de crédito na especulação imobiliária e na produção do espaço urbano, confundido como especulação imobiliária.

 Crises Imobiliárias e expansão urbana – culpa dos especuladores?

Podemos perceber em estudos empíricos de urbanistas, geógrafos e minskyanos que após os períodos de expansão imobiliária muitos imóveis permanecem sem moradores – algo causado pelos especuladores – enquanto muitas pessoas permanecem sem moradia adequada – essa é uma contradição e uma falha do mercado que deve ser combatida com políticas públicas. A afirmação acima é freqüente entre os críticos e, além de bastante forte, está parcialmente correta. Realmente é a ação dos especuladores uma das fontes, talvez a maior, dos imóveis vazios após o estouro de bolhas, mas isso não é uma contradição e nem mesmo uma falha de mercado; ela é resultado direto de ações intervencionistas do estado e das falhas de governo e quaisquer novas políticas públicas terão o grande potencial de piorar a situação. Explico melhor.

Como vimos, a especulação é uma atividade que envolve riscos; o maior deles é não conseguir vender o imóvel com valor superior ao valor de compra. Imóveis vazios só permanecem vazios se os proprietários não quiserem reduzir o valor de venda ou o valor de seus aluguéis aguardando que a fase de bonança continue ou retorne; como está ocorrendo com o mercado de terrenos atualmente. Tudo é uma questão de preços.

O problema das crises não é exatamente seus efeitos, mas principalmente as suas causas. Crises são necessárias para corrigir as distorções no sistema de preços e as crises imobiliárias, que tanto afetam as cidades, não escapam dessa regra.

A valorização imobiliária acontece quando há crescente demanda por imóveis. A construção de novas unidades demanda tempo e diversos outros recursos devem ser trabalhados para suprir essa demanda adicional. Juntamente a isso, existe todo um rol de regulamentações, taxas, impostos e burocracia criados pelo poder público, o que atrasa, atrapalha e encarece a produção imobiliária. Além disso, existem as leis de zoneamento que restringem a ocupação do solo urbano, aumentando a escassez de espaço urbano produtivo [5].

Entretanto, para existir demanda por bens tão caros quanto imóveis, é necessário existir poupança, seja dos próprios interessados, ou de terceiros que são destinados ao financiamento. Sem poupança é impossível o investimento em habitações e poupança é praticamente a abstenção de consumo influenciada pela preferência temporal do poupador. Neste caso, a abstenção será feita para todos os outros bens que não sejam destinados à aquisição de imóveis, ou seja, a demanda por “não-imóveis” deverá ser reduzida. Qualquer interessado em adquirir um imóvel deverá produzir mais que consome e destinar essa poupança para a satisfação de um desejo futuro.

Em uma economia genuinamente de livre mercado, inclusive e principalmente com uma moeda verdadeira (sound money), o sistema de preços flutua de acordo com a oferta e demanda dos bens, inclusive da moeda. Nesse cenário hipotético (pois sobra pouco dele na atualidade), o aumento de preços no setor imobiliário certamente acompanharia uma queda de preços em diversos outros setores da economia, ou mesmo de outros nichos específicos do próprio setor imobiliário. A moeda muito provavelmente seria o ouro e a sua produção anual gira em torno de 2% ao ano, ou seja, é praticamente estática. Sem aumento na produção de moeda, os demais bens na economia tendem a ter seus preços reduzidos devido à produtividade crescente, mantendo uma queda geral nos preços – como um lago com ondas, mas sempre com um nível menor de cota média (imaginando que fosse possível realmente calcular essa cota média, já que é impossível somar bananas, carros e casas e tirar a média).

O fato é que não percebemos isso atualmente. Praticamente todos os bens na economia têm aumentos de preço e os índices de preços gerais mostram uma contínua elevação. Uma explicação para isso seria a perda de produtividade da economia, mas isso é notadamente falso, mesmo em uma economia altamente regulada e protecionista como a brasileira. A outra explicação, a que realmente ocorre, é o contínuo aumento na produção de dinheiro. Mas qual é a ligação entre a produção de dinheiro e o mercado imobiliário, a especulação e a expansão das cidades?

Já deve estar claro que para existir investimentos na produção de imóveis é necessário haver poupança. A poupança é que sinalizará, por meio dos juros, que existem recursos para serem investidos em bens de capital e de maior cadeia produtiva, entre eles os imóveis. Porém, o governo consegue manipular a poupança utilizando a impressora que mantém no Banco Central, e o sistema bancário também o faz por meio do sistema de reservas fracionárias. Todo o sistema bancário, seja por meio de bancos públicos ou privados, está protegido e é orquestrados pelo estado, mantendo o poder de criação de moeda ex nihilo. Com isso, o governo cria a mágica de manter um nível de consumo atual e aumento de poupança ao criar recursos artificiais para investimentos em bens de capital: bens superiores. Partindo da utilização da política, pode desviar um percentual de poupança verdadeira para os setores que acredita estratégicos, juntamente com os recursos artificiais que acabou de produzir do nada na forma de programas públicos de investimento direto na habitação e de subsídios. Se não há poupança, o governo a cria artificialmente.

Se antes era necessário João produzir e não consumir para José consumir sem produzir – contrair um empréstimo –, agora José pode utilizar esses recursos que não produziu sem ninguém mais tê-los produzido; na prática, o estado e o sistema bancário criaram recursos do nada!

Os programas voltados para a habitação, potencializados por essa poupança artificial, irão distorcer o sistema de preços. No início, o setor imobiliário se mostrará aquecido, com aumento de demanda e índices que prometem prosperidade. Os demais bens e serviços não terão muita variação de preços inicialmente, talvez alguns apresentem até mesmo uma queda de preços devido à sua produtividade ou redução de demanda naquele momento. Mais recursos financeiros serão destinados ao setor imobiliário e a valorização terá início, juntamente com o aumento nos salários do setor, aumento dos preços dos insumos e dos terrenos. Essa valorização, e principalmente a esperança pela crescente valorização, atrairão investidores: muitos deles especuladores. Os especuladores destinarão suas poupanças para o setor imobiliário, retirando esses recursos de outros setores da economia, reduzindo os investimentos nesses outros setores – pode existir aqui uma distorção nos investimentos privados sob influência do intervencionismo.

A esperança de lucratividade e o barateamento dos investimentos devido ao aumento artificial na poupança possibilitam que muitas empresas ingressem e comecem a produzir, aumentando a oferta. A presença de especuladores, elevada pela intervenção estatal, aumenta a demanda por imóveis. Esses preços em alta afetam os preços dos bens superiores, elevando inclusive os preços do solo e esse aumento exigirá das incorporadoras a busca por terrenos mais baratos e a reciclagem de áreas já construídas nas cidades, pois o sinal que recebem pelos preços é que existe escassez e as pessoas demandam imóveis. Ou seja, as franjas urbanas serão afetadas e prédios antigos tenderão a ser demolidos para darem lugar a edifícios demandados por essa população que teve acesso ao crédito fácil, aos serviços e investimentos em capital propiciados pela queda dos juros.

Durante algum tempo, o sistema de preços é distorcido sem maiores problemas no agregado, apresentando um cenário propício a novos investimentos e melhoria do padrão geral de vida. Mas alguns sinais já surgem desde o começo para mostrar que há distorção: os preços dos aluguéis descolam dos preços dos imóveis; a qualidade dos novos edifícios mais baratos cai para reduzir os custos (apesar da utilização de melhores métodos construtivos e maquinário); espaços de pior qualidade e de difícil acesso encarecem pela demanda gerada; o volume de negócios com especuladores aumenta; a queda dos juros propicia o aumento da descentralização produtiva – roundaboutness – e isto aumenta a demanda por edifícios de escritórios que, por sua vez, competem com os edifícios habitacionais por terrenos, elevando seus preços.

O cenário propício de prosperidade geral e particularmente mais favorável para o setor imobiliário atrai pequenos investidores e pequenas construtoras, bem como eleva os investimentos das maiores. Esse cenário, apesar de totalmente artificial, possui o mérito de demonstrar como provavelmente estaria o mercado livre das intervenções estatais com uma poupança real elevada. Muitos políticos ganham fama com esse cenário, mas ele é artificial e não demorará muito para que seus efeitos maléficos surjam e que seja necessária uma volta à realidade para o ajuste doloroso, porém extremamente necessário.

Em algum momento no futuro incerto, os bons ventos mudam de direção. Os preços gerais começam a subir em demasia com a quantidade de moeda na economia e os bancos se vêem forçados a reduzir o crédito e aumentar os juros para cobrir seus crescentes custos. O governo se vê obrigado a reduzir a expansão monetária para conter a perda de poder de compra da moeda. Com menos dinheiro gerado, a poupança artificial começa a ser desinflada e os juros sobem. Com isso, os vários setores da economia que se aproveitavam desse crescente fluxo monetário – como o setor imobiliário – vêem que não terão demanda pelos bens que começaram a construir no passado. Aquela poupança, que poderia ter sido gerada por pessoas interessadas em comprar um imóvel no futuro, na verdade não existia. As empresas e especuladores acabaram construindo e comprando mais imóveis do que realmente demandados no futuro nas genuínas condições de livre mercado. Foi uma ação especulativa totalmente frustrada que sofreu aumento porque o estado criou dinheiro do nada, inflou uma poupança artificial e jorrou recursos no setor. O setor entra em crise e abundam imóveis vazios, pessoas endividadas e outras sem condições de compra. Todo o mercado parece desconexo entre oferta e demanda e a crise surge. Essa é, em linhas gerais, a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos – TACE – e sua relação com a produção imobiliária. Mais detalhes dessa relação podem ser verificados neste artigo de Mark Thornton sobre os ciclos econômicos e a construção de arranha-céus.

Os críticos da TACE argumentam que os empresários não seriam tão tolos ao ponto de continuamente entrarem nessa onda, afinal, eles são empreendedores e já teriam que aprender com os erros passados para não errar novamente. Mas a questão não é que a intervenção estatal transforma empreendedores em tolos, mas sim que ela facilita a transformação de tolos em empreendedores. O cenário propício atrai muitos aventureiros que não possuem nenhuma experiência no setor e buscam apenas lucros rápidos, sem muito empenho em crescer e se manter no mercado. Isso afeta a qualidade dos empreendimentos e a intervenção em áreas problemáticas. A falta de oferta, afetada principalmente pela abundância de regulamentações, também contribui para a aceitação dessas péssimas condições habitacionais. Além disso, não há como diferenciar a poupança real da artificial e nem mesmo prever quando os efeitos negativos surgirão. A concorrência entre empresários sob o intervencionismo monetário também será um obstáculo contra os mais conservadores e premiará os aventureiros, pelo menos no curto prazo.

Muitos acharão que a situação poderá ser melhorada se o estado continuar suas políticas creditícias ou de subsídio para a casa própria ou como aluguel social. Contudo, caso isso seja levado a sério, a situação artificial continuará sendo inflada e o sistema de preços continuará sendo distorcido. No futuro, novos problemas demonstrarão que essas políticas foram ainda mais prejudiciais do que teria acontecido se o setor tivesse sido deixado livre para absorver os erros com mudanças nos preços. Quanto mais tempo e quanto maior a intervenção estatal, mais potencialmente danosa será a bolha criada pelo estado. Nesse caso, os especuladores que investiram na esperança de vender seus imóveis com um valor maior vão encarar um cenário apocalíptico. Suas poupanças foram absorvidas por um setor artificialmente aquecido; não havia demanda real pelos bens naquele futuro imaginado no momento dos investimentos.

Percebemos nos momentos de euforia o aumento de aventureiros em busca de lucros altos e rápidos, que oferecem edificações de baixa qualidade arquitetônica e construtiva. Muitos críticos os chamam de especuladores. Não estão errados, mas, como vimos, as condições do aumento de aventureiros na produção do espaço urbano foram criadas por políticas públicas e não pelas forças de um livre mercado. O conservadorismo no estilo arquitetônico também parece ser favorecido por essa tendência a ganhos rápidos, pois é mais fácil e certo vender produtos já conhecidos a tentar inovar. Apesar de a poupança artificial criar um clima de investimentos em inovação, o risco político de inversão do cenário age na contra-mão dessa tendência. Com isso, outro efeito das políticas de crédito fácil é o baixo investimento em inovação da arquitetura dos edifícios residenciais, tanto em estilo como em sistemas construtivos. A exceção fica por conta dos edifícios de escritórios, mais demandados devido ao aumento das cadeias produtivas.

 Conclusão:

Nosso intuito foi demonstrar que a conotação negativa do termo especulação imobiliária não tem sentido. Todos os problemas anunciados por comentaristas, políticos, urbanistas e mesmo economistas como sendo causados por especuladores no mercado possuem, no mínimo, alguma intervenção estatal. Entre elas, a maior das intervenções é certamente a manipulação da base monetária e as políticas de controle dos juros pelo estado. Essas políticas têm um grande impacto negativo na economia pela formação e fortalecimento dos ciclos econômicos que, nos momentos de expansão, acabam criando falsas expectativas e euforia e, assim, desviam recursos escassos de onde seriam realmente demandados para setores artificialmente inflados. Quando a realidade econômica exige correção, o sistema de preços demonstra que aquela expectativa não era sensata e cobra o preço pelos erros. É nesse momento que a especulação mal sucedida se torna visível e, por isso, acaba levando a culpa.

Todas as ações humanas são especulativas, por pura definição, por isso, apenas o desconhecimento do funcionamento dos mercados e mesmo da divisão do trabalho permite que tais afirmações de conotação negativa sejam feitas. A especulação é primordial para o funcionamento sadio de qualquer mercado e o setor imobiliário não foge dessa regra. As cidades dependem da ação de especuladores que destinam seus recursos para a produção do espaço urbano; são eles que reduzem os solavancos de preços entre os diferentes bairros e imóveis e muitos criam as condições de moradia com o aluguel. Entretanto, não podemos nos esquecer que em mercados regulados, principalmente nos momentos de expansão creditícia direcionada para o setor, especuladores se vêem em um maior risco de errarem suas previsões, acarretando as conseqüências que descrevemos.

Contudo, parece-me que especialistas não concordam muito com as definições clássicas e com a etimologia da palavra especulação. Um especialista ouvido pelo jornal Gazeta do Povo, em matéria ironicamente intitulada “Especulação Prejudica o Mercado” [6], afirma que “as pessoas não gostam desse processo [de especulação imobiliária], porque isso pode levar a um aumento artificial de preços. O comprador adquire, mas não usa. Acaba pressionando a oferta e elevando o valor”. Como vimos, esse tipo de afirmação não tem sentido, a especulação surge do aumento de preços e não é ela que produz o encarecimento do imóvel. Além disso, afirmar que o especulador compra, mas não usa é um grande equívoco. É o mesmo que afirmar que o acionista não usa suas ações. O especulador usa o imóvel como investimento e, com isso, permite a redução dos possíveis solavancos entre momentos de escassez e abundância de imóveis; em mercado livres, é claro!

Na mesma matéria, outro especialista afirma que investidores são aqueles que compram para formar carteira, para locação e para valorização com o tempo, já os especuladores compram para revenda no curto prazo com a maior margem de lucro possível. Essa é outra afirmação que perde o sentido quando analisamos a fundo. Especuladores são investidores e investidores são especuladores. Todos somos especuladores, pois temos a expectativa de ganhos com as nossas ações, sejam elas no curto ou no longo prazo, financeiramente ou não, quem decide isso é cada pessoa singular de acordo com as próprias expectativas. Entretanto, é compreensível a posição desses especialistas. Dado que o termo especulação imobiliária possui uma forte conotação negativa, principalmente pela complexidade do funcionamento da economia e da dificuldade de entender como funcionam os mercados, esses especialistas buscam afastar a negatividade de seu ramo de negócios. Eles não querem afugentar possíveis especuladores chamando-os de “especuladores”, por isso se contorcem em buscar conceituações diferentes para atrai-los como “investidores”. E o jornal, por sua vez, não vai incorrer no erro de prejudicar uma das grandes fontes de recursos que são os anúncios imobiliários.

Portanto, devemos mais uma vez lembrar aos especialistas e demais estudiosos nas cadeiras de urbanismo que não é a especulação que prejudica o mercado, mas sim as intervenções estatais, em especial as políticas monetárias e creditícias pelo lado da demanda e do zoneamento de uso e ocupação do solo e demais entraves urbanísticos pelo lado da oferta imobiliária. Os aventureiros, que ilustram o espantalho da especulação imobiliária, são atraídos e favorecidos por essas políticas públicas; em mercados sadios eles não teriam vez e seriam excluídos ao longo do tempo. A especulação imobiliária possui uma função sadia no processo de crescimento e melhoria da qualidade do espaço urbano, desde que funcione sem o intervencionismo que presenciamos. A definição mais frequente possui seu apelo impactante e é muito bem utilizada, mas ela desvia a atenção das reais causas e obscurece o conhecimento sobre quem são os verdadeiros culpados pelos problemas urbanos.

 Notas:

[5] Randal O’Toole realizou um estudo sobre as regiões americanas que mais sofreram com a crise imobiliária e concluiu que foram as mesmas que mais restringiam a produção de moradias. Ver mais detalhes em seu estudo: How Urban Planners Caused the Housing Bubble.

[6] http://www.gazetadopovo.com.br/imobiliario/conteudo.phtml?id=1332074&tit=Especulacao-prejudica-o-mercado

O Espantalho da Especulação Imobiliária – parte 1/2


O Espantalho da Especulação Imobiliária – parte 1/2

Em 28 de Maio de 2013, por David

 A especulação imobiliária é vilipendiada diariamente. Grande parte dos problemas urbanos é explicada como resultado da ação dos especuladores imobiliários. Se o preço dos imóveis sobe; se existem terrenos baldios em áreas com infraestrutura urbana satisfatória; se terrenos nas franjas urbanas são parcelados aumentando as distâncias e a infraestrutura necessária; se o perímetro urbano aumenta demasiadamente, a culpa é dos especuladores. Quando as crises aparecem e imóveis vazios acumulam-se nos centros das cidades desperdiçando espaço, a culpa, é claro!, é dos especuladores. A própria crise é culpa dos especuladores.

Poderíamos continuar essa lista com outros diversos problemas urbanos e a culpa seria, sem medo de errar, dos especuladores. Trabalhos científicos sobre o tema são abundantes e já provaram essa relação de causalidade, dizem muitos urbanistas. Com a causa identificada, basta desenvolver políticas para corrigir essas “falhas de mercado”, buscando inibir ao máximo a atividade dos especuladores e seu incansável intuito de auferir lucros com o espaço urbano.

Os especuladores são seres anônimos, abstratos, cujo poder predatório é engrandecido como forma de articulação política contra a liberdade de empreendimento nas cidades. O objetivo dos críticos da especulação parece ser substituir qualquer ação econômica voluntária pelo dirigismo e o especulador é o espantalho argumentativo que dá lenha para a fogueira, haja vista a imagem pejorativa criada. No entanto, a especulação imobiliária é muito diferente de seu espantalho e a maioria dos problemas urbanos vinculados a ela possuem uma outra causa. Nestes artigos buscaremos apresentar como funciona a especulação imobiliária e qual a sua função em uma sociedade livre. Leia mais deste post

O Especulador


O Especulador

 Em 09 de Maio de 2013, por Walter Block. Excerto do livro Defendendo o Indefensável.

o especulador

“Morte aos especuladores!” é a palavra de ordem durante todas as épocas de carestias que existiram. Articulado por demagogos que pensam que o especulador causa a morte pela fome, ao fazer subirem os preços dos alimentos, esse grito é apoiado com fervor pelas massas de analfabetos em economia. Esse tipo de idéia ou, antes, de falta de idéia tem permitido a ditadores que imponham até pena de morte a comerciantes de alimentos que cobram preços altos em tempos de escassez.

E sem o menor protesto daqueles geralmente envolvidos com direitos e liberdades civis. Ainda que a verdade dos fatos seja que, longe de causar a morte por fome ou a carestia, é o especulador quem as evita. E, longe de salvaguardar a vida das pessoas, é o ditador quem tem de arcar com a responsabilidade maior, por ser o primeiro a causar a escassez. Assim, o ódio popular pelo especulador é uma perversão da justiça tão grande quanto se possa imaginar. Podemos observar melhor isso ao considerar que o especulador é uma pessoa que compra e vende mercadorias com a intenção de lucro. Ele é aquele que, segundo a velha frase, tenta “comprar na baixa e vender na alta”. Leia mais deste post

Arranha-céus e os Ciclos Econômicos


Arranha-céus e os Ciclos Econômicos

Em 05 de Fevereiro de 2013, por Mark Thornton. Originalmente publicado no Mises Daily, em 23/08/2008

Introdução

O índice de arranha-céus, criado pelo economista Andrew Laurence, mostra uma correlação entre a construção dos maiores edifícios mundiais e os ciclos econômicos. Isso é apenas coincidência ou talvez os arranha-céus realmente causam os ciclos econômicos? Uma fundamentação teórica do “efeito Cantillon” para o índice de arranha-céus é disposta aqui para mostrar como os componentes básicos da construção de arranha-céus, como a tecnologia, estão relacionados a conceitos chave de teoria econômica como a estrutura de produção. O que foi encontrado, teoricamente e empiricamente, sugere que a teoria da Escola Austríaca de Economia dos Ciclos Econômicos – TACE – tem muito a contribuir  para o nosso entendimento dos ciclos econômicos, particularmente os mais severos.

O arranha-céu, aquela celebração única do capitalismo secular e seus valores, nos desafia em todos os níveis. Ele oferece oportunidades únicas para análises profundas em termos muito amplos da arte, do humanismo e da história do século XX. Quando a crítica se torna cativa aos centros de poder, ou a teorias prevalecentes, ou a modismos, ou ela não é desejável e nem capaz de provar um processo e seus resultados, alguma coisa importante está errada com uma das forças de estabilização ou de balanceamento de uma sociedade madura. (Huxtable, 1992, p.120)

Na especulação superaquecida da década de 1920, assim que o preço da terra subiu, torres subiram junto e ainda mais altas. Ou seria a ordem: tão logo arranha-céus subiam alto, os preços da terra subiam? As variáveis que contribuem para os ciclos imobiliários eram ainda mais complexos que essa questão do ovo e da galinha. (Willis, 1995, p.88)

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