O Fracasso dos Planejamentos Estatais

O Fracasso dos Planejamentos Estatais

Em 16 de Abril de 2013, por Randal O’Toole – Artigo publicado no Baltimore Sun em 27 de dezembro de 2007.

Depois de mais de 30 anos examinando planejamentos governamentais, como projetos para florestas, parques, bacias hidrográficas, proteção da natureza, energia, urbanização e transportes, concluí que o planejamento governamental quase sempre traz mais danos que benefícios.

A maioria dos planos governamentais são tão cheios de invenções e hipóteses insustentáveis que não valem as folhas de papel em que são impressos, muito menos os milhões de dólares em impostos pagos para que tais planos sejam formulados. Os governos federal, estadual e municipal deveriam revogar as leis de planejamento e fechar as repartições planejadoras.

Palestra de Randal O’Toole sobre planejamento urbano

Todos nós planejamos. Porém, os planos privados são mais flexíveis e nós, felizmente, os modificamos quando uma nova informação aparece. Por outro lado, grupos de interesse fazem pressão para que os planos governamentais que os beneficiem nunca mudem – custem o que custar. Como qualquer outra organização, as agências governamentais precisam planejar seus orçamentos e seus projetos de curto prazo. Mas fracassam quando escrevem planos amplos (que tentam dar conta de todos os efeitos colaterais), planos de grande abrangência ou planos que tentam controlar propriedades e recursos de outras pessoas. Na verdade, vários dos planos estatais são amplos, abrangentes e também tentam controlar propriedades e recursos alheios.

Planos amplos falham porque florestas, bacias hidrográficas e cidades são muito complicadas para qualquer pessoa entender. A ciência do caos revela que diferenças bem pequenas nas condições iniciais levam a grandes diferenças nos resultados finais – é por isso que o custo de megaprojetos como o Big Dig, de Boston, ultrapassam tanto seus orçamentos iniciais.

Planos de grande abrangência fracassam porque os planejadores prevêem o futuro tão mal quanto qualquer outra pessoa. Seus planos são tão ruins quanto suas previsões.

Fazer planos para a propriedade e os recursos de outras pessoas não dá certo porque os planejadores não pagarão os custos que impõem a outras pessoas. Dessa forma não há incentivos para encontrar respostas melhores.

A maioria dos 32 mil planejadores profissionais dos Estados Unidos se graduou em escolas que possuem uma relação muito próxima com cursos de arquitetura, o que lhes dá uma fé exagerada em projetos. Isso significa que muitos planos concentraram esforços enormes para tentar controlar projetos urbanos, enquanto negligenciaram outras ferramentas que poderiam resolver problemas sociais com custos bem menores. Por exemplo, os planejadores propõem reduzir a poluição causada pelos automóveis aumentando a densidade demográfica, para dificultar a circulação de automóveis. Ainda assim, a área urbana de maior densidade dos Estados Unidos, Los Angeles, tem apenas 8 por cento menos viagens com uso de carro que as áreas menos densas do país. Enquanto isso, os avanços tecnológicos dos últimos 40 anos, os quais os planejadores ignoram, reduziram a poluição causada por automóveis em 99 por cento.

Os piores planos do momento são os chamados planos administrativos de crescimento, preparados por estados e áreas metropolitanas. Eles tentam controlar quem melhora sua propriedade e como exatamente tais melhorias devem ser – inclusive sua densidade populacional e em relação a seu uso comercial, residencial, entre outros. Aproximadamente doze estados americanos requerem ou encorajam suas áreas urbanas a escreverem planos como esses. Tais estados têm algumas das residências mais caras do país, enquanto na maioria dos estados e regiões que não escreveram quaisquer planos, o preço dos imóveis é mais acessível. A razão é simples: o planejamento limita o suprimento de novas casas, o que faz o preço de todos os imóveis aumentar.

Em estados com leis que administram o crescimento, o preço médio dos imóveis em 2006 foi de quatro a oito vezes maior do que a renda média familiar. Na maioria dos estados onde não existem leis desse tipo, o preço médio era apenas duas ou três vezes maior que a renda média familiar. Poucas pessoas se dão conta de que a recente bolha imobiliária, que afetou principalmente regiões onde o planejamento supera o crescimento, foi causada por planejadores tentando projetar socialmente as cidades. Porém, na realidade, pouco se fez efetivamente com relação à proteção dos espaços abertos, a redução do uso de veículos e todas as outras coisas que os planejadores prometem fazer.

Políticos usam o planejamento governamental para a alocação em larga escala de recursos escassos. Ao invés disso, deveriam garantir que os mercados – baseados em preços, incentivos e direitos de propriedade – funcionem. Estradas com preços de pedágio variáveis ajudaram a reduzir os congestionamentos. O comércio de créditos de carbono faz mais em favor de um ar mais puro do que os apelos para que as pessoas dirijam menos. Dar às pessoas liberdade para usar sua propriedade e apenas garantir que seu uso não prejudique outras pessoas manterá os preços dos imóveis acessíveis.

Em contraste com os planejadores, os mercados conseguem lidar com a complexidade. Mercados futuros amortecem os resultados de mudanças inesperadas. Os mercados não eliminam a propriedade governamental, mas os melhores projetos dos governos são os financiados por impostos pagos pelos usuários, o que faz os administradores governamentais agirem, efetivamente, como proprietários privados. Ao invés de fugirem de suas responsabilidades entregando a resolução de problemas difíceis aos planejadores governamentais, os elaboradores de políticas deveriam se certificar que os mercados dêem às pessoas o que elas querem.

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One Response to O Fracasso dos Planejamentos Estatais

  1. Encontrei o site no IMB. Grande ideia, grande iniciativa! Precisamos multiplicar os espaços do pensamento livre, da liberdade de pensamento e do pensamento da liberdade.

    Parabens!

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