O Apogeu e o Declínio das Cidades


O Apogeu e o Declínio das Cidades

Em 15 de Janeiro de 2013 , por Hans-Hermann Hoppe

Aproximadamente todos os assentamentos urbanos no mundo são atormentados por conflitos entre grupos, tanto é que cientistas políticos podem falar sobre votos e candidatos em termos de composições demográficas e o impacto dos votos em diferentes regiões. Não é apenas em Bagdá que pessoas lutam em marchas pelo poder. Em algum grau, toda eleição se torna um “voto religioso”, um “voto negro”, um “voto dos negócios”, um “voto das mulheres” etc. Isso é um triste comentário sobre a cidade moderna, fundada na Idade Média como um local de paz e comércio que se tornou a própria fundação da civilização.

Por que esses conflitos existem e por que a cidade – o centro cultural da civilização comercial caracterizada pela paz e prosperidade – os atraem? Os marxistas dizem que os conflitos urbanos que as cidades possuem têm raízes na guerra entre capital e trabalho; os racialistas dizem que as raízes estão na exploração de uma raça por outra; os feministas enxergam como uma exploração sobre o gênero. A religião, evidentemente, participa também, como no caso demonstrado pelo Iraque.

E mesmo assim nenhum desses casos trata das raízes causais dos conflitos urbanos. Para essa resposta, eu ofereço essa reflexão do meu livro Democracy: The God that Failed. É o estado, e nenhuma outra instituição ou força social, que transforma uma civilização urbana pacífica em uma “zona de guerra”.
Leia mais deste post

Anúncios

Telhados ou Tetos? O Atual Problema da Moradia


N. T.: Este artigo foi publicado pela FEE em formato de panfleto como parte de uma série chamada “Popular Essays on Current Problems” (artigos populares sobre problemas atuais) em setembro de 1946.

Telhados ou Tetos? O Atual Problema da Moradia

Em 12 de Março de 2013, por Milton Friedman e George Stigler; prefácio de Leonard Read

Prefácio:

Se as manobras parlamentares tivessem prevenido a renovação dos poderes da OPA (Office of Price Administration – Secretaria de Administração de Preços) em Julho de 1946 [1], os controles de preços do governo teriam terminado? Ou eles seriam reavivados pelos estados, ou pelas municipalidades, ou por um novo estatuto federal?

No caso dos controles de aluguéis, pelo menos, a resposta é clara. Durante o lapso dos controles federais em julho, estado e municipalidade, um após o outro, colocaram, ou planejaram colocar em prática suas próprias agências para a manutenção dos tetos dos preços de aluguéis.

Por quê?
Leia mais deste post

Contra o Urbanismo de Compadrio


Contra o Urbanismo de Compadrio

Em 18 de maio de 2016, por David

A maioria das críticas contra o livre mercado na produção do espaço urbano não é realmente direcionada contra o urbanismo laissez-faire, mas sim contra o urbanismo de compadrio. O urbanismo de compadrio é uma especialidade do capitalismo de compadrio. Randal Holcombe coloca nos seguintes termos:

A intervenção governamental na economia para beneficiar empresas privadas embasa os fundamentos do capitalismo de compadrio. Quando os negócios podem ser lucrativos com políticas do governo, esse potencial seduz os empresários a buscarem os benefícios por meio de favores, ao contrário da atividade produtiva. Quanto maior o envolvimento do governo, maior será a dependência da ajuda do governo para a lucratividade dos negócios, ao contrário da atividade produtiva, assim, as conexões políticas se tornam  da maior importância para o sucesso da empresa. O capitalismo de compadrio é um sistema econômico no qual a lucratividade dos negócios depende de conexões políticas. [1]  

O urbanismo de compadrio – entendido aqui como meio técnico e regulatório de produção do espaço urbano – é o sistema cujos sucesso e lucratividade nos assuntos fundiários, imobiliários e urbanísticos não dependem da atividade produtiva e competitiva, mas de conexões e conchavos políticos.

O urbanismo de compadrio é beneficiado por dois grupos distintos: por aqueles que esperam lucrar com o sistema e pelos desinformados que o criticam, mas acabam criando as condições para o seu desenvolvimento por desconhecimento do funcionamento do mercado. O mecanismo do urbanismo de compadrio é intrincado e, paradoxalmente, os problemas e vícios que surgem de sua operação se tornam as suas virtudes. É essa mecânica que passa despercebida e é responsável pelo seu crescimento.
Leia mais deste post

Por que construir novas ruas e avenidas não reduz os congestionamentos


Por que construir novas ruas e avenidas não reduz os congestionamentos

Em 14 de Janeiro de 2014, por Andres Duany, Elizabeth Plater-Zyberk, and Jeff Speck – excerto do livro Suburban Nation: The Rise of Sprawl and the Decline of the American Dream

Há um problema muito mais profundo do que a forma como as estradas e avenidas são locadas e gerenciadas. Esse problema surge da questão de por que elas ainda são construídas em último caso. A simples verdade é que a construção de mais estradas, avenidas e o alargamento das existentes, quase sempre motivadas pela preocupação com os congestionamentos, não ajuda em nada para reduzir o problema. No longo prazo, na verdade, elas aumentam o problema. Essa revelação é tão contra-intuitiva que merece ser repetida: aumentar as faixas de rolamento torna o tráfego pior. Esse paradoxo surgiu já em 1942, levantado por Robert Moses, que notou o fato de as avenidas que construiu ao redor de Nova York em 1939 terem de alguma forma gerado ainda mais problemas de tráfego do que existia previamente. Desde então, o fenômeno tem sido bem documentado, mais notavelmente em 1989, quando a Associação dos Governadores do Sul da Califórnia concluiu as medições de tráfego, após a implantação de novas faixas ou mesmo com a sua duplicação, o que demonstrou que elas não foram nada mais que mero efeito cosmético para os problemas de trânsito de Los Angeles. O melhor que puderam fazer foi sugerir que as pessoas morassem mais perto do trabalho, contra o que a construção de novas avenidas sempre está lutando. Leia mais deste post

A Ilusão da Cidade Eficiente


A Ilusão da Cidade Eficiente

Em 26 de Dezembro de 2013, por Sanford Ikeda – originalmente escrito para a Conferência em homenagem a Jane Jacobs.

 “… Não quero dizer que as cidades são economicamente valiosas apesar de suas ineficiências e impraticabilidades, mas ao contrário, porque elas são ineficientes e impraticáveis”. Jane Jacobs (1969, p. 86)

De certa distância, o planejamento urbano da paisagem, de grande escala, tanto de ontem como de hoje, parece algo racional e eficiente. Como ele não poderia ser? O planejamento implica a escolha racional e eficiente de meios para fins conscientemente escolhidos. Contudo, assim que a ambição do planejador cresce do projeto de um edifício, passando pelo plano de bairros até chegar a toda a cidade, a racionalidade e a eficiência se transformam de ferramentas úteis para a tomada de decisões, para armas de destruição em massa. Qualquer tentativa de imposição de uma visão particular de racionalidade da vida urbana, seja ela inspirada nos automóveis e na geometria euclidiana, ou no pedestre e no ethos da Nova Inglaterra no início do século XX, irá confrontar esse problema. É por isso que arquitetos tendem a se tornar péssimos planejadores urbanos.

A Natureza da Cidade

Uma cidade não é um produto do design humano. Ela é o mercado complexo, a rede intrincada de atividades sociais, o tráfego alucinante; e toda essa rica cultura não pode ser agrupada completamente em um plano super-abrangente, mas surge da imprevista, porém ordenada, interação de seus habitantes. Sob as condições certas, ou “sob as regras do jogo”, essas estruturas nascem, adaptam-se e morrem nos meios vitais, radicalmente incertos e lucrativos. Tal cidade vibrante [1] – auto-regulada  e auto-suficiente – é o resultado da ação humana, mas não do design humano (Hayek, 1967).

Isso se aplica muito bem ao assim chamado ambiente construído de uma cidade. É claro, o sistema viário, o trânsito de massa, as pontes, túneis e toda a infraestrutura urbana de uma cidade são inicialmente produtos de planejamento deliberado. No entanto, a forma como exatamente toda essa estrutura física se adapta ao longo do tempo às mudanças não esperadas nas circunstâncias sociais, políticas e especialmente econômicas não são. E a criatividade e determinação do arquiteto responsável pelo projeto das praças, dos edifícios, dos parques e lojas, embora importante, não leva em consideração como esses diversos elementos se combinam para criar, ao longo do tempo, para o bem ou para o mal, a aparência e a tatilidade de uma cidade e seus bairros, apesar de terem sido construídas em áreas diferentes, por pessoas diferentes com exclusivo conhecimento e ethos. Como a linguagem, e como outras instituições sociais evoluídas generalizadamente, uma cidade vibrante é uma “ordem espontânea” (Hayek, 1967) e um “fenômeno emergente” (Johnson, 2001).

Isso não é negar que certos tipos de planejamento urbano possam contribuir indiretamente para a evolução de ordens espontâneas. É possível que um planejamento cuidadoso consiga dar um empurrãozinho em parte dessa ordem emergente de modo a promover o dinamismo urbano e sua criatividade. Paris pode ter se tornado a “cidade das luzes” como resultado indireto dos projetos brutais e maciços  de renovação urbana promovidos pelo Barão Haussmann na metade do século XVIII. Mais recentemente, o planejamento urbano resultou no sistema viário e outras infraestruturas (como os aquedutos, redes de esgoto, linhas de transmissão, túneis, pontes, iluminação pública) sem os quais a vida urbana moderna teria sido difícil de se imaginar. Mas isso, entretanto, nem sempre é bem sucedido. Na verdade, intervenções massivas no tecido urbano não são realizadas necessariamente para estimular o desenvolvimento sócio-econômico e tendem a render a tênue estrutura da sociedade responsável pela adaptação criativa a mudanças inesperadas.

Algumas das intervenções de Haussmann podem ter sido bem sucedidas, enquanto muitas outras de Robert Moses – ver abaixo –, pelo menos por estimativa (Caro, 1975), foram muito menos. De qualquer modo, não precisamos assumir que o fornecimento de algo tão vital para uma cidade, como suas principais avenidas, necessita de uma autoridade central. Londres, que não possuía nenhum governo central até 1855, gerenciou a construção do primeiro grande boulevard em uma cidade européia ainda em 1825, a Regent Street, décadas antes de Haussmann (Wilson, 2004, p. 90). A Regente Street serpenteia o centro de Londres – compare-a com os boulevards retilíneos cruzando a Paris de Haussmann – porque os vários corpos de governança local (land-lease) não permitiriam ao construtor, John Nash, afetar suas propriedades sem permissão –. Embora administradas por modelos opostos de governança, Paris e Londres eram as duas maiores cidades ocidentais na primeira metade do século XVIII.

O ponto aqui destacado é que mesmo a infraestrutura física visível de uma cidade se desenvolve de uma maneira que seus planejadores não poderiam  prever. Por exemplo, os planejadores originais do metrô de Nova York ou do tube de Londres não conseguiriam prever como seus sistemas mudariam, muito menos do que os padrões diversos de uso que vemos neles atualmente.

Também sabemos que nem todos os tipos de conseqüências que surgem de tais intervenções, mesmo as mais bem sucedidas, são intencionais e desejáveis, devendo aos limites intrínsecos da limitação da mente humana e da complexidade do mundo, especialmente do mundo social.

Máquinas de Morar?

A cidade, neste sentido, não é uma “máquina de morar”, para emprestar a frase de Le Corbusier, que a utilizava para descrever os arranha-céus austeros que pontificavam sobre seu plano, a cidade hiper-racional de Radiant City (Corbusier, 1929). Na verdade, Le Corbusier foi um dos primeiros a demandar a racionalidade e a eficiência para as maiores cidades e formar os princípios que James C. Scott chamava de “alto modernismo” (high-modernism), a doutrina de que a melhora das condições humanas requer a varredura e a engenharia racional de todos os aspectos da vida social (Scott, 1998, p. 88). Neste sentido, Le Corbusier, não menos que Friedrich Engels (1844), via a cidade não planejada e desregulada como caótica, como um horror produzido pelo mercado.

Ainda assim, a máquina é uma ótima metáfora para a Radiant City de Le Corbusier tão bem quanto para um dos maiores planejadores urbanos do século XX, Robert Moses [2]. Uma máquina possui um propósito específico. Ela é construída sob um planejamento detalhado e opera de acordo com princípios articuláveis, muitas vezes quantificáveis, para se chegar a um fim definido, para o qual todas as peças separadas estão subordinadas a servir. Um pequeno erro em uma das partes pode produzir estragos enormes em sua operação. Similarmente, uma linha erroneamente escrita de um software ou um chip estranho pode significar custos que não foram minimizados.

A complexidade de uma máquina, entretanto, é necessariamente limitada pela mente que a desenha [3]. Em contraste, a cidade vibrante pode alcançar um nível de complexidade, e promover um infindável conjunto de fins individuais, que sobrepuja qualquer construção planejada, seja ela física ou social em sua natureza, precisamente porque ela é a expressão emergente e coletiva de muitas mentes individuais interagindo, dia a dia. É por isso que uma cidade, como ordem espontânea, pode utilizar mais conhecimento – é muito mais “inteligente” – do que qualquer pessoa ou grupo de pessoas obedecendo a comandos e ordens centralmente dirigidos. Enquanto uma pessoa, utilizando as suas habilidades únicas e sua inteligência, pode alcançar grandes realizações para tarefas particulares, comparando com o poder de resolução de problemas de processos sociais dinâmicos, tais quais encontramos nos mercados e nas cidades, a mente humana é surpreendentemente limitada. Ninguém, por exemplo, não importa quão brilhante seja, consegue construir sozinho um único lápis (Read, 1958). O conhecimento técnico, e mais importante, o conhecimento local e específico de “circunstâncias particulares do tempo e do espaço” (Hayek, 1945) precisaria realizar para isso coisas ainda mais profundas além da habilidade cognitiva de cada pessoa.

Contudo, isso também significa que uma cidade vibrante não possui nenhum propósito particular, ou serve para fins particulares. Assim, enquanto a analogia da máquina pode, de fato, servir para ser adaptada a um edifício, conscientemente desenhado e deliberadamente construído, é totalmente equivocada para entender uma cidade vibrante.  Entretanto, uma cidade que não é auto-suficiente e criativa, especificamente se ela sobreviver como um parasita sugando sua riqueza de assentamentos urbanos mais criativos, como os centros religiosos ou políticos freqüentemente o fazem, tende a ser mais voltada para o tipo de cidade máquina que de ordem espontânea – por exemplo, a Roma renascentista, comparada com Florença, ou Washington dos dias atuais, comparada com Nova York [poderíamos incluir Brasília, comparando com o Rio de Janeiro] –. Contrariamente, a cidade vibrante permite a cada um de seus habitantes promover seus próprios fins e perseguir seus próprios planos, baseados em seus próprios conhecimentos particulares.

Isto é, o que as maiores cidades significam é promover as melhores opções para seus habitantes serem livres para perseguir seus interesses diversos no contexto da liberdade pessoal (Stadtluft macht frei, afinal de contas), o que significa que eles são livres para se arriscarem e, devido à riqueza do comércio que as cidades tipicamente geram, possuem os meios para isso fazerem (i. e. o custo das falhas é menor e os benefícios do sucesso são maiores). Então, se quisermos dizer que uma cidade possui um “propósito”, ele é permitir a cada habitante, escolhido na multidão, perseguir seus próprios planos, sonhos e ambições com o máximo de probabilidade de sucesso.

As pessoas migram para as cidades, arriscam com a possibilidade de sofrerem, assim como deflagrarem grande desapontamento em si mesmas como em outros, porque é na cidade que seus planos individuais mais possivelmente poderão ser preenchidos. Ignorar esse fato – que o ambiente urbano, na verdade para todas as pessoas de carne e osso, possui uma diversidade imprevisível e radical de idéias e objetivos conflitantes e que é dentro da rede e do tecido social dos processos da cidade que eles são mais efetivamente resolvidos – dá margem para a “ilusão da cidade eficiente”.

A Virtude da Ineficiência

Eficiência [4], no sentido econômico do termo, pressupõe um plano abrangente que liga vários meios para definidos fins, contra os quais resultados medidos podem ser avaliados. É a razão entre os valores dos resultados e dos valores empregados na produção. Assim, como a cidade vibrante é em si mesma impossível de ser planejada, ela não pode ser eficiente qua cidade. Contudo, não pode nem mesmo ser ineficiente, pois isso também pressupõe um plano de grande abrangência. Em outras palavras, tanto a eficiência quanto a ineficiência presumem que sabemos todos os possíveis resultados de uma dada ação e assim podemos determinar como as coisas deveriam ser, permitindo-nos reconhecer claramente o sucesso e a falha. Isso é impossível em cidades dinâmicas e espontâneas.

É claro! A complexidade do mundo social emergente e os fatos brutos de nossas limitações cognitivas geram resultados desagradáveis. Cidadãos conscientes freqüentemente pedem por “eficiência” e pedem por políticas que crêem ser possíveis de alcançar com os resultados que pretendem. Esse uso frouxo do termo, entretanto, pode significar pelo menos duas coisas:

Primeiro, pode se referir a como o governo opera – e. g., como ele gasta seu orçamento em polícia, bombeiros, educação, saneamento e infraestrutura. O conceito de eficiência no sentido técnico de maximização dos resultados para um dado conjunto de recursos pode ser apropriado com respeito ao governo da cidade, cujas funções mais parecidas com a de máquinas (sem nenhum sentido pejorativo aqui) no sentido de que as autoridades públicas podem gastar os recursos para alcançar objetivos políticos específicos. Mesmo aqui, entretanto, medições dos resultados das políticas de governo são problemáticas. Podemos ver a dificuldade de avaliações significativas o sucesso ou a falha das escolas públicas ou da polícia usando apenas medidas estatísticas (Wilson & Kelling, 1982).

Poderíamos dizer que o governo é economicamente eficiente se a cidade prosperar materialmente? Penso que não. Por uma razão, novamente, medidas estatísticas de prosperidade, como o PIB metropolitano, são índices crus de prosperidade genuína. Agora, certamente uma cidade fechada para destituição, cujos habitantes sentem falta de água suficiente, alimentação e abrigo não pode ser próspera (embora uma comunidade de ascetas possa viver alegremente sob essas condições). Então, enquanto uma grande correlação entre medidas de riqueza material e prosperidade genuína podem existir, isso é demasiadamente difícil de estar próximo de uma medida acurada de eficiência. Ainda mais importante, no entanto, provavelmente inexista entre os habitantes de uma cidade unanimidade sobre a prosperidade material ser o maior objetivo – alguns podem acreditar que o maior objetivo seja a justiça social ou outros objetivos ainda mais importantes.

Sem um ranking universalmente consensual entre os habitantes sobre as prioridades, o qual permitiria às autoridades públicas planejar racionalmente, novamente a eficiência econômica não seria possível. Tal unanimidade de opiniões pode até ser indesejável de qualquer modo em uma sociedade que deseja liberdade de pensamento e uma diversidade significativa de ideologias.

Segundo, a demanda por eficiência pode ser uma resposta para o aparente caos da vida urbana diária na esfera privada. Cidades vibrantes têm sido descritas como ineficientes no sentido de que a duplicação, tentativas e erros, falhas e decepções e crescimento explosivo imprevisto acontecem a elas como curso natural dos fatos. As pessoas freqüentemente utilizam a palavra ineficiência como termo abstrato para “coisas que não gosto” como crimes, poluição, congestionamento e doenças.

Entretanto, alguma medida de cada uma dessas coisas pode na verdade ser consistente com a eficiência econômica – tudo irá depender se os benefícios do abatimento são maiores que os custos para fazê-los, então a redução é eficiente; se não, então não é eficiente. Se os conceitos de eficiência e ineficiência econômica são inapropriados, que padrão normativo deve ser aplicado?

Na obra Delirious New York, Rem Koolhas escreve que “o lado negro da metrópole” é onde “um aumento astronômico dos desastres é por pouco maior que um aumento astronômico na habilidade de prevenção“ (Koolhas, 1994, pp 56 e 59). O sucesso fica à frente das falhas, raramente. Embora uma boa coisa, provavelmente isso não é um estado de coisas que uma pessoa razoável teria como objetivo. Contudo, ainda mais importante, não é o estado de coisas que alguém poderia deliberadamente buscar, mesmo se ela quisesse. A ineficiência genuína não pode ser planejada nesse sentido, não mais do que se possa errar nesse propósito.

Ao contrário de evocar a eficiência, emprestando o termo da ecologia (e de certas escolas heterodoxas de pensamento econômico [5]), devemos dizer que uma cidade vibrante é um processo, um processo “dinamicamente estável”, no qual forças positivas e negativas dos retornos, bem como mutações e a diversidade inesperada, se combinam sob as condições certas para gerar ordem ao longo do tempo [6]. Isso incorpora a tentativa e o erro, ganhos e perdas, a duplicação aparentemente sem sentido, os conflitos e a decepção, confiança e oportunismo e a descoberta de mudanças radicais. Isso tudo está na natureza da cidade vibrante.

Normativamente, então, devido ao fato de não ser possível prever com exatidão os  resultados que deveríamos focar ao contrário das regras do jogo que geram a estabilidade dinâmica. Por exemplo, a indústria do jeans parece ter renascido no centro de Los Angeles [7].  Com a terceirização para a Ásia das maiores indústrias, houve ameaça para as empresas locais que tinham previamente se especializado no trabalho de lavagem, jateamento, costura, empacotamento e mesmo na inspeção e reparo para essas companhias. A sua ineficiência, entretanto, significou oportunidades para novos empreendedores posteriormente, que encontraram não apenas a infraestrutura necessária, mas também o gosto das celebridades locais de Hollywood em comprar a sua produção.

Enquanto não é mero acidente que esses pequenos e diversificados operadores estivessem localizados próximos uns dos outros, ninguém planejou que isso acontecesse e alertou aos empreendedores que poderiam com maior eficiência revitalizar a indústria de Los Angeles. A indústria do jeans de Los Angeles surgiu dos remanescentes que resistiram ao processo de tentativa e erro. A dinâmica do processo global de empreendedorismo e competição gera “favelas” comerciais e industriais desse tipo a todo momento, mas como as favelas residenciais, não são todas iguais. Sob certas condições, podem ser a fonte para o futuro crescimento endógeno da economia. Esse tipo de empreendedorismo surge de oportunidades escondidas nos detritos de experimentos anteriores.

Quais são as condições, as regras do jogo, que tornam isso possível? Certamente, como a indústria de desenvolvimento do jeans exemplifica, são vitais uma diversidade de usos da terra e de gostos particulares, combinados com uma população densa. No entanto, isso poderia gerar pouca descoberta e desenvolvimento econômico sem a liberdade de mercado na busca pelas oportunidades onde ninguém mais imaginou e para desenvolver o espaço urbano de maneiras muitas vezes radicalmente diferentes de usos anteriores, bem como as expectativas dos planejadores urbanos. No contexto de liberdade econômica, a densidade e a diversidade, enfim, a “infraestrutura social” essencial de normas de reciprocidade e as redes de confiança podem emergir e promover a prosperidade vindoura [8]. Isso, na verdade, da matrix essencial cujas ações de indivíduos interagindo conforme uma ordem complexa, dinâmica e socialmente coerente. Esses são os fundamentos de uma cidade vibrante. E nada disso tem a ver com a noção estática de eficiência econômica ou racionalidade estrita.

Os Limites do Planejamento

De certa distância, muito da dispersão urbana e das cidades periféricas, até shopping centers, parece algo feio e caótico. Algo disso pode, de fato, parecer sem lugar e contra a cultura, mas certamente nem tudo o é ou o será (Garreau, 1991). Historicamente, o desenvolvimento econômico surgiu nas franjas das cidades tradicionais, no “faubourg”, no “suburbium”, ou no “portus” (Pirenne, 1952, p. 142). Tal crescimento desregulado raramente se conforma com as idéias dos planejadores sobre o que é “smart” [9]. Contudo, como em qualquer cidade vibrante, é a sua inerência e a sua ordem que devemos vivenciar mais de perto, enquanto isso, nas proximidades do coração da cidade, outras políticas públicas procuram com sinceridade, mas em vão, escolher quais os bairros que possuem valor para preservação e quais não, na esperança de direcionar conscientemente o desenvolvimento da cidade.

A lição que fica é que uma cidade viva e vibrante está sempre se tornando uma cidade viva e vibrante. É um processo que enfrenta tanto avanços extraordinários como falhas inconcebíveis. E como tal, ela não pode ser aperfeiçoada, nem com relação à eficiência ou quanto ao ideal – ou preservável, porque não se pode preservar algo que ainda está vivo. Se você tentar com muito empenho, você acabará sufocando e matando a cidade, ou, o que dá no mesmo, sufocando a sua espontaneidade. No máximo, pode-se alterar os rumos do que está em desenvolvimento – e então manter a fé, porque não há nenhuma garantia sobre os rumos que surgirão a partir dali.

Referência

[1] Empresto o termo “cidade vibrante” (living city) de Roberta Brandes Gratz (1989) e o utilizo no sentido do conceito de Jane Jacobs da “cidade” como “um assentamento que gera consistetemente seu crescimento econômico de sua própria economia local” (Jacobs, 1969, p. 262). Esse uso também pe consistente com o do sociólogo Max Weber (Weber, 1958) e o do historiador Henri Pirenne (1952).

[2] a referencia padrão a Moses é Caro (1975), mas para um tratamento mais simpático, ver Ballon e Jackson (2007).

[3] Johnson (2001) descreve os programas de computador que possuem qualidades emergentes, como aqueles encontrados em muitos sites que atualizam automaticamente a confiabilidade das  informações para os usuários, mas esses trabalhos de utilização da informação que muitas mentes separadas fornecem sem intenção.

[4] não estou aqui utilizando o conceito de eficiência energética, que é o sentido amplo que se refere à minimização da quantidade de recursos utilizados (por exemplo, petróleo) para chegar a um dado resultado final (por exemplo, o conforto humano). Na verdade, isso é algo que Jane Jacobs parece ter utilizado para falar de eficiência, “a razão de trabalho realizado com suprimentos de energia” em Jacobs (1969, p. 89). A eficiência econômica, em contraste, é um conceito de valor e se refere à minimização dos custos para se chegar a um dado nível de beneficio para uma pessoa particular. Eles não são as mesmas coisas. Entretanto, nada neste trabalho deveria ser construído como uma critica da eficiência energética per se, a menos que ela seja utilizada para se medir a eficiência de uma cidade qua cidade.

[5] veja, por exemplo, o trabalho de Israel Kirzner, como o (1992)

[6] em particular, ver a obra de Jacobs (2000)

[7] “Reborn in the U.S.A.” The New York Times (26 September 2007).

[8]  Jane Jacobs é pioneira sobre o conceito de redes sociais. Ela cunhou o termo “capital social” (1961, p. 188) e o utilizou em sentido comum atualmente por muitos sociólogos e economistas.

[9] a participação comunitária realizada a partir do governo abrandou os projetos de renovação urbana (urban renewal) e o planejamento (alto-modernista), mas as “comunidades” nunca são realmente ouvidas. Dado os limites de tempo e de habilidade cognitiva, apenas alguns têm voz e apenas um pequeno conjunto de preferências pode ser realmente refletido nas cidades. Sobre essa questão, ver Pennington (2004)

Trabalhos Citados

Ballon, Hilary and Kenneth T. Jackson (2007). Robert Moses and the Modern City: The Transformation of New York. New York: W.W. Norton.

Caro, Robert (1975). The Power Broker: Robert Moses and the Fall of New York. New York: Vintage.

Engels, Friedrich (1844). “The great towns,” abridged in LeGates and Stout (2003).

Garreau, Joel (1991). Edge City: Life on the New Frontier. New York: Anchor.

Gratz, Roberta Brandes (1989). The Living City: How America’s Cities Are Being Revitalized by Thinking Small in a Big Way. New York: John Wiley & Sons.

Hayek, F.A. (1967). “The result of human action but not of human design,” in Studies in Philosophy, Politics, and Economics. Chicago: Univ. of Chicago Press.

Hayek, F.A. (1945). “The use of knowledge in society” in Individualism and Economic Order. Chicago: Univ. of Chicago Press.

Jacobs, Jane (2000). The Nature of Economies. New York: Modern Library.

Jacobs, Jane (1969). The Economy of Cities. New York: Vintage Books.

Jacobs, Jane (1961). The Death and Life of Great American Cities. New York: Vintage.

Johnson, Steven (2002). Emergence: The Connected Lives of Ants, Brains, Cities, and Software. New York: Simon & Schuster.

Kirzner, Israel M. (1992). The Meaning of Market Process: Essays in the Development of Modern Austrian Economics. New York: Routledge.

Koolhaas, Rem (1994). Delirious New York. New York: Monacelli Press.

Le Corbusier (1929). “A contemporary city,” abridged in Richard T. LeGates and Frederic Stout (2003).

LeGates, Richard T. and Frederic Stout (eds) (2003). The City Reader. 3rd ed. New York: Routledge.

Pennington, Mark (2004). “Citizen participation, the ‘knowledge problem,’ and urban land use planning: An Austrian perspective on institutional choice.” The Review of Austrian Economics 17, no. 2:213-31.

Pirenne, Henri (1952). Medieval Cities: Their Origin and the Revival of Trade. Princeton: Princeton Univ. Press.

Read, Leonard E. (1958). I, Pencil. Irvington-on-Hudson, NY: Foundation for Economic Education.

Scott, James C. (1998). Seeing Like a State: How Certain Schemes to Improve the Human Condition Have Failed. New Haven: Yale Univ. Press.

Weber, Max (1958). The City. New York: Free Press.

Wilson, A.N. (2004). London: A History. New York: Modern Library.

Wilson, James Q. & George L. Kelling (1982). “Broken windows” in Legates & Stout (2003).

A Frequente Presença da Utopia no Urbanismo


A Frequente Presença da Utopia no Urbanismo

Em 17 de Dezembro de 2013, material de estudos do MIT

Para muitos, a reforma gradual das cidades não poderia superar o seu mal-estar essencial; o século XIX foi também o tempo das grandes expectativas e alternativas à forma física e social das cidades, muito freqüentemente em novos lugares imaginados bem longe dos existentes. A Utopia de Thomas Morus, escrita no século XVI, era tanto um ótimo lugar como lugar nenhum, uma ilha com 54 cidades onde a propriedade privada não seria tolerada. Muito freqüentemente as utopias foram construídas em oposição às doenças sociais identificadas: fraqueza familiar (os Kibbutz separando a criação das crianças); bebida e alienação (a reforma do caráter de Owen); falhas seculares (a abstinência de Shakers); puritanismo (a paixão comunal de Fourier); a desordem da sociedade industrial (as cidades-fábrica paternalistas de Pullman, Saltaire e Noisel-sur-Marne); supercentralização (o redistributivismo de Kropotkin e Morris). Muitas dessas opções falharam pela dificuldade de manter as fronteiras físicas (a paisagem do meio) e as fronteiras psíquicas (ser indivíduo e grupo ao mesmo tempo). Ainda assim o poder de todas essas idéias infiltrou no mainstream urbanism: rue interieure de Fourier, por exemplo. Comparada às reformas sociais, a sua arquitetura era bastante conservadora (os falanstérios de Considerant ou a cidade super-Krupp de Verne), recorrendo ao poder ou sofrendo por não possuir os recursos suficientes para a inovação do ambiente físico. A idéia de um quociente disponível é argumentada para o caso da Rússia após 1917. Apesar de essas idéias utópicas freqüentemente emanarem de pessoas não intelectuais, criticadas por esse motivo por Marx, a sua influência foi considerável: o efeito sobre Gandhi e a fazenda de Tolstoy em Johannesburg, por exemplo. A oposição antagônica foi estimulada, os escritos de Morris da deserção de Londres no News from Nowhere após ler a versão comunista de Bellamy de Boston no Looking Backward.

Para os arquitetos que propuseram novas alternativas para a cidade moderna, o estresse estava na organização espacial e formal da cidade, freqüentemente com noções ingênuas e emprestadas da sociedade que eles imaginavam habitar. Garnier, por exemplo, cuja proposta para uma nova cidade industrial foi publicada em 1917, argumentava que não haveria a necessidade por certos tipos de edifícios na cidade moderna porque “na nova sociedade, governada pela lei socialista, não haveria necessidade de igrejas, além do que, como os capitalistas seriam suprimidos, não haveria nenhum caloteiro, ladrão ou assassino.” A cidade de Garnier era toda de concreto e as esquinas eram formadas e servidas por uma tecnologia que produzia carros e aviões. Em seu zoneamento, era muito parecida com uma cidade-fábrica paternalista. O grande arquiteto, Le Corbusier, tinha uma convicção fundamental de que a resposta para muitos problemas urbanos restava na criação de um “plano correto”, um instrumento que seria apropriadamente independente da ideologia de seus criadores. Então, o seu plano de 1922 para a cidade moderna localizava os negócios no centro, mas o seu plano Voisin para Paris, três anos depois, foi rejeitada pelos capitalistas. Em 1930, o seu plano sindicalista para Moscou, agora com moradia no centro, não encontrou nenhum apoio entre os comunistas.

Frustrado pela incapacidade de os cidadãos de Algier adaptarem-se aos seus muitos planos para a sua cidade de 1933 a 1940, ele então apelou para o governo nazi-fascista da França Vichy e escreveu para Mussolini pedindo ajuda. Ele precisou aguardar até a metade do século XX para implantar algum plano integralmente, neste momento um plano para a nova capital da Índia (no período socialista do país). A grande produção arquitetônica de Frank Lloyd Wright, freqüentemente incluía comentários sobre as cidades, mas ele nunca projetou uma grande cidade. Ele escreveu um grande tratado, expressando filosofias tiradas de tantas fontes tais como do economista Henry George. Já tendo construído por 40 anos, Wright projetou a cidade de Broadacre, um pequeno assentamento para 7.000 pessoas durante a Grande Depressão. Seus princípios se acomodam no aparente direito americano de propriedade de automóveis (em 1929 mais do que cinco milhões de veículos foram produzidos nos EUA), um sentido de qualidade e de escala de pequenas empresas, ambos na produção de lojas de maquinário e na agricultura e uma comunidade conectada e informada em vez de um isolamento físico. Para algum grau de extensão não muito claro, Broadacre representa uma alternativa para o subúrbio americano. Meyer Shapiro pode ser injusto quando afirma que “a imaginação social de Wright não deveria ser classificada com a dos grandes utopistas em quem ele parece se inspirar”.

Referênicias

Benevolo. The Origins of Modern Town Planning. pp. 39-84.

Ciucci. The City in Agrarian Ideology and Frank Lloyd Wright. pp. 352-375.

Corbusier. The Radiant City. pp. 200-319.

Hayden. Seven American Utopias. Chapter 4.

Tafuri. The Crisis of Utopia: Le Corbusier at Algiers.

Tod, and Wheeler. Utopia. pp. 127-147.

Wiebenson. Tony Garnier: The Cite Industrielle.

O que é a questão da moradia?


O que é a questão da moradia? Notas sobre a precarização da moradia, o ideal da casa própria e a requalificação urbana segundo a visão marxista e uma crítica.

Em 29 de Outubro de 2013, por David

moradia

Morar em cidades significa um maior acesso a oportunidades que não são facilmente encontradas nas áreas rurais. Cidades grandes geralmente oferecem ainda melhores oportunidades, principalmente com relação ao acesso às amenidades urbanas, o acesso à educação, à saúde, ao saneamento e, talvez principalmente, o acesso ao mercado de trabalho. A cidade aumenta a produtividade do trabalho e permite maiores rendimentos para seus habitantes quando comparados aos moradores do campo. Esses benefícios atraem a população que espera se satisfazer dos ganhos em rendimento ou com outras questões pessoais, entretanto, os custos da cidade grande também são mais altos que o custo de vida no campo, ou em cidades menores.

Dentre os custos da cidade grande está o custo da moradia para o trabalhador que muitas vezes representa a maior porção de seu orçamento. Além disso, o acesso à moradia adequada é dificultado pelos altos valores cobrados e muitas vezes pela disponibilidade de habitações de boa qualidade. A crise da habitação e o déficit encontrados na maioria das cidades brasileiras, representado pela situação de moradias precárias em regiões sem infraestrutura, levantam o interesse de pesquisadores que buscam entender as razões dessa situação para buscar alternativas que melhorem esse cenário.

Entre os trabalhos mais citados entre urbanistas para responder às precárias condições de moradia, encontramos a obra “O Que é a Questão da Moradia?” dos pesquisadores Luiz C. de Queiroz Ribeiro e Robert M. Pechman ligados ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional – IPPUR . A leitura dessa obra – embora pequena, de grande influência na área – é importante para entender os demais trabalhos sobre a moradia e as soluções propostas pelos técnicos atualmente, principalmente aqueles que possuem um viés marxista em suas leituras.

Este artigo visa apresentar a visão predominante entre autores marxistas utilizados como linha guia a visão dos autores do livro – ótimo representante da visão marxista sobre a questão da moradia – e apresentar críticas a essa visão, enfatizando os problemas das conclusões a que eles chegam. Suas críticas também apresentam esclarecimentos sobre o ideal da casa própria e sobre a requalificação urbana dentro de um contexto marxista e por isso merecem uma leitura crítica. Leia mais deste post

Investimento Imobiliário: muito bom para ser verdade


Investimento Imobiliário: muito bom para ser verdade

Em 22 de Outubro de 2013, por Mark Thornton – texto originalmente publicado em 04/06/2004

Sinais de uma “nova era” na habitação estão em todos os lugares. A construção imobiliária está acontecendo em níveis recordes. Novos recordes para os preços no mercado imobiliário estão cruzando o país, especialmente nas costas leste e oeste. O boom nos preços de moradias e o recorde dos baixos níveis dos juros estão permitindo proprietários imobiliários a refinanciarem suas hipotecas, “extraírem o lucro” para aumentarem os seus gastos e reduzirem seu pagamento mensal. Assim como um profissional do setor de empréstimos explicou a mim: “é quase bom demais para ser verdade.”

Na verdade, isso é realmente bom demais para ser verdade. O que os profetas do novo paradigma imobiliário não discutem é que o mercado imobiliário experimentou ciclos similares no passado e que aqueles períodos descritos como novos paradigmas são freqüentemente seguidos de períodos de acomodação nos mercados, incluindo embargos de vendas, falências e falhas bancárias.

O caso da bolha imobiliária japonesa é instrutivo. O Japão teve uma bolha no mercado de ações na década de 1980 que foi muito similar à bolha americana da década de 1990. Assim que o mercado de ações japonês começou a ruir, o mercado imobiliário continuou a ser inflado. Um índice geral do mercado imobiliário japonês mostra que os preços subiram por quase dois anos após o crash do mercado de ações com preços ficando acima dos níveis pré-crash por mais de 5 anos. O boom na construção civil continuou por aproximadamente seis anos após o crash do mercado de ações. Os preços para imóveis comerciais, industriais e residenciais no Japão continuam a cair e estão abaixo dos níveis mensurados em 1985 quando essas estatísticas foram coletadas.

Já se passaram três anos desde que o mercado acionário americano quebrou. O presidente do Federal Reserve System – FED: o Banco Central Americano – Alan Greenspan indicou que os níveis de juros poderiam em breve reverter seu curso, enquanto as taxas de juros de longo prazo já se moveram para cima. Taxas de juros deveriam engatilhar um reverso no mercado imobiliário e expor as falácias desse novo paradigma, incluindo como o boom imobiliário ajudou a encobrir os aumentos da inflação de preços. Infelizmente, essa exposição irá ferir os proprietários e o maior problema é que possa atingir o pagador de impostos americano, que poderia ser forçado a socorrer os bancos e as hipotecas subsidiadas pelo governo a garantidores que encorajaram essas práticas irresponsáveis de crédito. Leia mais deste post

A Moradia na União Soviética


A Moradia na União Soviética

Em 15 de Outubro de 2013, por Master and Margarita

A propriedade privada da moradia foi abolida na União Soviética em 1918. Novas leis foram criadas para decidir quem poderia morar onde fosse planejado. A situação era particularmente complicada nas cidades para onde muitos proprietários se mudaram e houve grande imigração. O colapso imobiliário resultante dura efetivamente até os dias de hoje. As autoridades planejadoras do setor imobiliário determinavam quem deveria viver em cada local. Muitos prédios de apartamentos possuíam um comitê de Moradia administrado por um Gerente Residencial. Um exemplo muito semelhante de como isso funcionava pode ser visto na figura do Doutor Zhivago (1965), filme dirigido por David Lean e baseado no famoso romance de Boris Pasternak. Outro exemplo que apresenta de forma incrível o problema da moradia é o filme dirigido por Régis Wargnier Est- Ouest de 1999.

Se o apartamento parecesse muito grande para os inquilinos e se eles tivessem a sorte de poderem permanecer, eles eram forçados a dividir o espaço com quem o Comitê de Moradia autorizasse a se mudar. Algumas vezes grandes apartamentos eram simplesmente divididos. Por exemplo, um apartamento de três quartos pertencente a uma família se tornaria por decreto um apartamento de três quartos para três famílias. A cozinha, o hall e os banheiros deveriam ser compartilhados. Freqüentemente existia ressentimentos entre as várias famílias vivendo nos chamados коммунальная квартира (kommunalnaya kvartira), ou apartamentos comunais, especialmente se uma das famílias fosse a proprietária original ou se todas as famílias continuassem vivendo juntas por anos. Leia mais deste post

Leis de zoneamento destroem comunidades


Leis de zoneamento destroem comunidades

Em 02 de Outubro de 2013, por Try Caplin

As leis de zoneamento são uma violação de direitos de propriedade. Elas destroem o senso de comunidade da vizinhança, aumentam o crime, aumentam os congestionamentos, contribuem para a poluição do ar urbano e suburbano, contribuem para o empobrecimento, contribuem para a confiança no governo e contribuem com a ruína de nossas escolas. Muitos de nossos problemas urbanos e suburbanos surgiram com o zoneamento e com leis antipropriedade, para as quais programas de bem-estar e projetos de moradia pública têm contribuído. Cada uma dessas políticas surgiu da idéia de que a sociedade poderia e deveria ser desenhada de cima para baixo para aumentar a eficiência, o senso de comunidade e a prosperidade. O que de fato aconteceu foi justamente o contrário. Leia mais deste post

%d blogueiros gostam disto: