Rothbard Sobre o Preço do Solo

Rothbard Sobre o Preço do Solo

Em 13 de Agosto de 2013, por Robert Murphy

No início do capítulo 9 de Man, Economy, and State, Rothbard oferece um sumário sucinto de boa parte da análise subseqüente de seu livro.

Temos utilizado o termo renda (rent) em nossa análise como significado do preço contratado pelos serviços dos bens. Esse preço é pago pelas unidades de serviço, distinguindo-se dos preços de fatores completos que abrangem o serviço. Haja vista que todos os bens possuem unidades de serviços, todos os bens terão ganhos de renda, sejam eles bens de consumo ou bens de produção. A renda futura de bens duráveis tendem a ser capitalizadas e incorporadas no seu valor de capital e, portanto, no dinheiro presente necessário para a sua aquisição. Como resultado, os investidores e produtores desses bens tendem a simplesmente receber um retorno de juros sobre o seu investimento (p. 557-558).

Suponha que investidores calculassem que um acre adicional da fazenda do sr. Smith os permitisse a aumentar seus ganhos anuais em $250. Se tivéssemos livre competição (i.e. nenhuma restrição governamental), em equilíbrio esperaríamos que os investidores pagassem aproximadamente $250 por acre ao ano para o arrendamento da terra do sr. Smith.

Agora suponha que, ao invés de arrendar a sua terra, o sr. Smith queira vendê-la. Quanto ele poderia esperar em conseguir por ela?

No caso ideal de certeza sobre o futuro, a resposta é que Smith capitalizaria o valor presente descontado de todos os pagamentos futuros de renda do interesse da terra. Por exemplo, suponha que seja esperado manter pagamentos anuais perpétuos de $250 pelo arrendamento. A uma taxa constante de juros de 5%, o preço de mercado de um acre da terra de Smith seria de $5.000. Isso é a quantia que Smith poderia pedir e quanto ele deveria receber ao vender o seu terreno, pelo menos em um mundo no qual todo mundo tem certeza quanto ao poder de produtividade da terra e a uma taxa de juros constante.

Para entender o porquê de essa ser a resposta, considere um investidor com $5.000. Ele pode utilizar seu dinheiro para comprar um título que pague 5% ao ano (pois assumimos essa taxa hipotética). Isso significa que nosso investidor poderá receber $250 em pagamento de dividendos por ano – também deve comandar um preço de compra de $5.000.

No momento que entendemos o processo básico, fica fácil entender como mudanças no contexto irão influenciar os preços do solo. Por exemplo, se um crescimento na população aumentar a demanda por comida, de modo a fazer com que arrendatários pagassem agora $500 por ano, então o preço de mercado pela parcela do solo subiria de $5.000 para $10.000.

Por outro lado, suponha que o preço da renda da terra permaneça a $250 ao ano, mas que a preferência temporal da comunidade (o grau de impaciência) aumente de modo a tornar a taxa de juros anual a 10%. Agora o valor do bem capitalizado da terra cai de $5.000 para $2.500. Mesmo sendo a terra tão produtiva quanto antes (inclusive no total de renda anual), a taxa de juros maior significa um desconto duas vezes mais pesado sobre a transferência futura de dinheiro. Assim, o preço corrente de mercado cai pela metade com o aumento da taxa de juros de 100%.

A terra marginal recebe uma renda positiva:

Rothbard explica que, em nosso mundo, é um fato empírico que trabalho é mais escasso que terra (land – que pode significar também espaço e recursos naturais). Logicamente poderíamos imaginar o contrário, mas nosso mundo real não permitiria tal fato. Conseqüentemente, dependendo do tamanho da população e de outros fatores, a qualquer momento podemos arranjar as porções de terra em um espectro de espaços com menor valor a espaços com maior valor.

Pelo fato de ser a terra mais abundante que o trabalho, sempre haverá um limiar denotando a porção marginal de terra, que significa aquela porção justa que é digna de cultivo. A terra mais fértil (ou mais desejável) é a terra supramarginal, que oferece maiores ganhos em renda que a terra marginal. Em contraste, a terra submarginal oferece ganhos zero e não é integrada ao processo de produção.

Rothbard distingue a perspectiva austríaca da conclusão padrão hegemônica:

“É importante reconhecer … que a terra marginal não oferecerá renda nula, mas apenas próxima de nula. A razão é que, na ação humana, não há continuidade infinita e a ação não pode proceder infinitamente em pequenos passos. Escritores com mentes matemáticas tendem a pensar em tais termos, de modo aos pontos antes e depois do ponto sob consideração tenderem todos a margearem uns aos outros. A utilização de terra marginal, entretanto, pagará apenas se ela oferecer alguma renda, mesmo que seja bem pequena (p.560).”

Em outras palavras, economistas convencionais tendem a pensar a terra marginal oferecendo renda nula, pois essa é a única conclusão lógica se dividirmos o espectro de terras férteis em unidades infinitesimais. Porém, segundo a visão austríaca – caracterizada pela escolha intencional, ao contrário da indiferença – alguém irá obviamente oferecer uma parcela de terra ao cultivo apenas se ela oferecer uma renda possível (entretanto pequena).

Introduzindo a incerteza:

Já lidamos com o caso simples, porém irreal no qual os ganhos de renda de um pedaço de terra eram constantes. Rothbard discute os complicadores das mudanças e como os empreendedores lidam com isso:

Nesse momento, vamos considerar o maior bicho papão dos georgistas (seguidores de Henry George) – a especulação de terra que mantém espaço produtivo longe do uso. De acordo com os georgistas, uma grande quantidade de malefícios econômicos, incluindo as depressões dos ciclos econômicos, surgem das ações especulativas de solo sem uso, que causam então uma escassez artificial e altas rendas para os locais em uso…

Em muitos casos, entretanto, um sítio de terra uma vez destinado a alguma linha de produção não poderia facilmente, ou sem custos substanciais, mudar para um outro ramo produtivo. Onde o proprietário do espaço antecipa que uma linha melhor brevemente se tornará disponível ou está na dúvida da melhor destinação para o espaço, ele irá segurar o solo sem uso se sua poupança de “custos sobre a mudança” for maior que seu custo de oportunidade para esperar e se abster presentemente de receber alguma renda. O especulador de terras está, então, fazendo um grande serviço aos consumidores e ao mercado ao não colocar sua propriedade em uma produção mais pobre. Ao esperar para colocar sua terra em um uso produtivo superior, ele está alocando a terra para os usos mais desejados pelos consumidores.

O que provavelmente confunde os georgistas é o fato de vários sítios e terrenos permanecerem ociosos e ainda comandarem um preço capital no mercado. O preço capital do terreno pode ainda aumentar enquanto ele permanece ocioso. Isso não significa, entretanto, que algum tipo de vilania está ocorrendo, isso simplesmente significa que nenhuma renda do sítio é esperada pelos primeiros poucos anos, embora ofereça ganhos positivos após esse tempo. O valor capital da terra crua, como temos visto, soma o total descontado de todas as rendas futuras, dependendo da taxa de juros. Não há, no entanto, nenhum mistério no fato de o valor capital para o terreno ocioso, ou nele próprio, aumentar. O terreno não está sendo maldosamente segurado fora da produção (p.570-571)

Podemos ilustrar a análise de Rothbard com dois exemplos. Primeiro, considere algo que é muito típico nesses dias: um edifício comercial vazio com uma placa na janela com os dizeres – “aluga-se”. Agora suponha que esse edifício permaneça nessa condição ociosa por alguns meses. O que deveríamos fazer com esse resultado estranho?

Num primeiro momento – e se desconsiderarmos os problemas de incerteza de um mundo real – a proprietária do edifício parece ser uma tola. Além de tudo, se ela apenas reduzisse seu preço, certamente poderia conseguir algum inquilino para o prédio e começar a receber um aluguel. Sem importar quão baixo seria o preço, alguma coisa é melhor que nada e assumir um inquilino não danificaria fisicamente as premissas.

Na verdade, essa crítica à nossa hipotética dona da edificação é injusta. No mundo real, a dona do prédio não sabe exatamente quanto os potenciais inquilinos estão dispostos a pagar para alugar o seu espaço. Se e quando ela aceitar um novo inquilino, eles assinarão um contrato garantindo ao inquilino o espaço por um certo tempo (talvez um ano ou mais), sujeito a várias condições. Isso ocorre porque o inquilino não se arriscaria a começar um negócio para apenas dois meses depois ser chutado de lá porque a dona encontrou um novo inquilino querendo pagar mais pelo aluguel.

Dado que esse será o tipo de acordo que ela alcançará com um novo inquilino, ela não irá simplesmente abaixar a proposta hora a hora até fechar um acordo após o primeiro dia de oferta. Ao contrário, ela irá informar um preço (talvez bastante otimista) pelo qual ela iria ficar satisfeita. É mais valioso para ela manter o espaço vazio, talvez por alguns meses, esperando encontrar um inquilino especial que pague o preço por ela pedido.

Então vemos que mesmo em um Mercado não prejudicado, há razões para os recursos permanecerem “ociosos”. O processo aqui é análogo a uma pessoa desempregada buscando emprego. Há uma procura genuína envolvida, onde as partes de um negócio mutuamente benéfico ainda precisam se encontrar.

Como exemplo diferente, suponha que o governo tenha declarado uma porção particular de terra como banhado, tornando-a ilegal comercialmente para o desenvolvimento. Originalmente a terra tinha o preço de $0,00. Entretanto, alguns conhecidos internos ouvem pelos corredores que os planos da administração pretendem remover as restrições. Se isso acontecesse, então a turfa poderia ser drenada e um shopping poderia ser construído ali, fornecendo incríveis retornos financeiros para os donos.

Nesse Segundo cenário, os privilegiados informados poderiam comprar a terra de seu dono original e até pagariam um preço pesado pelo espaço, se necessário. Aqui também podemos ver a terra oferecendo um preço de compra positivo mesmo sem fornecer nenhuma renda.

 Conclusão:

A Escola Austríaca é conhecida por suas contribuições para as teorias do capital e dos juros, bem como do empreendedorismo. Essas questões surgem conjuntamente na explicação do mercado de terras. Como sempre, a exposição de Rothbard em Man, Economy, and State é de fácil compreensão e clara como cristal. Para aqueles que esperam uma visita guiada pelo livro

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