Arquitetura da Liberdade

Arquitetura da Liberdade pretende ser um espaço de divulgação e discussão de idéias alternativas e pouco convencionais a arquitetos e urbanistas. Não somos ligados a nenhuma instituição de pesquisa ou de ensino, ou a algum órgão ou entidade. Nosso interesse é aprofundar o conhecimento sobre a produção do espaço, seu funcionamento, sua lógica, sua utilidade, sua finalidade e publicar os resultados dessa busca para quem estiver interessado em caminhar conosco e nos auxiliar. De modo a alcançar esse objetivo, publicaremos neste espaço traduções, análises críticas e resenhas que abordam a arquitetura – como ciência, arte, técnica e prática – do ponto de vista da liberdade e da ação humana, ou seja, a partir da lógica da ação humana: a praxeologia.

Pensar os fundamentos da produção do espaço de um modo geral, e da arquitetura de um modo particular, exige ampliar os campos de estudo. Exige reunir as informações necessárias e integrá-las de modo sistemático e racional. Exige um exercício interdisciplinar possível apenas com um método adequado e objetivo, que permita o entendimento integrado de fenômenos, causas e efeitos, bem como, e principalmente, o conhecimento das limitações de nosso conhecimento. Antes de qualquer passo, precisamos conhecer nossas limitações e trabalhar com elas de modo a não criarmos falsas idéias ou utopias. Não queremos seduzir o leitor com idéias fantásticas, porém falaciosas. A própria palavra sedução significa “tirar do caminho”. Propomos a busca honesta e incansável pela verdade.

Pensar a prática da arquitetura exige entender os fundamentos filosóficos da ética e a sociedade como um ambiente de liberdade, de cooperação social e de divisão do trabalho. Não somos autônomos, dependemos da sociedade para a manutenção da vida; produzimos com o resultado do trabalho de nossos semelhantes e eles com o produto de nossa criatividade. Utilizar a arquitetura contra a liberdade produz conseqüências não intencionais e indesejadas, cujos resultados são maléficos tanto do ponto de vista moral, como do ponto de vista utilitarista. Muitas vezes essas conseqüências indesejadas não são entendidas devido a problemas da abordagem e nos métodos científicos utilizados, principalmente quando as intenções são vistas com maior importância que os meios utilizados e os resultados das ações. Pretendemos aprofundar esse entendimento neste espaço para auxiliarmos aqueles que como nós desejam evitar as conseqüências não intencionais das ações na produção do espaço.

Para nos auxiliar neste caminho nebuloso de estudo, interpretação e análise, utilizaremos a praxeologia para iluminar nossos passos e balizar nossas limitações. Sabemos que chegar ao cume é importante, mas a graça está no meio, está no caminho. Aproveitar ao máximo a caminhada, com seus obstáculos, perigos e paisagens poderá se mostrar ainda mais prazeroso que alcançar o objetivo final: objetivo este que pode ser apenas uma desculpa para a aventura. Planejar esse passeio e executá-lo é um modo de refletir sobre nosso próprio trabalho na arquitetura, bem como sobre a arquitetura como ferramenta da razão humana.

Arquitetura é um meio técnico e muito subjetivo de intervenção no espaço. O arquiteto é um especialista no desenho e na racionalização do meio, ele intervém de modo a dar um significado ao espaço por ele planejado, seja de forma mais funcional ou pelo exercício estético. Seja o projeto da escala que for, no momento em que existe um intuito racional nos traços rabiscados no papel, o arquiteto está colocando a sua criatividade em operação para resolver problemas e propor soluções. Dito de outra forma, ele está pensando em meios para alcançar fins desejados, está pensando em como colocar em ordem várias informações, ferramentas, conhecimento, trabalho, materiais e principalmente o espaço, todos dispersos na sociedade, na forma mais criativa possível para resolver as questões a ele apresentadas. E é aqui que a liberdade se renderiza em suas perspectivas mais sublimes. O arquiteto não pode, moralmente falando, impor a sua vontade; ele está vinculado a um contrato, a um acordo. Tampouco pode o cliente impor-se contra a vontade do arquiteto. No momento em que se associam, ambos concordam voluntariamente com os termos e trabalham juntos para alcançar um objetivo comum de benefício mútuo.

O arquiteto só se torna arquiteto quando reconhecido e contratado como tal. É a liberdade de ação dos indivíduos que ratifica a profissão e o seu conhecimento específico. Entender essa questão expõe as limitações ao ego profissional e reforça a necessidade de humildade no trabalho cotidiano. Também ajuda na busca diária e incansável por maior valorização na sociedade como um todo, ao contrário de acreditar que decretos e regulamentações possam, com o uso da força, atrair maior valorização por parte das outras pessoas.

A liberdade de criação do arquiteto encontra limites naturais e praxeológicos. É impossível e ingênuo tratar de liberdade como se fosse possível idealizar situações mágicas e mundos fantásticos. A realidade impõe a sua regra a que o arquiteto não pode escapar, ele deve trabalhar com isso e ser responsabilizado pelos efeitos de suas ações. Mas o mundo não é estático e o homem pode e deve aprender com as suas experiências. O arquiteto não é um ser especial e a liberdade é a única forma de aprendizado, de correção, mudança de rumos e de evolução material e espiritual. Sem a liberdade praxeológica, e a cooperação humana decorrente dela, as informações criadas pela sociedade são obstruídas e os melhores meios para transformar a natureza da forma menos intrusiva, mais satisfatória e sustentável, são prejudicados. Como dito, a natureza impõe a sua linguagem e a lógica, racionalmente apreendida por nós, é o que permite que entendamos como trabalhar uns com os outros em um mundo de escassez que juntos buscamos reduzir com trabalho e criatividade. A arquitetura é um meio incrível para esse trabalho. Dentro de seus limites podemos agregar o belo ao funcional, de modo cada vez mais econômico e assim oferecer alternativas para contornar a escassez material que a natureza nos impõe e tentar construir um mundo mais prazeroso.

Entretanto, para que isso ocorra é necessário um ambiente flexível, tolerante e permeável a idéias alternativas; um ambiente amigável ao erro e influente e estimulador ao sucesso. Nossa perspectiva pretende demonstrar que esse ambiente só é possível quando os direitos fundamentais de cada indivíduo, ou seja, a sua vida, a sua liberdade e a propriedade honestamente adquirida pelo seu trabalho são respeitados de forma absoluta, sem relativismos criados por engenheiros sociais e demagogos. Apenas assim esse ambiente social permitirá a melhora de condições para cada um de nós, facilitando a convivência e reduzindo os danos de nossas ações. A própria arquitetura, nossa ferramenta racional de intervenção no espaço, terá o melhor desenvolvimento em um ambiente de liberdade, ao contrário de um ambiente controlado e planejado centralmente.

Com essa mensagem em mente, reiteramos ao leitor que nosso intuito é utilizar a lógica para pensar a produção do espaço em um ambiente de liberdade e responsabilidade individuais. Buscamos difundir idéias e com elas tornar o mundo mais belo, justo e verdadeiro, como diz Hans H. Hoppe. Essa é a nossa arma e com ela buscamos apresentar uma alternativa ao pensamento único tão difundido na profissão e freqüentemente aplicado de forma coercitiva, com tamanhas conseqüências não intencionais destrutivas já produzidas – sempre feias, injustas e defendidas apenas com manobras falaciosas.

Mises costumava afirmar que idéias são mais poderosas que exércitos. É uma mensagem bastante otimista e é com ela que queremos inaugurar este espaço alternativo ao pensamento hegemônico para tratar da arquitetura e do urbanismo. Este espaço também será um meio de disciplinar nossas leituras e estudos, bem como de confronto e crescimento com a leitura de mundo de nossos leitores. A internet é hoje o meio que mais se aproxima do ideal de liberdade que difundimos e é por meio dela que propomos criar um espaço de compartilhamento e cooperação social de idéias. Por isso, convidamos todos a discutir, argumentar, defender e criticar as idéias aqui publicadas. Agradecemos previamente pela divulgação dos textos e das idéias aqui apresentadas. Os textos podem ser copiados e divulgados sem autorização prévia. Pedimos apenas para citar suas fontes.

Um abraço cordial a todos.

Bem-vindos ao Arquitetura da Liberdade

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4 Responses to Arquitetura da Liberdade

  1. Anthony says:

    Este é o primeiro site em português que descubro (além do meu) que fala sobre a relação entre arquitetura, urbanismo e liberdade – fico feliz por não estar mais sozinho. Espero que seja um belo aprendizado e que, com tempo, se tornem um novo portal sobre o assunto.

    Se quiserem entrar em contato o e-mail é info@renderfreedom.com

    Abraço!

    • libertarq says:

      Olá Anthony.

      A defesa da liberdade praxeológica é praticamente invisível nos estudos em arquitetura e principalmente no urbanismo. Devido a isso, infelizmente a grande maioria dos estudiosos, acadêmicos e profissionais não consegue perceber as consequências desastrosas das políticas e regulamentações que apóiam e implementam.
      Nossa esperança é que aos poucos consigamos introduzir novos conceitos na área e apresentar uma visão alternativa ao estatismo.
      Conhecemos seu trabalho e ele nos inspira nessa direção. Já não está mais sozinho nessa batalha de idéias; espero que no futuro tenhamos a companhia de muitos outros arquitetos e urbanistas defensores da liberdade.

      Abraço,

  2. Kleiton says:

    Só para dar as boas-vindas e dizer que é sempre bom ter mais uma voz soando a favor da liberdade, seja a área que for – ainda mais no urbanismo, onde isso é tão raro.

    Acompanharei as postagens de perto!

    Abraço.

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