A Economia das Grandes Cidades

A Economia das Grandes Cidades

Em 31 de Janeiro de 2014, por Robert Murphy

Grandes e densamente populosas áreas urbanas colocam os princípios econômicos em uma panela de pressão. Os extremos da vida urbana tornam as coisas mais claras do que aconteceria em cidades menores. Com a certa combinação de empreendedorismo e estado de direito, áreas metropolitanas são como usinas de poder econômico.

A Divisão do Trabalho

Ludwig von Mises afirmava que a civilização mantém-se da maior produtividade possibilitada pela divisão do trabalho. Se cada um de nós tivesse que plantar a própria comida, costurar a própria roupa, construir o próprio abrigo e assim por diante, a maioria de nós não resistiria e sucumbiria, e os poucos sobreviventes subsistiriam em um estado de extrema pobreza.

Felizmente, cada um de nós pode se especializar em algumas tarefas nas quais possuímos vantagens comparativas (ou relativas), produzindo muito mais do que nossa necessidade individual. Por exemplo, o fazendeiro produz mais leite que sua família consome e pode beber usualmente, enquanto os trabalhadores da Ford produzem mais automóveis que podem dirigir. Cada um de nós vende a produção pelo maior valor que conseguir, para aqueles que estão agindo da mesma forma com seus produtos e serviços especializados.

Pelo fato de o trabalho ser mais produtivo quando distribuído desta forma, o resultado final se torna óbvio: é o maior possível. Pelo fato de haver mais bens circulando, o consumo per capita é maior e todos gozam de melhores padrões de vida do que teriam caso não houvesse especialização na produção e no comércio.

Esses princípios funcionam tanto para duas pessoas em uma ilha, como Crusoé e Sexta-Feira, quanto para grandes e movimentadas cidades. Assim que o dia começa, as pessoas já começam a “fazer a cidade funcionar”. Vendedores e feirantes colocam à vista dos consumidores as suas mercadorias, o sistema de transporte leva as pessoas para o trabalho e as lojas deixam as calçadas em ordem para recepcionar os consumidores. Entregadores circulam a informação e os bens de uma empresa a outra, enquanto caminhões trazem carne fresca para os vários restaurantes.

Nas maiores cidades, basta olhar pela janela para perceber o quanto somos dependentes da especialização das outras pessoas de nossa comunidade, que fazem o seu trabalho diário para manter a cidade funcionando plenamente. Toda comunidade é dependente das pessoas, mas nos condomínios é difícil perceber facilmente esses princípios econômicos em ação. Nessas vizinhanças, as pessoas apenas vêem seus vizinhos, longe dos centros comerciais, enquanto suas atividades produtivas estão escondidas dentro dos carros ou atrás dos muros que ficam a distância considerável.

Economias de Escala: os benefícios de grandes mercados

Não é mera coincidência que os melhores chefs, arquitetos, atores, médicos e advogados tendam a morar em grandes cidades. Considere o seguinte: suponha que certo chef possa preparar o melhor de todos os filés mignons, mas seja muito caro prepará-lo da maneira correta. Ele poderia administrar um restaurante lucrativo em Antonio Prado, Rio Grande do Sul, cobrando $100 pelo prato. No entanto, devido à pequena clientela de Antônio Prado, ele conseguiria servir, digamos,  30 refeições em uma noite típica. Isso seria o suficiente para manter o funcionamento, pagar o aluguel, pagar os salários dos dois ajudantes, comprar os ingredientes, mas não sobraria muito para o próprio chef.

Em contraste, se ele trabalhar em Porto Alegre, ele pode contar com o trabalho de boa propaganda, arquitetos para o projeto de interiores e outros indivíduos criativos que se esforçarão para criar um restaurante mais impactante. Ele também poderá contratar os melhores garçons do estado, pois eles tenderão a se mudar para Porto Alegre. E o melhor de tudo, devido à potencial clientela, maior e mais rica, se nosso chef for tão bom quanto ele pensa que é, poderá cobrar $250 pelo prato e servir 200 refeições em uma noite padrão. As suas despesas seriam muito maiores que as despesas em Antônio Prado, com certeza, mas proporcionalmente seriam menores. Ao aumentar a escala de sua  produção, o rendimento de nosso chef master será maior.

Uma vez que começarmos a pensar nos diversos cenários econômicos sob essa perspectiva, poderemos entender por que o “melhor X” – sendo X comida chinesa, sapatarias, lojas ou livrarias – está tipicamente disponível nas maiores cidades.

A Racionalidade dos Preços de Mercado

Na seção anterior estabelecemos a enorme vantagem para ser um produtor nas grandes cidades: há grandes mercados e clientes potenciais, muitos dos quais são extremamente ricos. Alguém que se torne bem sucedido em uma grande cidade pode se tornar milionário em um ano, enquanto seria muito mais difícil de isso acontecer em uma área rural composta por algumas fazendas e sítios.

Porém, se esse for o caso, por que nem todas as pessoas talentosas se mudam para as grandes cidades? E por motivos semelhantes, se todos os melhores bens e serviços estão nas grandes cidades, por que nem todos os potenciais consumidores se mudam para as maiores cidades também?

Bem! Nem todas as pessoas gostam de aglomeração e não se mudariam por essa razão. Contudo, a maior razão é que os preços do solo se elevam para buscar a racionalidade de uso entre todos os potenciais moradores e usuários. É extremamente caro comprar ou alugar um imóvel em uma rica área urbana. Conseqüentemente, os apartamentos e casas são maiores que seriam (tudo o mais constante) em cidades menores e menos ricas.

O alto preço da localização reduz o potencial de lucratividade das várias empresas que procuram as vantagens da economia de escala das grandes cidades e sua população maior  e mais rica. Por exemplo, uma boa confeitaria vai movimentar seu estoque de doces, bolos, tortas e bebidas muito mais rapidamente em Belo Horizonte que uma em Tiradentes. Por outro lado, os proprietários da confeitaria de Belo Horizonte terão que pagar altíssimos aluguéis, maiores que os de Tiradentes. De modo a fazer o negócio progredir, a confeitaria de Belo Horizonte terá que cobrar preços maiores para os “mesmos produtos” (refrigerantes, por exemplo) enquanto oferece produtos ainda mais caros e exclusivos, como tortas especiais, diferente do que a confeitaria de Tiradentes poderia cobrar e oferecer.

Os altos preços da localização dos espaços comerciais irão buscar racionar o espaço para apenas os melhores dos melhores que poderão arcar com seus custos em comparação com outras cidades. Além disso, esses maiores preços irão assegurar que nem todos irão se mudar para as maiores cidades e metrópoles devido aos altos custos de vida. Muitas pessoas dizem:” Com certeza existem os melhores restaurantes e musicais, mas Manhattan é tão cara!”. Apenas as pessoas que realmente gostam das grandes cidades estão dispostas a pagar por elas.

 Conclusão

Pensar sobre a economia das grandes cidades lança luz sobre grandes princípios dos livres mercados. Como sempre, vemos que os direitos de propriedade e as trocas voluntárias trazem prosperidade para a humanidade. Os preços de mercado dão os sinais de modo que os produtores e consumidores se organizem da forma mais eficiente possível, de acordo com suas capacidades e preferências.

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2 Responses to A Economia das Grandes Cidades

  1. curioso says:

    Errinho de tradução no começo: … afirmava que a civilização repousa sobre… e não “resta”, que em português quer dizer outra coisa.

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