Acabaram os Dias de Bonança do Setor Público

Acabaram os Dias de Bonança do Setor Público

Em 16 de Setembro de 2013, por Patrick J. Buchanan

San Bernardino, na Califórnia, está seguindo o exemplo de Stockton e indo à falência. Harrisburg e Scranton, na Pensilvânia e o condado de Jefferson, no Alabama, voltando a Birmingham, já estão lá para dar-lhes boas-vindas.

Detroit foi à bancarrota por Michigan. Um plano sob discussão é reverter um quarto da cidade em pasto e área agrícola como eram cerca de cem anos atrás.

Na web, é possível encontrar um conto pictórico de duas cidades: Hiroshima, uma ruína flamejante e esfumaçada em 1945, hoje é uma metrópole bela e radiante. Detroit, forja e fornalha da democracia em 1945, hoje se assemelha a Dresden após os bombardeiros da Segunda Guerra.

Outras cidades americanas estão explorando a idéia de falência para escapar por debaixo das montanhas de dívidas que se acumulam ou escapar dos contratos que as gerações anteriores de políticos negociaram. Não mais vista como vergonhosa, a falência é hoje vista como uma opção para as cidades americanas. A crise do setor público chegou a River City.

O que aconteceu?

Durante a prosperidade da era Reagan-Clinton, políticos ganharam popularidade com discursos e ações que só poderiam ser alcançados se os ótimos tempos durassem para sempre. Eles aumentaram os beneficiários junto aos velhos programas e lançaram novas políticas. Contrataram mais burocratas, médicos, professores, bombeiros, policiais. A fatia governamental da força de trabalho saltou para 22,5 milhões. Isso é quase três vezes maior que o setor público de quando Kennedy tomou posse. A esses empregados foram garantidos segurança de trabalho e altos salários, subsídios para planos de saúde e promessas de aposentadorias antecipadas e gordas pensões que o setor privado jamais conseguiria oferecer.

A balança pendeu do setor privado para o público. Na composição dos pagadores de impostos americanos, o número diminuiu e, em contrapartida, o número de beneficiários dos programas governamentais e de empregados do governo recebedores de impostos aumentou.

1% dos maiores pagadores de impostos contribui hoje com 40% em impostos de renda. Os 10% do topo com 70%. A metade inferior, formada por milhões de trabalhadores, não paga absolutamente nada. Eles pegam carona grátis. Isso não teria como funcionar para sempre. E quando algo não pode funcionar para sempre, como diz a Lei de Stein, ela pára. A Grande Depressão parou a tendência; chegamos ao fim da linha. As cidades americanas dependem dos impostos sobre a propriedade e sobre as vendas. Porém, a receita dos impostos sobre a propriedade entrou em colapso com o mercado imobiliário. A receita dos impostos sobre as vendas caiu como resultado da recessão que tem mantido os consumidores longe das lojas.

Com as receitas em baixa, as cidades e condados encaram uma escolha. Aumentar os impostos ou cortar a folha de pagamento e de serviços. Contudo, se os impostos subirem ou os trabalhadores forem demitidos e os serviços declinarem, os americanos irão se mudar para outras cidades e estados, como eles estão fazendo ao partirem da Califórnia para o Colorado, Nevada e Arizona.

Isso não acaba com a crise, mas a exacerba.

A falência não apenas oferece às municipalidades um alívio para o pagamento dos juros sobre os títulos públicos de dívida, ela também permite aos prefeitos que rompam com os contratos com os sindicatos dos serviços públicos. Desde que a recessão começou, 650.000 trabalhadores do governo, empregados de quase todas as cidades, condados e estados perderam o emprego. Milhões viram cortes de pagamento e de benefícios.

Os gloriosos dias do setor público acabaram. Do Vale de San Joaquin para a Espanha, seus números se agravaram e os benefícios começaram a ser cortados. Uma declaração de falência realizada por algumas cidades, entretanto, tem um impacto sobre tudo – pois ela normalmente envolve uma moratória sobre dívidas. Isso aterroriza os investidores, que então tendem a demandar maiores taxas de juros pelos riscos em ascensão que encaram quando compram novos títulos públicos municipais que financiam a educação e os projetos de infraestrutura urbana das cidades solventes. As cidades e condados não têm nenhuma escapatória para esse ciclo vicioso. Aumentos nos déficits e nas dívidas forçam novos impostos e cortes no orçamento da educação, da segurança pública e da defesa civil. Os residentes começam a ver a sua cidade em decadência, fazem as malas e vão embora.

Então esse movimento reduz ainda mais a base de coleta de impostos municipais e aumenta o déficit. E desse modo o processo continua ininterruptamente. É exatamente isso que está acontecendo na Espanha e na Grécia, que já alcançaram o estágio de baderna e agitação popular dos anos 1930 e estão vendo partidos radicais extremistas se ascenderem.

Desde o New Deal, o keynesianismo tem sido a resposta para a recessão. Com o declínio do setor privado, o setor público expande para preencher esse vazio deixado até o setor privado ganhar saúde novamente. Apenas keynesianismo não está funcionando.

Obama despejou US$ 800 bilhões em estímulos e 4 déficits que totalizam US$ 5 trilhões. O FED (banco central americano) triplicou a oferta monetária e baixou as taxas de juros para perto de zero. Os bancos estão forrados de dinheiro, contudo, a máquina parece não estar querendo funcionar.

O que acham de cortes nos impostos sobre a oferta? Mas com os cortes da era Bush ainda em operação, os impostos estão na menor parcela do PIB em décadas.

Qual o tamanho de um déficit possível de operar? Economistas Liberais (Liberals – nos EUA são os progressistas, do partido democrata principalmente) estão dizendo: que se lasquem os déficits!, imprima dinheiro e torre! Com os Republicanos bloqueando os aumentos nos impostos e os Democratas resistindo aos cortes no Medicare, Medicaid e na seguridade social, todos os olhos se voltam para o FED.

Como Milton Friedman dizia: “inflação é a forma de taxação que não precisa ser imposta por uma legislação”.

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